Passagens compradas, hotel reservado e aquela expectativa deliciosa pelas férias. É justamente nesse momento de empolgação que os cibercriminosos entram em cena com o chamado golpe do “Sequestro de Reserva”, identificado pelos pesquisadores da Norton. Diferente de ataques de phishing genéricos, a fraude usa informações reais da sua hospedagem — como nome do hotel, datas e valor da estadia — para convencê-lo a pagar taxas inexistentes ou “reconfirmar” o cartão de crédito. O Brasil já figura em terceiro lugar no ranking global de vítimas, com cerca de 1 000 casos detectados apenas nos quatro primeiros meses de 2026.
Como o golpe do Sequestro de Reserva acontece
Segundo Iskander Sanchez-Rola, diretor de IA e inovação da Norton, a invasão não parte do seu smartphone nem do Wi-Fi público do aeroporto. O problema nasce na cadeia de parceiros de plataformas como Booking.com e Airbnb. Hackers comprometem acessos de hotéis e pousadas, ganham entrada no painel administrativo e coletam dados reais dos hóspedes.
De posse dessas informações, o golpista dispara mensagens — geralmente em inglês, mesmo quando o destinatário é brasileiro — pelos próprios canais da plataforma ou por e-mails que imitam o visual do hotel. O texto costuma vir com tom de urgência: “Falha na transação”, “Confirme o pagamento para evitar cancelamento” ou “Atualização obrigatória do cartão”. Como tudo bate com a sua reserva, é natural baixar a guarda.
Por que o Brasil entrou na mira
A Norton calcula que a campanha já atingiu cerca de 12 mil viajantes no mundo. Reino Unido e Alemanha lideram em quantidade absoluta, mas o Brasil aparece logo atrás, ultrapassando França e Itália. Três fatores explicam o interesse dos criminosos no mercado brasileiro:
- Volume alto de reservas online — O brasileiro migrou de vez para apps de hospedagem, principalmente em feriados prolongados e férias escolares.
- Câmbio favorável para quem recebe em dólar ou euro — Para o golpista estrangeiro, roubar em real pode significar pouca dor de cabeça com lavagem de dinheiro.
- Baixa conscientização sobre cibersegurança no turismo — Enquanto bancos já educaram o usuário sobre golpes, o setor de viagens ainda peca na comunicação.
O que torna essa fraude tão convincente?
Três elementos fazem o “Sequestro de Reserva” ter taxa de sucesso bem superior a phishings em massa:
- Dados 100 % legítimos — A mensagem menciona exatamente a sua suíte, a data do check-in e até preferências de cama.
- Canais oficiais comprometidos — Muitas vezes o alerta chega pela própria caixa de entrada do Booking, onde você já conversa com o hotel.
- Senso de urgência — A ameaça de cancelamento ativa o medo de perder a viagem e leva o usuário a agir sem pensar.
Como se proteger na prática
Não é preciso ser expert em TI para driblar o golpe, mas um checklist rápido antes de digitar os números do cartão faz toda a diferença:
Imagem: Internet
- Desconfie de qualquer pedido extra após a confirmação da reserva. Hotéis raramente cobram taxas adicionais antes do check-in.
- Contate o hotel por um canal independente — telefone fixo do site oficial ou redes sociais verificadas — para validar cobranças.
- Jamais clique em links externos para pagamento. Se for necessário atualizar dados, faça isso diretamente no app ou site oficial da plataforma.
- Cheque a URL com lupa: domínios trocados por caracteres parecidos (booking-corn vs. booking.com) são isca clássica.
- Ative a autenticação de dois fatores (2FA) em contas de e-mail e serviços de viagem. Assim, mesmo que a senha vaze, o invasor esbarra na segunda camada de proteção.
Ferramentas que podem ajudar
Embora atenção redobrada seja o principal antídoto, soluções de segurança também somam pontos:
- Antivírus com monitoramento de phishing — Suites como Norton 360, Bitdefender Total Security e Kaspersky Plus inspecionam links em tempo real.
- Gerenciadores de senhas — 1Password e LastPass sugerem credenciais únicas para cada site, dificultando invasões em cadeia.
- Cartões virtuais temporários de fintechs (Nubank, Inter, C6) limitam prejuízos caso os dados de pagamento sejam comprometidos.
O que fazer se você já caiu no golpe
Se o pagamento indevido foi concluído, entre em contato imediatamente com o emissor do cartão e solicite contestação da cobrança. Guarde prints das mensagens suspeitas para anexar à reclamação. Em seguida, altere senhas, habilite 2FA e notifique a plataforma de reserva — quanto mais rápido o alerta, maior a chance de bloquear outras tentativas.
Férias deveriam significar descanso, não dor de cabeça. Mantenha o ceticismo digital, revise cada detalhe da comunicação e, sempre que possível, centralize pagamentos dentro das plataformas oficiais. Assim, suas próximas viagens permanecem apenas no álbum de boas memórias — e fora das estatísticas de golpes.
Com informações de Tecnoblog