O anúncio da Sony Interactive Entertainment de que deixará de lançar jogos em mídia física para PlayStation a partir de janeiro de 2028 acendeu um debate que vai muito além da nostalgia pelos caixas azuis na prateleira. Na última sexta-feira (3), a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) protocolou na Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) uma representação que pede a abertura de procedimento administrativo para investigar se a mudança configura prática abusiva segundo o Código de Defesa do Consumidor.
O que exatamente muda para quem joga no PlayStation?
Pelo cronograma divulgado no PlayStation Blog, nenhum novo título de PS4, PS5 ou de futuras gerações — PS6 incluso — terá disco após 2028. Séries de peso como God of War, Uncharted e futuros sucessos de estúdios parceiros só poderão ser adquiridos digitalmente, seja pela PlayStation Store ou por cartões com código de resgate vendidos em varejistas físicos.
Jogos lançados até dezembro de 2027, ou que já tenham recebido prensagem em disco, continuarão valendo. Contudo, a Sony confirmou em comunicado separado que as lojas digitais do PS3 e do PS Vita também serão encerradas, reforçando a dependência de servidores para preservar bibliotecas antigas.
Por que a deputada vê possível abuso?
A representação aponta possível violação aos artigos 6º, 39 e 51 do CDC, que tratam do direito à informação, de práticas abusivas e do equilíbrio contratual. Para Erika Hilton, o modelo “só digital” transforma a compra em mera licença de uso, pois o consumidor fica sujeito às regras e eventuais fechamentos de servidores.
A parlamentar destaca ainda três impactos práticos no Brasil:
- Mercado de usados – Revenda, troca e empréstimo morrem sem o disco.
- Conexões instáveis – Segundo a Anatel, mais de 46 milhões de brasileiros navegam abaixo de 34 Mb/s, o que encarece e demora downloads de 100 GB ou mais.
- Acesso a coleções antigas – Fechamento de lojas digitais pode impedir reinstalações futuras.
O que diz a Sony
No comunicado oficial, a empresa argumenta que a “preferência geral por mídia digital superou significativamente a física”, permitindo alinhar investimento ao comportamento da “maior parte da comunidade”. A multinacional promete manter “opções de compra em lojas físicas”, mas não definiu por quanto tempo os cartões com códigos permanecerão disponíveis.
PlayStation vs. Concorrentes: quem ainda aposta no disco?
A rival Microsoft não cravou data para abandonar os discos, mas já comercializa o Xbox Series S exclusivamente digital. A Nintendo, por sua vez, segue com cartuchos no Switch, embora incentive compras na eShop. A própria Sony vende desde 2020 o PS5 Digital Edition, R$ 400 mais barato que o modelo com leitor Blu-ray no varejo online.
Imagem: William R
Impacto para o seu setup gamer
Com a era 100 % digital batendo à porta, alguns pontos merecem atenção:
- Armazenamento: jogos de atual geração já ultrapassam 150 GB; expandir o SSD do PS5 (M.2 NVMe Gen 4) ou usar HD externo no PS4 pode virar necessidade.
- Internet confiável: planos de 300 Mb/s ou mais reduzem tempo de download; roteadores Wi-Fi 6 evitam gargalos dentro de casa.
- Gift cards em promoção: com a alta do dólar, cartões pré-pago podem ser alternativa para parcelar e aproveitar ofertas relâmpago da PS Store.
Próximos passos da investigação
O documento protocolado pede que a Sony detalhe “medidas para garantir acesso de longo prazo às bibliotecas digitais” e apresente soluções para jogadores com internet limitada. A Senacon ainda analisa se instaurará processo formal contra a Sony Brasil e a Sony Interactive Entertainment.
Enquanto isso, a discussão sobre propriedade digital e preservação de jogos ganha força. Para o consumidor, o recado é claro: prepare o SSD, acompanhe a evolução da legislação e, se valoriza o disco, aproveite os próximos quatro anos — eles podem ser os últimos do clack do Blu-ray entrando no console.
Com informações de Hardware.com.br