Prepare-se para mais uma reviravolta no mercado de carros elétricos nacional. A Leapmotor, montadora chinesa com forte apoio da Stellantis, confirmou sua estreia no Brasil para novembro, durante o Salão do Automóvel de São Paulo. A marca desembarca com o SUV C10 – que pode alcançar impressionantes 1.000 km de autonomia combinada – e já tem outro utilitário na fila: o B10, previsto para 2026.
Por que a Leapmotor é tão importante para o cenário brasileiro?
Até aqui, nomes como BYD e GWM dominavam o segmento de veículos eletrificados no país. A chegada da Leapmotor, respaldada por uma participação de 49 % da Stellantis (dona de Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën), coloca mais lenha na fogueira da concorrência e, na prática, eleva a pressão por preços mais atraentes e tecnologia de ponta.
Logo de cara, a montadora terá mais de 30 concessionárias espalhadas pelo Brasil e um centro de distribuição de peças em Betim (MG), aproveitando a infraestrutura já consolidada da Stellantis. Esse suporte promete resolver um dos maiores receios de quem considera migrar para um elétrico: assistência técnica e reposição rápida de componentes.
Leapmotor C10: cifras que chamam atenção
Posicionado entre SUVs médios, o Leapmotor C10 tem dimensões próximas ao Jeep Commander, mas aposta em duas configurações distintas:
- Versão 100 % elétrica
- Versão REEV (Range Extended Electric Vehicle), com um motor 1.5 a gasolina que só funciona como gerador para recarregar a bateria
Os números de desempenho falam por si:
- Potência: 231 cv
- Torque: 32,6 kgfm
- Bateria: 28,4 kWh
- Carga rápida: até 65 kW em corrente contínua
- Alcance combinado (bateria + tanque): até 1.000 km (em condições ideais)
Para efeito de comparação, o BYD Song Plus DM-i, híbrido plug-in líder de vendas em 2024, entrega cerca de 1.100 km no ciclo NBR, mas com potência total menor (235 cv). Ou seja, o C10 promete brigar de igual para igual naquilo que realmente pesa para o consumidor: alcance e desempenho.
Interior minimalista e tecnologia semiautônoma
Seguindo a cartilha dos modelos chineses, o C10 aposta no conceito “menos é mais”:
- Central multimídia flutuante de 14,6″ que concentra quase todos os comandos – de retrovisores ao câmbio;
- Volante com seletores giratórios inspirados na Tesla;
- Pacote ADAS robusto: 12 sensores ultrassônicos, 5 radares e 10 câmeras, habilitando funções de condução semiautônoma.
Se você está acostumado a usar assistentes virtuais, atualizações OTA (over the air) e espelhamento sem fio, vai se sentir em casa. O objetivo da Leapmotor é oferecer uma experiência high-tech sem curva de aprendizado longa.
Leapmotor B10 é o próximo passo
A marca já confirmou que o B10, um SUV ligeiramente menor que o Jeep Commander, chega em 2026 apenas em versão elétrica – nada de extensor de autonomia. Na China, o modelo sai com duas baterias:
Imagem: Divulgação
- 56,2 kWh para até 380 km (WLTP)
- 67,1 kWh para até 460 km (WLTP)
No padrão brasileiro do Inmetro, esses números costumam cair cerca de 30 %. Ainda assim, estamos falando de algo entre 270 km e 330 km, suficiente para quem roda majoritariamente em centros urbanos.
Impacto prático para o motorista brasileiro
Autonomia estendida sem “range anxiety”: o sistema REEV do C10 elimina o medo de ficar sem bateria na estrada, vantagem forte sobre elétricos puros da mesma faixa de preço.
Infraestrutura garantida: contar com a malha de pós-venda da Stellantis significa manutenção mais ágil e disponibilidade de peças – um diferencial que pesa na decisão de compra.
Pressão competitiva: quanto mais players, maior a chance de promoções, planos de financiamento agressivos e incentivos fiscais. Se você estava em dúvida entre híbrido, elétrico puro ou REEV, vale acompanhar os próximos meses de perto.
Vai ter produção nacional?
Embora, por ora, a Leapmotor traga seus veículos da China, a Stellantis não descarta usar sua planta em Betim para nacionalizar parte da produção. Caso isso aconteça, os preços podem ficar ainda mais competitivos, impulsionando todo o segmento de eletrificados no Brasil.
A estreia da Leapmotor reforça que a transformação elétrica da mobilidade deixou de ser tendência para virar realidade palpável. E quem ganha é o consumidor, agora com mais uma opção de SUV cheio de tecnologia para colocar na garagem.
Com informações de Olhar Digital