A Acer acaba de oficializar sua entrada no disputado mercado de wearables de alta tecnologia. Durante a Computex 2026, em Taipei, a fabricante taiwanesa apresentou dois modelos de óculos inteligentes — o AR Vision GRO (GR100F) e o GIO AI (GI100). Enquanto um transforma qualquer lugar em uma sala de cinema pessoal, o outro aposta em inteligência artificial baseada no Google Gemini para ser um tradutor e assistente de bolso (ou melhor, de rosto).
Por que isso importa?
As vendas globais de smart glasses devem ultrapassar 13 milhões de unidades já em 2026, segundo a IDC. A Meta domina 76 % desse bolo com a linha Ray-Ban, mas Google, Samsung e outros gigantes prometem novidades para este ano. A jogada da Acer, portanto, é estratégica: ao lançar dois produtos com propostas opostas — realidade aumentada imersiva versus assistente de IA minimalista — a empresa tenta ocupar dois extremos de uso e chamar a atenção de gamers, criadores de conteúdo, nômades digitais e viajantes.
AR Vision GRO: um telão de 172” que cabe na mochila
Com apenas 69 g, o AR Vision GRO utiliza duas telas micro-OLED Full HD que, segundo a Acer, simulam uma imagem de 172 polegadas a 6 metros de distância. O contraste de 50 000:1 e a cobertura de 95 % da gama DCI-P3 prometem cores vivas para filmes, séries e games.
- Conectividade: cabo USB-C para Android, iOS ou Windows.
- Conteúdo: suporte a 2D e 3D.
- Áudio embutido: alto-falantes discretos próximos às orelhas.
- Conforto: protetor de luz removível e lentes magnéticas opcionais para míopes.
O conceito lembra os concorrentes Xreal Air e Rokid Max, mas chega ao mercado por US$ 499 — preço que bate de frente com opções que custam até 60 % mais caro lá fora. Para quem costuma jogar no notebook gamer ou assistir a streaming no celular durante viagens, a promessa de um “cinema portátil” pode ser tentadora.
GIO AI: IA Gemini em um design de 46 gramas
Se o foco não é entretenimento visual, e sim produtividade e comunicação sem barreiras linguísticas, o GIO AI entra em cena. O modelo abandona a tela e o cabo, aposta em Wi-Fi 5 e Bluetooth 5.0 e integra:
- Assistente por voz com IA Gemini capaz de responder perguntas, organizar agendas e traduzir conversas em tempo real;
- Câmera de 12 MP (vídeo Full HD a 30 fps) para capturar momentos ou fazer chamadas em primeira pessoa;
- Três microfones com redução de ruído e gravação de voz — ideal para atas de reunião;
- 32 GB de armazenamento interno para mídia local;
- Integração com o app Acer AspireSync em Android 12+ e iOS 15+.
O peso de 46 g (sem lentes) e o formato discreto lembram os Ray-Ban Meta, mas com preço inicial de US$ 299. Para viajantes frequentes, a função de tradução instantânea pode resolver o perrengue das placas indecifráveis no metrô de Tóquio ou do cardápio em Paris.
Quanto custa e quando chega?
Nos Estados Unidos, o AR Vision GRO chega por US$ 499,99 (cerca de R$ 2 520) e o GIO AI por US$ 299,99 (aprox. R$ 1 510). Na Europa, os valores sugeridos são de € 599 e € 399, respectivamente. O lançamento está previsto para o quarto trimestre de 2026 na América do Norte e EMEA, e terceiro trimestre na Austrália. A Acer ainda não confirmou disponibilidade no Brasil.
Imagem: Internet
Para quem não quer esperar, modelos como Xreal Air 2, Rokid Max e os próprios Ray-Ban Meta já estão à venda em marketplaces como a Amazon — uma referência interessante para comparar ficha técnica e preço antes de decidir qual “prancha” de realidade aumentada colocar no rosto.
Vale a pena ficar de olho?
Se você está montando um setup gamer portátil ou precisa de um tradutor pessoal que caiba na haste dos óculos, a nova dupla da Acer oferece experiências distintas porém complementares. A escolha — como sempre em tecnologia — deve considerar o ecossistema de aplicativos e a usabilidade do dia a dia. Com o mesmo Google Gemini a caminho de produtos rivais, a corrida agora não é apenas por hardware, mas pela melhor integração entre IA, conforto e preço.
No final das contas, o AR Vision GRO e o GIO AI demonstram que a Acer não quer ser coadjuvante no palco dos wearables. Seja para transformar o trajeto do ônibus em uma sessão de cinema gigante, seja para conversar em qualquer idioma sem nem tirar o celular do bolso, os novos óculos deixam claro: a era dos smart glasses acaba de ganhar dois competidores de respeito.
Com informações de Mundo Conectado