Acabou o suspense: Tim Cook confirmou ao Wall Street Journal que a Apple não consegue mais segurar o aumento no custo de memória RAM e NAND. O executivo descreveu o cenário como uma “cheia que acontece uma vez a cada cem anos” e avisou que reajustes em iPhones, Macs e iPads são inevitáveis.
O que está provocando a tempestade perfeita nos chips de memória?
Desde meados de 2023, os data centers de inteligência artificial passaram a disputar DRAM e NAND com os dispositivos de consumo. Samsung, SK Hynix e Micron – que juntas dominam mais de 90 % da produção global – desviaram capacidade para memórias HBM usadas em GPUs de IA, onde a margem de lucro é muito maior.
Resultado: oferta comprimida, preços disparando e fabricantes como Apple, Microsoft e Dell repassando a conta ao consumidor.
Quanto o iPhone 18 Pro pode ficar mais caro?
Segundo estimativas da TechInsights citadas pelo WSJ, apenas o bloco de memória (12 GB de DRAM + 256 GB de NAND) saltaria de US$ 52 no iPhone 17 Pro para US$ 196 no iPhone 18 Pro. Se a Apple quiser manter sua margem histórica, o valor de tabela deverá subir cerca de US$ 270 — algo próximo de R$ 1.400 na conversão direta.
Ou seja, o iPhone 18 Pro pode estrear por US$ 1.299 (≈ R$ 6.700) lá fora, e um possível iPhone 18 Pro Max/Ultra ou modelo dobrável pode ultrapassar a barreira dos US$ 2.000.
Macs e iPads devem sentir o baque antes dos iPhones
A Apple já deu o primeiro passo: tirou do catálogo a versão básica do Mac mini, elevando o preço de entrada de US$ 599 para US$ 799. Configurações topo de linha do Mac mini e do Mac Studio também foram suprimidas, sinal de que a linha de computadores será a primeira a repassar custos.
Apple vai produzir sua própria memória? Cook responde
Apesar de ter mais de US$ 160 bilhões em caixa, a empresa não pretende erguer fábricas de DRAM ou NAND. “Não podemos fazer tudo. Sabemos no que somos bons”, disse Cook. O plano, por ora, é usar poder de compra e contratos antecipados para garantir fornecimento.
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Concorrentes também ajustam preços
O efeito cascata já é visível:
- Microsoft Surface Pro (13”) subiu 50 %, partindo de US$ 1.499;
- Samsung, Sony e Dell anunciaram aumentos graduais em laptops e smartphones;
- Analistas da Morgan Stanley calculam que, se o repasse fosse integral, os preços médios precisariam subir 34 % em celulares, 67 % em PCs e 83 % em servidores.
Memória cara até 2028? O que isso significa para você
Relatório da S&P Global projeta preços elevados pelo menos até 2028 – justamente quando experiências de IA local, como a Apple Intelligence, exigirão ainda mais gigabytes de RAM.
Para quem planeja trocar de iPhone ou montar um novo PC gamer, vale acompanhar promoções de kits DDR5, SSDs NVMe e placas-mãe com slots extras. Embora a Apple não venda componentes avulsos, o efeito dominó atinge todo o mercado de hardware, inclusive os produtos que ainda estão em estoque em grandes varejistas online.
No curto prazo, o recado de Tim Cook funciona como um sinal amarelo: os próximos anúncios da Apple virão acompanhados de preços reajustados. E, desta vez, a justificativa não é design nem câmeras melhores, mas a memória que faz tudo isso funcionar.
Com informações de Mundo Conectado