A Meta, dona do Facebook, Instagram, WhatsApp e da divisão de realidade virtual Reality Labs, inicia em 20 de maio a maior rodada de cortes desde o chamado “ano da eficiência” (2022-2023). Serão desligados aproximadamente 8 mil colaboradores — 10 % do quadro global — já na primeira fase. Uma segunda leva está prevista para o segundo semestre.
Por que tanta pressa? O orçamento de IA dobrou
Embora tenha fechado 2025 com receita recorde de US$ 200 bilhões e lucro líquido de US$ 60 bilhões, a Meta projeta um CAPEX de US$ 115 bilhões a US$ 135 bilhões para 2026, quase o dobro do ano anterior. Praticamente todo esse caixa novo vai para:
- Construção de datacenters modulares capazes de receber até 1 GW de energia.
- Compras em massa de GPUs de última geração — leia-se Nvidia H100/H200 e AMD MI300, as mais procuradas para treinar modelos como o Llama 3.
- Expansão de redes ópticas internas e sistemas de recomendação alimentados por IA generativa.
Na prática, cada servidor equipado com H100 pode ultrapassar facilmente a marca de US$ 300 mil. Multiplique isso por dezenas de milhares de placas e a conta explica por que a empresa precisa cortar folha salarial.
Quem sai e quem fica: nova régua de performance
Para “segurar” talentos críticos — principalmente engenheiros de IA — o RH redesenhou a avaliação interna. Agora os funcionários são divididos em quatro camadas. Os 20 % do topo podem receber bônus de até 300 % do salário, enquanto os 3 % da cauda ficam mais expostos aos desligamentos. Esse formato lembra o sistema que a Microsoft usava na década passada, com forte competição interna.
Impacto nos produtos que você usa
• Facebook e Instagram: algoritmos de recomendação ganharão modelos maiores, o que deve resultar em feeds mais personalizados — e, claro, mais anúncios alinhados ao seu perfil.
• Quest e óculos inteligentes Ray-Ban: a área de VR perdeu estúdios de jogos, mas ganha integração com IA generativa para avatares e aplicativos fitness.
• Novo ecossistema de IA: o Superintelligence Labs, liderado por Alexandr Wang (ex-Scale AI), concentra os times que treinam assistentes pessoais, inclusive um clone digital de Mark Zuckerberg que responderá dúvidas internas — e, futuramente, poderá ser licenciado para influenciadores.
Vale do Silício inteiro apertando o cinto
A Meta não está sozinha. Até abril de 2026, o setor tech já dispensou mais de 95 mil profissionais:
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- Amazon: 46 mil cortes (logística, Alexa e AWS).
- Oracle: enxugamento de 30 mil vagas para financiar US$ 156 bi em nuvem de IA.
- Startups de semicondutores: demissões pontuais, mas contratações seletivas de especialistas em design de chips ARM e RISC-V para inteligência artificial embarcada.
O padrão se repete: empresas altamente lucrativas trocam capital humano por clusters de GPU, antecipando um futuro no qual a própria IA deve assumir parte das atribuições demitidas.
O que isso significa para o consumidor final?
1. Serviços mais “espertos” — e mais caros: o custo de IA em nuvem tende a ser repassado em assinaturas premium (vide “Instagram Plus”).
2. Escassez de hardware para gamers e criadores: a demanda corporativa por GPUs topo de linha pressiona o varejo, inflacionando placas como a RTX 4080 Super. Se você pensa em atualizar seu PC, acompanhar preços agora virou tarefa diária.
3. Mercado de trabalho em transição: vagas de “prompt engineer”, especialista em data center e design de chip estão em alta, enquanto funções operacionais perdem espaço.
No curto prazo, a Meta enxuga 8 mil cadeiras; no longo, aposta que seus novos megadatacenters lotados de GPUs devolverão o investimento em produtos de IA mais envolventes — e ainda mais rentáveis.
Com informações de Mundo Conectado