Enquanto boa parte do mercado especula qual será o “próximo grande gadget” depois dos smartphones, a Apple volta a apostar suas fichas em um velho conhecido. Em entrevista à revista Wired, Greg Joswiak, chefe de marketing global da companhia, declarou ser “difícil imaginar” um futuro em que o iPhone deixe de existir — mesmo num horizonte de 50 anos. A fala contrasta com declarações anteriores de Eddy Cue, vice-presidente sênior da empresa, que aventou a ideia de interfaces de inteligência artificial (IA) substituírem o aparelho em até uma década.
Por que essa declaração é importante?
A discussão expõe uma divergência dentro da própria Apple e ilustra o momento de transição da indústria. De um lado, executivos como Cue enxergam a IA e a realidade aumentada (RA) como forças capazes de tornar obsoleto o formato atual do smartphone. Do outro, Joswiak aposta que o iPhone seguirá no centro da experiência digital, mas reinterpretado como um hub que orquestra IA, RA, wearables e casa conectada.
Como o iPhone pode mudar até 2074?
Se levarmos em conta o ritmo de inovação da Apple nas últimas duas décadas, o iPhone de 2074 será bem diferente — talvez nem tenha tela visível. Ainda assim, a estratégia da empresa normalmente não é abandonar produtos vencedores, mas transformá-los. Veja algumas possibilidades:
- Processadores “Apple Silicon Gen X”: a cada geração, a Apple dobra ou triplica o desempenho gráfico e de IA on-device. Dentro de 50 anos, o iPhone poderá executar modelos de linguagem gigantes de forma local, dispensando nuvem.
- Integração total com RA: já existe o Vision Pro; o iPhone pode se tornar o “cérebro” que alimenta óculos ou lentes, processando dados sensoriais em tempo real.
- Conectividade quântica ou 6G+: latências próximas de zero tornariam o smartphone um roteador pessoal para dispositivos menores (relógios, anéis, fones, implantes).
- Bateria de estado sólido ou energia ambiente: autonomia de vários dias, acabando com o “sofrimento” do carregador.
E a concorrência, onde fica?
Google, Samsung e Xiaomi também investem pesado em IA incorporada aos aparelhos. A linha Galaxy S da Samsung, por exemplo, traz chips dedicados a redes neurais e já fala em “phones that think for you”. A diferença é que a Apple controla hardware, software e serviços, vantagem que pode garantir ao iPhone vida longa como controlador-mestre de um ecossistema fechado.
Impacto prático para você hoje
Para quem joga, produz conteúdo ou trabalha remotamente, a mensagem é clara: o iPhone continuará recebendo recursos premium que ampliam a vida útil do aparelho e potencializam acessórios gamer, headsets de RA e periféricos Bluetooth de última geração — todos eles disponíveis em peso na Amazon. Em outras palavras, o investimento num celular topo de linha da Apple tende a se pagar por muitos anos, mesmo que o formato passe por metamorfoses.
Imagem: Internet
Humanos ainda no comando
Em paralelo, o CEO Tim Cook frisou que a Apple não pretende substituir a liderança humana por IA, mesmo à medida que algoritmos ganham autonomia. O recado: a empresa quer usar inteligência artificial para amplificar decisões, não para tomá-las. Isso reforça a visão de Joswiak: tecnologia evolui, mas o papel central do iPhone (e de quem o cria) permanece.
No fim das contas, não estamos debatendo apenas se o iPhone vai acabar, mas que forma ele vai assumir. Se depender da Apple, em 2074 você pode muito bem ter um “iPhone 74” invisível no bolso — ou implantado sob a pele — que segue sendo o ponto de partida para jogos, streaming, produtividade e automação residencial.
Com informações de Mundo Conectado