Um smartwatch da Apple que dispensasse o iPhone na hora de desbloquear era a grande expectativa de parte da comunidade desde 2020, quando surgiu a primeira patente descrevendo um Touch ID embutido na Digital Crown. Quatro anos depois, fontes internas ouvidas pelo leaker Instant Digital confirmam: o projeto foi cancelado – ao menos por enquanto. Custo elevado e impacto direto na autonomia de bateria foram os motivos determinantes.
Por que o sensor de impressão digital foi engavetado?
De acordo com o vazamento, implementar o módulo de leitura biométrica elevaria o preço de produção em um momento sensível, marcado por memórias e outros componentes mais caros. Além disso, o processador dedicado ao Touch ID “roubaria” espaço físico que hoje é reservado a uma bateria maior – um ponto crítico para qualquer relógio inteligente.
Para quem acompanha a linha Apple Watch, faz sentido: a empresa vem priorizando ganhos de autonomia e novos sensores de saúde (ECG, temperatura corporal e, possivelmente, medidor de glicose no futuro). Trocar minutos – ou horas – de uso por um desbloqueio independente não pareceu um bom negócio dentro da estratégia atual.
Bateria é a nova fronteira
Cada geração do Apple Watch traz pequenas evoluções de capacidade de bateria, mas ainda longe de rivais que chegam a três ou mais dias de carga, como alguns modelos Amazfit e Garmin. Nos bastidores de Cupertino, a ordem é clara: todo milímetro interno deve favorecer células maiores ou placas lógicas mais compactas.
Se o Touch ID na coroa ocupasse cerca de 10 % do volume interno projetado para bateria, isso significaria uma redução proporcional na duração. Usuários gamers—que gostam de receber notificações de chats do Discord ou controlar música diretamente do pulso durante as partidas—sentiriam o impacto primeiro.
Concorrência aposta em biometria?
Curiosamente, o mercado de wearables não tem corrido para integrar leitores de digitais. Nem mesmo o recém-lançado Galaxy Watch 6 conta com fingerprint; a Samsung mantém PIN ou padrão de desenho, como a Apple. A Huawei testou reconhecimento facial em wearables conceituais, mas o recurso ainda não chegou ao varejo.
Isso indica que, até agora, a segurança em relógios inteligentes continua ancorada no smartphone. Enquanto o Apple Watch estiver pareado, o desbloqueio acontece automaticamente quando você destrava o iPhone. Para muita gente, essa etapa extra é invisível – e economiza valiosos miliampères-hora.
O que a decisão significa para você
• Se já tem um Apple Watch: nada muda no dia a dia. O desbloqueio segue rápido via iPhone e o ecossistema continua fechado para apps com dados sensíveis, como carteiras de criptomoedas ou password managers.
Imagem: Internet
• Se está pensando em comprar: priorize modelos com bateria maior e sensores de saúde extra (Series 9 ou Ultra 2, por exemplo). Segundo analistas, a Apple deve focar em métricas avançadas – VO2 Máx., monitoramento de sono mais preciso e possível detecção de apneia – antes de revisitar um Touch ID integrado.
• Se esperava autonomia de uso “independente do iPhone”: rumores indicam que as próximas gerações podem trazer conectividade satelital para emergências, mas ainda dependerão do celular para configuração inicial e autenticação.
E o tal código que falava em 2026?
O Macworld encontrou referências ao codinome interno ‹AppleMesa›, usado para Touch ID, apontando 2026 como janela de estreia. Fontes próximas aos fornecedores afirmam que a Apple mantém vários recursos em desenvolvimento paralelo. Se houver ganho expressivo de densidade energética em baterias de estado sólido – ou queda abrupta no custo do sensor – o projeto pode renascer.
Até lá, a Apple joga no seguro: mais tempo longe da tomada e novos indicadores de saúde são argumentos que pesam muito mais na hora de convencer o consumidor – e quem está de olho em um upgrade geralmente procura exatamente isso.
No fim das contas, deixar o Touch ID de lado reforça a filosofia minimalista do relógio da Apple: entregar tudo o que importa no pulso, sem inflar preço nem sacrificar bateria. Resta saber como a concorrência responderá e qual será o próximo diferencial que realmente fará os usuários considerarem trocar de smartwatch.
Com informações de Mundo Conectado