A Apple sempre foi sinônimo de produtos disponíveis em larga escala, mas, desta vez, nem o seu robusto poder de compra é garantia de fartura. Durante a divulgação dos resultados do segundo trimestre fiscal, o CEO Tim Cook soou o alarme: a partir de junho, a companhia vai sentir com força a escassez global de chips de memória — o mesmo componente que define, por exemplo, quantos apps você pode manter abertos ao mesmo tempo no iPhone ou quão rápido o novo Mac renderiza aquele projeto no Final Cut.
O que está por trás do sumiço dos chips?
A culpa, ironicamente, é do boom de Inteligência Artificial. Gigantes como Microsoft, Google, Meta e Amazon correm para erguer data centers recheados de GPUs da NVIDIA. Cada nova geração desses processadores de IA exige mais módulos de DRAM e HBM (memórias de alta largura de banda), puxando toda a oferta do mercado para as nuvens — literalmente. De um lado, a Microsoft prevê gastar US$ 25 bilhões extras só em componentes de IA; do outro, a Meta já fala em US$ 145 bilhões. Com cheques desse tamanho, contratos de fornecimento para smartphones viram prioridade secundária.
Impacto direto: menos memória ou preços mais altos?
Dentro da Apple, o primeiro efeito colateral deve aparecer nos computadores Mac, que vivem um pico de demanda impulsionado por tarefas de IA local, como edição de vídeo em tempo real ou modelos de linguagem rodando no dispositivo. Se a TSMC — principal foundry da marca — não entregar wafers suficientes, veremos filas de espera aumentando e, possivelmente, configurações com menos RAM do que a geração passada.
Para a linha iPhone 18 (ou como quer que a próxima geração seja batizada), analistas projetam três cenários:
- Redução de memória em modelos de entrada para segurar custos.
- Corte de margem, mantendo especificações, mas aceitando lucro menor.
- Aumento seletivo de preço nas versões Pro e Pro Max, estratégia que a Apple já usou no passado para não assustar quem busca o modelo base.
Concorrência também vai sentir
Embora a Apple esteja no centro das atenções, Samsung, Xiaomi e outras fabricantes de Android não escapam dessa conta. A diferença? A Apple ainda ostenta margem bruta de 49,3%, caixa robusto e contratos de longo prazo com fornecedores. Ou seja, se está difícil para Cupertino, imagine para quem compra componentes em volumes menores.
Por que isso importa para você?
Menos memória significa multitarefa limitada, jogos mais pesados fechando em segundo plano e menor horizonte de atualizações do iOS. Já o aumento de preço impacta diretamente quem vinha esperando a promoção perfeita para migrar de um iPhone 12 ou 13 para a nova geração. Se você é gamer mobile ou edita vídeo no iPhone, fique atento às fichas técnicas quando o produto for anunciado — 6 GB contra 8 GB de RAM podem fazer toda a diferença no tempo de vida útil do aparelho.
Imagem: Redacao Hardware
Mudança de comando: o teste de fogo para John Ternus
Como se a crise de chips não bastasse, a Apple vive uma transição histórica: Tim Cook deixa o cargo de CEO em setembro e passa o bastão para John Ternus, atual vice-presidente de hardware. O novo líder já chega com a missão de equilibrar oferta, demanda e custos, tudo isso antes mesmo do keynote de setembro — quando tradicionalmente são revelados os novos iPhones e, claro, o número de gigabytes de memória que eles trazem.
Enquanto isso, rumores indicam que a Apple pode anunciar, na WWDC de junho, otimizações de IA para a Siri rodarem on-device. Se confirmados, esses recursos exigirão ainda mais memória — justamente o componente em falta. A equação não está simples.
Em resumo, prepare-se: seja segurando o upgrade por mais tempo ou estudando bem as configurações antes de clicar no carrinho, este é o momento de acompanhar cada movimento de Cupertino. Não se surpreenda se, no próximo lançamento, a escolha entre um iPhone com mais RAM e um preço mais salgado virar o grande dilema do consumidor.
Com informações de Hardware.com.br