Apenas 24 horas depois de anunciar o fim do Horizon Worlds em realidade virtual, a Meta voltou atrás: o universo social continuará ativo “por tempo indeterminado” nos headsets Quest 2, Quest 3 e Quest Pro. A reversão, confirmada pelo CTO Andrew Bosworth em seu perfil no Instagram, ocorreu após forte pressão da comunidade, que temia perder acesso a dezenas de experiências já pagas. Mas o recado é claro: o horizonte da Meta agora mira o mobile, não mais o VR puro.
Por que a Meta quase desligou o Horizon Worlds em VR?
Lançado em 2021 como a principal vitrine do metaverso de Mark Zuckerberg, o Horizon Worlds nunca passou de “algumas centenas de milhares” de usuários mensais — muito distante dos mais de 100 milhões de jogadores diários do Roblox. Com a desaceleração, a companhia:
- demitiu mais de 1 mil funcionários da divisão de VR e AR;
- fechou três estúdios de desenvolvimento dedicados ao metaverso;
- migrou recursos para Inteligência Artificial, agora prioridade número 1.
Na última terça-feira (17 de março), a Meta comunicou que retiraria o aplicativo dos óculos em 15 de junho. A comunidade reagiu imediatamente e, menos de um dia depois, Bosworth publicou a retração.
O que permanece e o que muda a partir de agora
O CTO foi direto: nada de novos jogos ou mundos em VR. A manutenção vale somente para o que já existe. Confira o novo cenário:
- Jogos existentes: permanecem jogáveis normalmente nos Quest.
- Novos mundos em VR: não serão lançados.
- Motor Horizon Unity: segue funcionando, mas sem evolução.
- Desenvolvimento futuro: todo direcionado ao Horizon Engine, pensado para o app mobile.
Impacto prático: vale a pena comprar um Quest em 2026?
Mesmo sem novos mundos no Horizon, os óculos da Meta continuam recebendo títulos de outros estúdios — Asgard’s Wrath 2, Resident Evil 4 VR e o recém-anunciado Batman: Arkham Shadow são alguns exemplos. Além disso, o Quest 3 ganhou hardware mais potente que o PlayStation VR2 em aplicações de passthrough colorido, graças ao chip Snapdragon XR2 Gen 2.
Para quem joga no PC, o Quest Link e o Air Link seguem como diferenciais competitivos frente ao PS VR2, que depende do PlayStation 5. Ou seja, a permanência do Horizon Worlds é um bônus — não o argumento principal de compra.
Comparativo rápido: Quest 3 vs. principais rivais
Quest 3
- Processador Snapdragon XR2 Gen 2 (octa-core a 3,19 GHz)
- Resolução por olho: 2064 × 2208 px
- Passthrough colorido com mapeamento de sala
- Catálogo de +500 apps na Meta Quest Store
PlayStation VR2
- Exige PS 5 para funcionar
- Resolução por olho: 2000 × 2040 px OLED
- Passthrough em preto-e-branco
- Títulos exclusivos como Horizon Call of the Mountain
Valve Index
Imagem: Internet
- Taxa de atualização de 144 Hz
- Resolução por olho: 1440 × 1600 px LCD
- Instalação externa de bases Lighthouse
- Catálogo SteamVR (maior da categoria)
Quem prioriza mobilidade e realidade mista encontrará no Quest 3 a melhor relação entre preço, desempenho e simplicidade de uso, ainda que o Horizon Worlds não receba novidades.
Metaverso além da realidade virtual
Bosworth reforçou que o “metaverso” nunca foi sinônimo exclusivo de VR. Segundo ele, a experiência se estende à realidade aumentada (AR) e, cada vez mais, ao smartphone. A analogia usada pelo executivo foi bem simples: “Quando alguém mergulha no celular durante o jantar, ela se transporta para outro espaço digital”. Em outras palavras, o objetivo da Meta é levar esse portal a qualquer tela.
Próximos passos da Meta
No curto prazo, a empresa trabalha nas “próximas duas gerações” de headsets, possivelmente o Quest 4 e um sucessor do Quest Pro. Rumores indicam lentes pancromáticas ainda mais finas e chips dedicados a IA generativa, capazes de reconstruir ambientes em tempo real — recurso que pode colocar fogo na disputa com Apple Vision Pro e Snapdragon XR Elite.
Enquanto isso, o app Meta Horizon Mobile vai receber toda a energia criativa de desenvolvedores, impulsionado pelo novo Horizon Engine, otimizado para Unity e Unreal. Se a estratégia dará certo, apenas o engajamento dos usuários — e não só as manchetes — dirá.
No fim das contas, o recuo da Meta mostra que, mesmo em meio a cortes bilionários e mudança de foco para IA, a voz da comunidade gamer ainda tem peso. Para quem já investiu em um Quest ou considera entrar no universo VR, a manutenção do Horizon Worlds garante que nenhum conteúdo pago irá desaparecer do dia para a noite — um respiro bem-vindo em tempos de serviços cada vez mais voláteis.
Com informações de Mundo Conectado