Quando se fala em serial killers que ultrapassaram o noticiário policial e se tornaram lendas macabras da cultura pop, Ed Gein geralmente surge no topo da lista. Seus crimes hediondos, cometidos na década de 1950, inspiraram filmes como O Massacre da Serra Elétrica, Psicose e O Silêncio dos Inocentes. Mas, afinal, quantas pessoas ele matou de fato — e por que seu caso ainda provoca fascínio quase sete décadas depois? A segunda temporada da série da Netflix “Monstros” reacendeu a discussão. Veja, a seguir, o quadro completo das vítimas confirmadas e atribuídas, além do impacto jurídico e cultural de um dos assassinos mais famosos da história moderna.
As duas mortes oficialmente confirmadas
Apesar da aura de “serial killer incontido”, Ed Gein só foi condenado por dois assassinatos. Essa discrepância entre fama e número oficial de vítimas é um dos pontos que mais intrigam pesquisadores.
- Bernice Worden — 58 anos, proprietária de uma loja de ferragens em Plainfield, Wisconsin. Vista pela última vez em 16 de novembro de 1957, na companhia de Gein. Seu corpo, decapitado e mutilado, foi encontrado pendurado em um galpão na fazenda do criminoso.
- Mary Hogan — 54 anos, dona de uma taverna local. Desaparecida desde 8 de dezembro de 1954. Apenas seu crânio foi localizado na residência de Gein, três anos depois.
Vítimas atribuídas, mas nunca comprovadas
Durante os interrogatórios, Gein citou que “desenterrou corpos” e insinuou ter envolvimento em outros desaparecimentos, embora não houvesse provas concretas. Entre as pessoas cujos sumiços foram ligados a ele, estão:
- Georgia Jean Weckler — 8 anos; desapareceu em 1947.
- Evelyn Grace Hartley — 14 anos; raptada em 1953.
- Harold Travis e Raymond Burgess — caçadores locais, vistos pela última vez em 1952.
- James Walsh — vizinho de Gein, desaparecido em junho de 1954.
Vale destacar que nenhuma evidência física concreta ligou Gein diretamente a esses casos, permanecendo todos oficialmente cold cases.
Por que “apenas” duas condenações?
A principal razão se resume a falta de evidências físicas. Embora a polícia tenha encontrado cabeças, máscaras e móveis feitos de pele humana na residência de Gein, ele alegava que grande parte do macabro acervo vinha de profanações de túmulos. Como muitos restos mortais não tinham identificação clara, o Ministério Público concentrou a acusação nas provas mais robustas: Worden e Hogan.
Diagnóstico psiquiátrico e penas aplicadas
Gein foi considerado inicialmente inapto a ser julgado, diagnosticado com esquizofrenia paranoide. Após tratamento, foi julgado culpado por homicídio, mas considerado legalmente insano, sendo transferido para o Mendota Mental Health Institute, onde permaneceu até sua morte, em 1984.
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Legado na cultura pop e importância histórica
Além de chocar a opinião pública, o caso Ed Gein originou um subgênero inteiro de terror “inspirado em fatos reais”. Para roteiristas, seu modus operandi — a criação de utensílios e roupas com restos humanos — tornou-se metáfora perfeita de horror visceral. Já para criminólogos, o episódio demonstrou a necessidade de melhores protocolos forenses e diagnóstico psiquiátrico nos anos 1950, influenciando desde leis sobre exumação até a forma como perícia de cena de crime é conduzida hoje.
Por que o assunto voltou aos holofotes?
A série “Monstros: A História de Ed Gein”, da Netflix, interpreta o assassino sob o olhar contemporâneo do true crime, questionando o limite entre informação e glamourização da violência. Interpretado por Charlie Hunnam, o personagem coloca de volta em pauta debates sobre saúde mental, descaso policial em áreas rurais e a fronteira ética da ficção baseada em crimes reais.
No fim, Ed Gein foi juridicamente responsabilizado por apenas duas mortes, mas sua sombra paira sobre inúmeros desaparecimentos não solucionados — e sobre a maneira como consumimos narrativas criminais até hoje.
Com informações de Minha Série / TecMundo