A Huawei acaba de oficializar na China os novos Nova 16 e Nova 16 Pro, dois intermediários “premium” que apostam em bateria de 7.000 mAh, recarga de 100 W e uma câmera periscópica de 50 MP com zoom óptico de até 3,7x. Na prática, estamos falando de autonomia quase 40% maior que a média do segmento – a maioria dos rivais vendidos no Brasil, como Galaxy A55 ou Moto Edge 40 Neo, fica entre 4.500 mAh e 5.000 mAh.
Por dentro das câmeras: muito mais alcance sem perder detalhe
O principal chamariz é a lente teleobjetiva periscópica em ambos os modelos. No Nova 16 Pro, ela se junta a um sensor principal de 200 MP (RYYB) com estabilização óptica (OIS) e a uma ultrawide de 50 MP que ainda faz macros a 7 cm. Já o Nova 16 “padrão” simplifica a câmera principal para 50 MP, mas mantém a mesma tele de 50 MP com OIS e zoom de 3,3x.
Na prática, esses números colocam a dupla bem à frente de intermediários populares no Brasil. O Galaxy A55, por exemplo, traz sensor principal de 50 MP, mas sua lente zoom é apenas digital; o Realme 12 Pro tem tele de 32 MP limitada a 2x. Se fotografia de viagem, shows ou esportes é prioridade, a solução da Huawei promete mais alcance sem sacrificar qualidade.
Tela LTPO para os exigentes, OLED tradicional para quem quer economizar
Outro diferencial entre os dois está no painel. O Nova 16 Pro exibe um display LTPO OLED de 6,84″ com taxa variável de 1 Hz a 120 Hz – perfeito para games e leitura, já que a frequência cai quando o conteúdo é estático e economiza energia. O Nova 16 fica num OLED de 6,68″ com 120 Hz fixos, ainda competitivo, mas sem o ajuste dinâmico.
Kirin 9010S: potência equivalente a um Snapdragon 7+ Gen 2
A Huawei repete o Kirin 9010S de 4 nm nos dois aparelhos, acompanhado de 12 GB de RAM e até 1 TB de armazenamento (opção exclusiva do Pro). Em benchmarks preliminares, o chip fica próximo ao Snapdragon 7+ Gen 2 que equipa modelos como Poco F5, o suficiente para rodar jogos populares como Genshin Impact acima dos 50 fps no médio, mas sem chegar ao nível de flagships com Snapdragon 8 Gen 3.
Bateria de 7.000 mAh e carregamento de 100 W: maratona e pit stop rápido
É aqui que a Huawei rouba a cena. Com 7.000 mAh, o Nova 16 promete, segundo a marca, até dois dias de uso moderado ou 10 horas de jogo contínuo. Para comparação, um Galaxy A55 (5.000 mAh + 25 W) leva cerca de 1h20 min para ir de 0 a 100 %. O Nova 16 faz o mesmo em aproximadamente 35 min, graças aos 100 W SuperCharge – algo que hoje só vemos em linhas chinesas como Realme GT Neo ou Poco F-Series importados.
Mensagens via satélite: segurança extra fora da rede celular
Tanto o Nova 16 quanto o Pro suportam a rede de satélites BeiDou para envio de SMS de emergência quando não há sinal terrestre, recurso antes restrito a modelos bem mais caros. Quem viaja ou pratica trilhas em locais remotos já conhece o valor dessa função – vista no iPhone 14 Pro e Galaxy S24 Ultra, por exemplo.
Imagem: Internet
Pontos de atenção: sem Google, sem IP68 e USB 2.0
Nem tudo é avanço. Por rodar o HarmonyOS 6.1 sem serviços Google, a chegada global é incerta. Além disso, a certificação de resistência parou no IP65 (protege contra jatos d’água, mas não submersão) e a porta USB-C permanece no padrão 2.0, o que limita velocidades de transferência para quem grava muito em 4K.
Preços na China e o que esperar se vier importado
Na conversão direta, o Nova 16 parte de R$ 2.220, enquanto o Nova 16 Pro de 1 TB chega a R$ 3.700. Mesmo com impostos de importação, ainda ficaria competitivo frente a modelos Android intermediários vendidos no Brasil. Quem busca bateria fora do comum e câmera tele dedicada pode considerar importar, mas deve ponderar a ausência de garantia local e do pacote Google.
Vale a pena ficar de olho?
Se você valoriza autonomia maratona, carregamento ultrarrápido e quer um smartphone pronto para fotografar em qualquer distância, a fórmula da Huawei é tentadora. Quem prefere uma alternativa oficialmente vendida no país encontrará no Galaxy A55, Pixel 8a ou Moto G Power (2024) potenciais substitutos, mas nenhum deles une 7.000 mAh a zoom periscópico.
No fim das contas, o Nova 16 Pro reforça a estratégia da Huawei de entregar muita câmera e muita bateria por menos, enquanto o Nova 16 serve como porta de entrada para a mesma filosofia. Agora resta saber se – e quando – veremos esses números impressionantes em dispositivos homologados para o mercado brasileiro.
Com informações de Mundo Conectado