Ferramentas de inteligência artificial estão tirando tarefas repetitivas do caminho e devolvendo tempo precioso aos profissionais. Segundo a 4ª edição da pesquisa global “AI at Work”, conduzida pela Boston Consulting Group (BCG), **42% dos trabalhadores de linha de frente que usam IA regularmente já economizam o equivalente a um dia inteiro de trabalho por semana**. O problema? A maior parte das empresas não tem um plano claro para canalizar essa folga em valor de negócio.
Tempo livre não vira valor sozinho
De acordo com o levantamento, **66% dos entrevistados afirmam não receber orientação sobre como aproveitar as horas poupadas**. Resultado: mais da metade deles não direciona o tempo ganho para atividades estratégicas — como aprimorar o atendimento ao cliente, inovar processos ou acelerar projetos.
Para David Martin, líder global de pessoas e organização na BCG, “salvar horas não significa, automaticamente, gerar lucro”. O executivo defende que as lideranças precisam “mudar o placar”, deixando de medir apenas adoção de IA e horas economizadas e passando a rastrear se o tempo está, de fato, sendo reinvestido em iniciativas de maior impacto.
Da produtividade individual ao trabalho coletivo
Se a primeira onda de IA focou em aumentar a eficiência pessoal, a próxima terá de reinventar o trabalho em equipe. “Todo mundo fala em IA substituindo empregos, mas a conversa real é sobre repensar qual é o valor humano dentro das empresas”, diz Vinciane Beauchene, sócia e coautora do relatório.
Essa mudança já repercute na gestão: **65% dos gerentes acreditam que agentes de IA farão pelo menos metade de suas funções nos próximos três anos**. Do lado dos profissionais de base, a tendência é migrar da execução pura para o papel de “diretores de IA”, decidindo onde e como as máquinas entram em cena.
Adoção em ritmo acelerado — mas ainda sem orquestração
A pesquisa entrevistou 11.749 funcionários em 14 países e constatou que **74% dos trabalhadores de linha de frente usam IA diariamente ou algumas vezes por semana**, um salto de 23 pontos percentuais em relação ao ano passado. Além disso, 6 em cada 10 acreditam que, em até três anos, agentes inteligentes poderão executar metade de suas tarefas.
Contudo, só um terço dos colaboradores diz entender claramente a estratégia de IA comunicada pela alta liderança, e apenas 28% enxergam coerência entre o discurso e a prática.
Imagem: Paul Barker
O que os líderes de TI precisam fazer agora
Para não ficar só no hype, a BCG recomenda que os CEOs — apoiados pelos CIOs — adotem uma abordagem holística:
- Focar em resultados de negócio, não apenas em taxa de uso das ferramentas;
- Redesenhar processos ponta a ponta, em vez de empilhar novos apps;
- Colocar as pessoas no centro das transformações, esclarecendo o “porquê” de cada mudança;
- Tratar a governança de IA como algo dinâmico, revisitando métricas e políticas à medida que as capacidades evoluem.
Martin alerta ainda para a “carga cognitiva” sobre times de tecnologia, que geralmente são os primeiros a testar e validar as novidades. “As maiores conquistas vêm quando estratégia de TI, estratégia de força de trabalho e experiência do funcionário avançam juntas”, reforça.
O novo patamar do “bom o suficiente”
Com a IA gerando rascunhos, resumos e automatizando tarefas básicas, **60% dos profissionais dizem que o nível mínimo aceitável de qualidade subiu**. Isso torna o trabalho remanescente mais complexo e, potencialmente, mais estimulante — mas também mais exaustivo. Para evitar burnout, as companhias precisarão atualizar treinamentos, expectativas de desempenho e apoio gerencial.
No fim das contas, a pesquisa deixa um recado direto: **empresas que alinham estratégia clara, comunicação efetiva e redeenho de processos colhem dois bônus — maior retorno financeiro e colaboradores mais satisfeitos**. Se a sua organização já poupa um dia de trabalho por semana com IA e ainda não sabe onde investir esse tempo, talvez seja hora de rever o roteiro antes que o entusiasmo vire frustração.
Com informações de Computerworld