O futuro da mobilidade urbana decolou — literalmente — no interior de São Paulo. A Eve Air Mobility, spin-off da Embraer dedicada a aeronaves elétricas, realizou um voo demonstrativo de seu eVTOL (Electric Vertical Take-off and Landing), o primeiro “carro voador” desenvolvido e testado no Brasil. O trecho de três minutos, feito em Gavião Peixoto, contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e de executivos da companhia, indicando que o projeto já figura como pauta estratégica de Estado.
Por que este voo é tão importante?
Embora curto, o teste confirma que a Embraer não apenas acompanha, mas disputa liderança num mercado avaliado em US$ 31 bilhões até 2030, segundo a consultoria McKinsey. Concorrentes diretos, como o CityAirbus da Airbus e o Joby Aviation norte-americano, também estão em fase de certificação, mas o protótipo brasileiro avança com apoio público robusto e uma carteira de quase 3 mil pedidos firmes em 13 países.
Ficha técnica comparada: eVTOL da Eve versus helicópteros leves
Capacidade: 1 piloto + 4 passageiros (mesmo patamar do Bell 505, mas com cabine mais espaçosa)
Propulsão: 8 motores elétricos verticais + 1 propulsor traseiro de cruzeiro — contra apenas 1 motor a combustão nos helicópteros tradicionais.
Nível de ruído: até 90 % menor que helicópteros da mesma categoria, equivalente ao barulho de um aspirador doméstico a 1 m de distância.
Autonomia: 100 km por carga; rival Joby promete 160 km, mas ainda sem data de homologação no Brasil.
Custo operacional estimado: 4 a 5 vezes menor que o de um helicóptero leve, graças à propulsão 100 % elétrica e manutenção simplificada (menos peças móveis).
Do protótipo à corrida comercial: cronograma fechado
• Dezembro/2024: voo vertical não tripulado concluído.
• 2025-2026: testes de cruzeiro sustentado por asas.
Imagem: Internet
• Até 2027: entrada em serviço, uma vez obtidas as certificações da Anac, FAA (EUA) e EASA (Europa).
O Brasil pode, inclusive, criar uma licença de “piloto de veículo aéreo urbano” específica, assunto já em consulta pública na Anac.
Efeito prático para o seu dia a dia
Para quem hoje encara duas horas de trânsito até o aeroporto, o eVTOL promete reduzir o trajeto a menos de 15 minutos, sem emissão local de CO₂ e com ruído quase imperceptível aos pedestres. Esse diferencial pode expandir a oferta de air taxis em apps de mobilidade — serviço que já aparece em planos da Uber Elevate e da própria Eve, que fechou parceria com a Helisul no Brasil.
Investimento bilionário e produção em Taubaté
O BNDES aprovou R$ 1,2 bilhão desde 2023, e o vice-presidente Alckmin lembra que há um fundo de R$ 108 bilhões para projetos de inovação. A fábrica, prevista para Taubaté (SP), deve iniciar a produção em ritmo de 480 unidades/ano, apoiando uma receita potencial de US$ 14,5 bilhões em pedidos já assinados.
O que falta para você embarcar?
Além da homologação técnica, a infraestrutura de vertiportos — helipontos adaptados com carregadores rápidos — precisa sair do papel. Cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, que já concentram mais de 400 helipontos ativos, despontam como candidatas naturais.
Próximo passo: o céu como avenida
Se o cronograma se mantiver, em menos de quatro anos veremos um modal capaz de transformar a mobilidade urbana com menor ruído, zero poluição na operação e custo mais acessível que o helicóptero. Para o consumidor tech, acostumado a investir em gadgets de ponta, vale acompanhar de perto: em pouco tempo, reservar um voo no eVTOL pode se tornar tão simples quanto pedir um carro por aplicativo.
Com informações de Mundo Conectado