A Apple quer fazer mais do que atualizar processadores: pretende voltar a ditar tendências visuais e funcionais no mercado. Segundo a Bloomberg, John Ternus – que assume o cargo de CEO em 1º de setembro – já iniciou uma reestruturação profunda na equipe de design industrial para resgatar o prestígio perdido desde a saída de Jony Ive. A promessa é ousada: colocar novamente na vitrine produtos capazes de parar timelines e, claro, justificar upgrades de quem espera algo realmente novo.
Por que isso importa para você?
Design na Apple nunca foi apenas estética; é performance térmica no MacBook, ergonomia no Apple Watch e, em breve, a viabilidade de um iPhone dobrável que não pareça um “protótipo caro”. Se Ternus cumprir o plano, veremos notebooks e smartphones com formatos repensados, potencialmente mais finos, leves e com baterias maiores – características que influenciam diretamente quem joga, edita vídeos ou apenas busca mobilidade no dia a dia.
Da era Ive ao hiato criativo
A erosão começou em 2015, quando Jony Ive virou Chief Design Officer e, na prática, se afastou do estúdio. Em 2019, ele fundou a LoveFrom; três anos depois, o contrato de consultoria com a Apple terminou e a debandada se intensificou. Profissionais-chave como Evans Hankey, Bart Andre e Alan Dye migraram para startups, a Meta ou até a OpenAI (que comprou a io, de Ive, por US$ 6,5 bilhões).
Quem é John Ternus?
Engenheiro de formação e designer de coração, Ternus liderou o hardware do MacBook Neo e do Watch Ultra, dois dos poucos acenos recentes à ousadia estética. Ele promete “manter o objeto mais bem desenhado da casa do usuário como um produto da Apple” – frase que ecoa o mantra de Steve Jobs, mas coloca o cronômetro em contagem regressiva: seu primeiro teste público será o evento de outono, onde um iPhone foldable deve dividir palco com a linha tradicional.
O estado atual do time de design
Com a saída de Jeff Williams, o vácuo de liderança foi preenchido por Molly Anderson, veterana do Apple Watch, agora vice-presidente de design industrial. Embora talentosa, ela nunca havia gerenciado equipes grandes, e o departamento virou uma mistura de jovens recém-formados e poucos nomes sênior – o oposto do “dream team” da década passada.
Reerguer a cultura leva tempo
Para acelerar, Ternus deve:
- Recrutar designers estrela do mercado automotivo e de wearables.
- Dar assento ao design no comitê executivo, recuperando influência na definição de produto.
- Integrar inteligência artificial generativa ao processo criativo, reduzindo ciclos de prototipagem.
Impacto prático nos próximos lançamentos
iPhone dobrável (setembro de 2026): telas OLED flexíveis devem ganhar nova dobradiça de titânio e vidro ultrafino – menos vinco, mais durabilidade. Para quem usa o celular como console portátil, isso pode significar 7,9 polegadas de área útil em jogos sem sacrificar o bolso.
MacBook touchscreen: rumores apontam painel OLED de 120 Hz, suporte a Apple Pencil Pro e chassis ainda mais compacto graças ao chip M5 Pro de 3 nm. Profissionais de criação poderão dispensar tablets gráficos externos, economizando espaço na mochila e, possivelmente, no orçamento.
Imagem: Internet
AirPods X: redesign voltado para áudio espacial em games e filmagens de vídeo 3D, alinhado ao ecossistema Vision Pro.
Comparativo com concorrentes
Enquanto Samsung, ASUS e Lenovo iteram telas dobráveis há quatro gerações, a Apple chega atrasada – mas costuma refinar falhas que os pioneiros exibem, como vincos acentuados e autonomia limitada. Se repetir o histórico do Apple Watch (que popularizou wearables após anos de Pebble), pode transformar dobráveis no próximo padrão de mercado, pressionando preços em toda a categoria.
O que observar como potencial comprador
• Ciclos de upgrade: se você segura o iPhone há cinco anos, 2026 pode ser o salto mais radical desde o notch de 2017.
• Revenda de usados: mudanças visuais drásticas tendem a valorizar gerações antigas como “clássicas”, útil para monetizar seu aparelho atual.
• Ecosistema: acessórios MagSafe, cases reforçados e hubs USB-C devem ser atualizados; ficar de olho nos lançamentos paralelos pode garantir compatibilidade e bons preços na Amazon.
Entre desafios regulatórios na Europa (Digital Markets Act) e a corrida pela IA embarcada, Ternus terá pouco tempo para provar que a Apple ainda consegue criar objetos de desejo – não apenas dispositivos eficientes. Se conseguir, 2026 pode marcar a volta dos produtos que fazem você olhar para o seu gadget atual e pensar: “Ok, agora vale a troca”.
Com informações de Mundo Conectado