Contra todas as previsões pessimistas, o mercado global de computadores registrou 65,6 milhões de unidades vendidas no 1º trimestre de 2026, alta de 2,5% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da IDC. A explicação é simples: consumidores — de gamers a profissionais de home office — decidiram antecipar a compra do novo PC diante da expectativa de reajustes expressivos nos preços de hardware, especialmente memória RAM.
Por que a RAM virou o novo “combustível ouro” do PC?
A escassez de módulos DDR4 e DDR5 já vinha pressionando o mercado, mas ganhou um ingrediente extra: o conflito no Oriente Médio está elevando custos de energia e transporte, afetando toda a logística dos semicondutores. Resultado? Fabricantes sinalizam aumentos que podem chegar a dois dígitos percentuais nos próximos trimestres.
Para o usuário final, isso significa que montar ou atualizar a máquina pode ficar significativamente mais caro. Placas-mãe compatíveis, processadores de última geração e até periféricos que usam memória interna (como SSDs NVMe) já sentem o impacto.
Quem vendeu mais PCs?
O pódio manteve a ordem tradicional — Lenovo, HP e Dell —, mas a surpresa veio na quarta posição: a Apple mostrou fôlego com o ecossistema baseado no chip M-series, enquanto a Asus saltou 17,1%, puxada por notebooks gamer equipados com GPUs RTX 40-Series e teclados mecânicos embutidos.
O que isso muda para você que joga ou trabalha de casa?
1. Chances de pagar mais barato agora: quem precisa de um upgrade de CPU Intel Core 14ª geração ou Ryzen 7000, ou ainda planeja investir em uma RTX 4060 para jogos em 1080p competitivo, encontra estoques relativamente estáveis — por enquanto.
2. Possível fila de espera: a mesma IDC alerta que, se a oferta de memória não normalizar, algumas linhas de notebooks e desktops pré-montados poderão sofrer atrasos de 4 a 6 semanas.
3. Longevidade conta: optar por placas-mãe com quatro slots de RAM e fontes certificadas 80 Plus Gold vira um diferencial. Isso garante espaço para expansão sem depender dos módulos mais caros quando os preços dispararem.
Imagem: Mikael Markander
DDR4 vs DDR5: vale migrar já?
Embora a DDR5 ofereça largura de banda até 50% maior em modelos de 5.600 MT/s, a diferença prática em jogos competitivos ainda gira em torno de 5 a 10 fps. Se o orçamento estiver curto, kits DDR4 de baixa latência continuam custo-benefício forte, especialmente emparelhados a processadores Intel de 12ª e 13ª gerações que aceitam os dois padrões.
Dicas rápidas antes de clicar em “finalizar compra”
• Fique de olho em bundles: alguns varejistas já oferecem teclado + mouse gamer ou SSD NVMe de 1 TB ao comprar notebooks Lenovo Legion ou Asus ROG.
• Compare TDP e eficiência: processadores da linha Ryzen 7 7800X3D entregam desempenho de topo em jogos usando menos energia, o que reduz a conta de luz mesmo com módulos DDR5.
• Estude upgrades graduais: trocar primeiro a GPU e depois a RAM pode diluir custos, mas lembre-se de que uma eventual alta de preço pode tornar a segunda etapa mais salgada.
Perspectivas para 2026
Isaac Ngatia, analista sênior da IDC, alerta que a “frágil recuperação” do setor depende de estabilização geopolítica e de uma produção de memória 20% maior para atender à demanda prevista no segundo semestre, impulsionada por IA e games AAA como GTA VI. Se o cenário não melhorar, o consumidor que adiar a compra pode encontrar não apenas preços mais altos, mas também redução no número de promoções relâmpago que costumam pipocar em datas como Amazon Prime Day e Black Friday.
Em outras palavras, quem vinha namorando um setup novo para rodar Starfield em 1440p ou editar vídeos 4K sem engasgos talvez não tenha muito tempo a perder — antes que o apagão de RAM reflita no valor final de cada componente do carrinho.
Com informações de Computerworld