A próxima grande viagem da humanidade ao nosso satélite natural terá um “olho” já bem conhecido dos aventureiros de fim de semana: câmeras GoPro especialmente modificadas acompanharão os quatro astronautas da missão Artemis II em seu giro de 10 dias ao redor da Lua. A iniciativa marca o primeiro voo tripulado do programa lunar da NASA em mais de 50 anos — e, de quebra, coloca a popular marca de action cams em um dos ambientes mais extremos já registrados.
Por que escolher uma GoPro para o espaço profundo?
A GoPro sempre vendeu a ideia de “leve, resistente e versátil”, mas sobreviver ao vácuo, à radiação e a oscilações de temperatura de –150 °C a +120 °C é outro patamar. Para a Artemis II, a fabricante colaborou com a NASA na criação de carcaças de titânio, sistemas de aquecimento e lentes com tratamentos antirreflexo capazes de lidar com picos de luminosidade que fariam qualquer sensor convencional “estourar”.
Externamente, as câmeras estão instaladas nas asas dos enormes painéis solares da cápsula Orion, integradas ao Orion Imagery System. Do lado de dentro, várias unidades portáteis acompanharão cada tarefa dos astronautas—desde a rotina de alimentação até os exercícios em microgravidade.
Quem são os tripulantes que vão aparecer nos vídeos?
A bordo estarão Christina Koch, Victor Glover, Reid Wiseman (todos da NASA) e o canadense Jeremy Hansen. Eles decolarão do Kennedy Space Center e entrarão para a história como o primeiro grupo humano a chegar tão perto da Lua desde a Apollo 17, em 1972.
Da GoPro Hero12 para o espaço: o que muda?
Se você tem curiosidade técnica, vale lembrar que a GoPro atualmente vende, no varejo, modelos como a Hero12 Black, que grava em 5.3K a 60 fps e traz recursos como HyperSmooth 6.0 para estabilização por IA. Nos testes de laboratório, a própria carcaça padrão aguenta até 10 m de profundidade sem caixa estanque. Já a versão “espacial” recebeu:
- Proteção térmica ativa e passiva para manter o sensor entre 0 °C e 40 °C;
- Filtros de radiação eletromagnética — cruciais para a passagem pelos cinturões de Van Allen;
- Firmwares customizados, otimizando exposição e balanço de branco para cenários de alto contraste (imagine filmar um lado da cápsula banhado em luz solar direta e o outro em escuridão total).
Para o consumidor final, a boa notícia é que tecnologias testadas em missões espaciais costumam desembarcar em produtos de prateleira nos anos seguintes. É assim que vimos, por exemplo, os sensores de baixa luminosidade da linha Hero evoluírem rapidamente.
Conteúdo exclusivo: parceria com a National Geographic
As imagens não servirão apenas para registros de engenharia. A National Geographic transformará os astronautas em cinegrafistas, fotógrafos de revista e produtores de clipes para redes sociais. O material deve render um documentário, posts nos perfis oficiais e — pode apostar — cenas que virarão wallpaper de muitos PCs gamer por aí.
Como é a “casa” dos astronautas?
A réplica da Orion, usada nos treinos no Johnson Space Center, tem apenas 330 pés cúbicos de volume interno (aproximadamente duas minivans). Mesmo assim, a cápsula conta com:
Imagem: Internet
- Quatro janelas panorâmicas para observar a Terra, a Lua e um céu estrelado sem poluição luminosa;
- Cozinha compacta com dispensador de água quente e fria, forno portátil e espaço para pacotes de comida liofilizada;
- Banheiro em microgravidade montado de lado sob o assoalho, com apoios para as mãos e descarga barulhenta o suficiente para exigir protetor auricular;
- Máquina de remo dobrável para exercícios diários — item essencial para evitar a perda de massa muscular fora da Terra.
Detalhes como esses deverão aparecer com frequência nos vídeos, ajudando o público a entender como é a vida num ambiente de microgravidade por quase duas semanas.
Impacto para quem grava na Terra: o que esperar da próxima geração de action cams
Históricamente, missões espaciais aceleram inovações que acabam chegando ao mercado “civil”: sensores mais sensíveis, economizadores de energia e algoritmos de correção de vibração são apenas alguns exemplos. Quem filma esportes radicais, faz vlogs de viagem ou usa câmeras de ação para motovlog deve ficar de olho em:
- Baterias de altíssima densidade energética, testadas para manter a GoPro viva no frio do espaço, mas que podem render horas extras de autonomia em esportes de inverno aqui na Terra;
- Novos revestimentos de lente que reduzem flare em cenas noturnas — ideal para quem grava em eventos ou trilhas depois do pôr do sol;
- Firmware inteligente capaz de alternar perfis de exposição quase instantaneamente, eliminando o estouro de luz em filmagens mistas de sombra/sol.
Em outras palavras, se você pensa em investir ou atualizar seu setup, vale acompanhar de perto cada frame enviado pela Artemis II: eles podem antecipar o que veremos na próxima Hero ou mesmo em rivais como DJI Osmo Action 4.
Próximos passos da missão Artemis
Depois dos 10 dias de voo, a Orion reentrará na atmosfera terrestre a quase 40 mil km/h, encarando temperaturas de 2.800 °C — e, sim, as GoPro externas serão descartáveis nessa fase. Já o material capturado dentro da cápsula volta intacto, pronto para edição em 4K e lançamento mundial nos meses seguintes. A bem-sucedida Artemis II abrirá caminho para a Artemis III, planejada para 2026, que deve levar a primeira mulher e a primeira pessoa negra a pisar na superfície lunar.
Enquanto isso, aqui na Terra, ficamos na torcida por imagens épicas — e de olho na evolução tecnológica que pode deixar sua próxima câmera de ação (e até o cartão microSD) ainda mais poderosa.
Com informações de Mundo Conectado