Uma das empresas mais influentes da atualidade, a OpenAI, voltou ao centro dos holofotes — desta vez, por um episódio explosivo ocorrido nos bastidores em 2017. Em depoimento prestado nesta terça-feira (6), no Tribunal Federal do Distrito Norte da Califórnia, Greg Brockman, presidente e cofundador da organização, revelou que temeu levar um soco de Elon Musk durante uma reunião decisiva realizada em Hillsborough, na Califórnia. A declaração faz parte do processo em que Musk acusa Sam Altman e a atual diretoria de abandonarem a missão sem fins lucrativos da OpenAI.
O encontro que saiu do controle
Segundo Brockman, o ambiente já começou tenso. Musk chegou entregando dois Tesla Model 3 como “presentes” para Brockman e Ilya Sutskever — gesto que, na visão do executivo, pretendia criar uma “dívida moral” antes de uma negociação de poder. Pouco depois, Musk propôs assumir o controle total da operação e atrair investidores sob sua liderança direta. A recusa dos cofundadores desencadeou a ira do bilionário.
“Ele se levantou, contornou a mesa furioso. Pensei, de verdade, que ele fosse me agredir fisicamente”, relatou Brockman ao júri. Como retaliação, Musk teria ameaçado cortar todo o financiamento da OpenAI até que Brockman e Sutskever renunciassem.
Por que Musk queria o comando total?
Na época, a OpenAI ainda operava como organização sem fins lucrativos, com a missão de desenvolver inteligência artificial de forma aberta e segura. Para Musk, era fundamental acelerar pesquisa e captação de recursos — mas sob a sua própria tutela. A estratégia incluía verticalizar a companhia para que futuras aplicações comerciais, como modelos de linguagem e soluções para direção autônoma, pudessem “conversar” diretamente com outras empresas do seu portfólio, como Tesla e SpaceX.
Dois caminhos, dois modelos de negócio
A ruptura de 2017 levou Musk a deixar o quadro de diretores em 2018 e, anos depois, a fundar a xAI. Já a OpenAI adotou uma estrutura híbrida (limitada por lucros) para atrair investimentos bilionários da Microsoft. Essa mudança possibilitou a compra em larga escala de GPUs Nvidia H100 e A100 — hoje ouro em pó no mercado de data centers — e acelerou o lançamento de produtos como o ChatGPT 4o.
Para quem acompanha hardware, vale lembrar: a corrida por IA tem inflacionado placas de vídeo topo de linha. Se você está de olho em uma RTX 4090 ou RX 7900 XTX para turbinar jogos com ray tracing e IA (DLSS 3/FSR 3), esse tipo de disputa corporativa tende a impactar preço e disponibilidade global.
Imagem: William R
O impacto prático para você, entusiasta de tecnologia
- Ecossistema fechado vs. aberto: Caso Musk tivesse assumido, a OpenAI poderia ter seguido um modelo mais integrado a Tesla, potencialmente limitando acesso a APIs públicas — algo que, hoje, impulsiona assistentes pessoais em smartphones, notebooks gamers e até teclados mecânicos com OLED.
- Financiamento contínuo: A entrada de Microsoft manteve o ritmo de pesquisa e liberou verba para avanços como o fine-tuning de modelos, permitindo recursos on-device em chips Qualcomm Snapdragon X Elite e Apple M4.
- Concorrência saudável: A nova investida de Musk com a xAI provoca players como Google, Meta e Anthropic, acelerando melhorias que chegarão às próximas gerações de CPUs (Intel Arrow Lake, AMD Zen 5) e placas de vídeo (RTX 50 “Blackwell”).
O que esperar das próximas semanas de julgamento
O processo entra na terceira semana e deve ouvir outros cofundadores. A defesa de Sam Altman tenta provar que Musk, antes de reclamar do lucro, queria usar a OpenAI como braço de P&D para seus próprios negócios. Qualquer decisão judicial pode redefinir quem controla os algoritmos mais valiosos do planeta — e, por tabela, ditar o ritmo de inovações que chegarão ao seu PC, console ou setup de streaming nos próximos anos.
No fim das contas, a audiência mostra que, além de transistores e linhas de código, grandes egos ainda são componente crítico na indústria de IA. E, quando bilhões de dólares em chips e treinamento de modelos estão na mesa, nem mesmo um sedã elétrico de presente consegue garantir que as coisas terminem em paz.
Com informações de Hardware.com.br