O Google deu um passo ousado para além dos smartphones. Durante o evento The Android Show, a empresa apresentou o Googlebook, primeiro laptop a nascer sob medida para a Gemini Intelligence, seu pacote de IA generativa. A missão é clara: disputar espaço com Windows 11 e macOS em produtividade, mas trazendo a familiaridade do Android 17 e a autonomia típica de dispositivos móveis.
Aluminium OS: interface horizontal sem perder a alma do Android
O Google chama a camada de software de Aluminium OS. Não se trata de um simples “Android esticado” — o sistema foi redesenhado para uso prolongado com mouse, teclado e múltiplas janelas. Ícones, painéis e animações seguem a linguagem Material 3 Expressive, mas agora vêm acompanhados de:
- Pastas na área de trabalho, algo que fãs de Windows e macOS consideram essencial.
- Escritórios virtuais ilimitados, facilitando a separação entre trabalho, estudos e lazer.
- Painel de notificações lateral que não atrapalha o fluxo de tarefas.
- Biblioteca nativa de atalhos de teclado e gestos avançados no touchpad.
Magic Pointer: adeus cursor passivo, olá sugestões inteligentes
O diferencial mais sonoro é o Magic Pointer. Ao mover o cursor sobre datas, o sistema sugere criar eventos; ao parar sobre a foto de um fone de ouvido, exibe comparativos de preço ou coloca o item em uma lista de compras. Tudo acontece localmente, sem subir cada clique para a nuvem, graças ao modelo Gemini rodando em background.
Snapdragon X vs Apple M-series: onde o Googlebook se encaixa?
Cada Googlebook virá equipado com chips Snapdragon X, a mesma família que alimenta notebooks Windows on ARM. O foco é eficiência. Benchmarks internos mostram desempenho suficiente para navegação, planilhas e até edição de vídeo leve em 4K. Ainda não encosta no poder bruto da linha Apple M3, mas o Google promete até 20 horas de bateria em uso misto — número que, se confirmado, supera muitos ultrabooks Intel de 13ª geração.
Para entusiastas, o tópico mais quente é compatibilidade de software x86. Em vez de emulação pesada, o Aluminium OS aposta em apps nativos ou PWA. Quem depende de Adobe Premiere ou AutoCAD ainda pode preferir máquinas tradicionais, mas tarefas cotidianas e cloud-gaming via GeForce NOW ou Xbox Cloud não deverão ser problema.
Design com a “barra de luz” Google e gerenciamento granular
Visualmente, o notebook estampa uma barra RGB nas cores da marca, funcionando como LED de status ou alerta de notificação. Por dentro, há um task manager herdado do Android que exibe consumo de energia e ciclos de CPU em tempo real — um prato cheio para quem gosta de monitorar cada watt.
Quebrando muros: Link to iOS e integração total com seu celular
Em um movimento surpreendente, o Googlebook virá com Link to iOS. A ferramenta sincroniza notificações, fotos e até hotspot instantâneo de iPhones, algo que os Chromebooks nunca ofereceram nativamente. Se você já vive entre um iPhone e um smartwatch Wear OS, o ecossistema fica mais coeso.
Imagem: William R
Chromebook 2.0 ou algo maior?
A pergunta que paira: o Googlebook será apenas um Chromebook turbinado? A resposta depende de desenvolvedores. Toda a Play Store estará disponível no dia 1, mas apps deverão adotar layouts responsive para não parecerem janelas de celular esticadas. Se nomes como Microsoft Office, Slack e redes de jogos otimizarem atalhos de teclado e redimensionamento, o Aluminium OS pode finalmente disputar com Windows e macOS sem o estigma de “computador de nuvem”.
Lançamento e o que observar antes de comprar
O Google confirma chegada “ainda em 2026”, sem data exata. Acer, ASUS, Dell, HP e Lenovo já têm protótipos prontos e devem revelar preços nos próximos trimestres. Fique de olho em:
- Capacidade real da bateria vs. promessa de 20 horas.
- Performance do Snapdragon X em softwares nativos x86 via nuvem.
- Compatibilidade de periféricos gamers (mouses 8K Hz, teclados mecânicos) via USB-C e Bluetooth 5.4.
- Planos de atualização: o Google garante 7 anos de updates de segurança, alinhado aos Pixel.
Se o Googlebook entregar usabilidade de desktop, autonomia de tablet e IA contextual melhor que Copilot e Siri, 2026 pode marcar o início de um terceiro grande player em laptops — e um novo terreno fértil para quem procura acessórios de alto desempenho para completar o setup.
Com informações de Hardware.com.br