Em um primeiro trimestre marcado pela retração global nas vendas de smartphones, a Apple foi a única gigante que conseguiu entregar números positivos de remessas. De acordo com a consultoria Counterpoint Research, enquanto o volume total do setor recuou, a empresa de Cupertino surfou na procura por seus modelos de última geração — a família iPhone 17 — e ampliou participação em mercados estratégicos como China, Índia e Japão.
Premium é a palavra-chave: como a Apple cresceu quando todos caíram
A estratégia vencedora da Apple passa por três pilares:
1. Foco no topo da cadeia. A demanda se concentrou nas versões Pro e Pro Max, que oferecem chip A19 Bionic, câmeras com zoom tetraprisma e armazenamentos que chegam a 1 TB. Quem joga ou produz conteúdo encontra nesses modelos desempenho comparável ao de muitos notebooks — um chamariz potente para usuários dispostos a pagar mais.
2. Programas de troca (trade-in). Parceiras com varejistas locais permitem abater parte do valor do iPhone 17 na entrega de modelos antigos. Essa mecânica tornou o salto de geração financeiramente menos doloroso, especialmente em regiões onde o tíquete médio do consumidor é menor.
3. Estoque bem calibrado. Mesmo com a volatilidade na cadeia global de componentes, a Apple manteve fornecimento estável de memória LPDDR5X e displays OLED, evitando atrasos que prejudicaram concorrentes.
Samsung segura a liderança, mas sente o aperto
A Samsung continua no topo do ranking mundial com 20 % de market share, mas viu suas remessas caírem 6 %. A coreana priorizou margens maiores, empurrando o flagship Galaxy S26 Ultra, que traz Snapdragon 8 Gen 3 For Galaxy e câmera de 200 MP, porém com preços que beiram (e às vezes superam) os dos iPhones.
Esse ajuste ocorreu em meio à escassez de memória DRAM — ironicamente fabricada pela própria Samsung — o que encareceu modelos de entrada como a linha Galaxy A. Resultado: consumidores sensíveis a preço adiaram a compra ou migraram para marcas chinesas.
Xiaomi despenca, mas ainda brilha no segmento premium chinês
Terceira colocada, a Xiaomi viu sua fatia de mercado minguar de 14 % para 12 %, com a maior queda de remessas entre o Top 5 (–19 %). A alta dependência de modelos de baixo custo, que utilizam mais memória NAND flash, foi crucial para a retração. Curiosamente, o recém-lançado Xiaomi 17 — equipado com Snapdragon 8 Gen 3 e recarga de 120 W — performou acima da média, mostrando que o público premium chinês também está disposto a abrir a carteira por diferenciais técnicos.
Imagem: William R
Oppo e Vivo trocam de posições; Google Pixel e Nothing avançam pelos flancos
A Oppo escorregou de 11 % para 8 % de participação, enquanto a Vivo subiu para 11 %, impulsionada pelo vácuo deixado por rivais na Índia. Fora do pódio, dois nomes chamam atenção:
- Google Pixel: crescimento de 14 % graças ao Android puro, câmeras assistidas por IA e integração com o ecossistema Google One.
- Nothing: salto de 25 % impulsionado pelo design transparente do Phone (2) e a promessa de atualizações rápidas do sistema.
Essas marcas menores atuam em nichos, mas provam que ainda há espaço para inovação — e para usuários dispostos a pagar por ela.
Cenário 2025-2026: leve contração, mas iPhone segue forte
A Counterpoint projeta que o mercado global fechará 2026 com retração de 0,9 % nas remessas. Mesmo assim, a Apple deve entregar cerca de 247 milhões de iPhones em 2025, gerando faturamento estimado em US$ 261 bilhões. A tendência é reforçada pela penetração nos emergentes, onde a combinação de soft trade-in e financiamento de operadoras torna o ticket Apple mais acessível.
O que isso significa para você que pensa em trocar de smartphone?
• Quem busca longevidade e desempenho de sobra deve ficar de olho nos iPhones mais recentes; cinco anos de atualizações iOS ainda são vantagem competitiva.
• Se prefere Android topo de linha, o Galaxy S26 Ultra ou o Xiaomi 17 competem de igual para igual em tela e câmeras, mas podem variar bastante de preço nas promoções.
• Orçamento apertado? Modelos 2023, como iPhone 15 ou Galaxy S24, podem aparecer com descontos agressivos no varejo online, principalmente em datas como Prime Day ou Black Friday. Manter o radar ligado em ofertas da Amazon pode render economia significativa.
Na prática, a vitória da Apple neste trimestre reforça um recado claro: o consumidor global aceitou pagar mais por experiências premium. Se você está à procura de um novo smartphone para jogos, fotos ou produtividade móvel, vale analisar não apenas o preço final, mas também ciclo de atualizações, programas de troca e valor de revenda — fatores que, no longo prazo, podem tornar as opções topo de linha mais vantajosas do que parecem à primeira vista.
Com informações de Hardware.com.br