Um duelo de titãs de 16 polegadas acaba de agitar o mercado de notebooks premium. O MacBook Pro 16 M5 Pro (US$ 2.700) e o Galaxy Book6 Ultra 16 (US$ 2.400) foram colocados frente a frente pelo canal Max Tech, de Vadim Yuryev, e o resultado não deixou dúvidas: a Apple abriu uma vantagem colossal em praticamente todos os cenários de uso profissional — e até em games rodando na GPU integrada. A seguir, destrinchamos os números, comparamos especificações e explicamos o impacto prático desses resultados para quem pensa em investir (ou não) em cada plataforma.
Panther Lake: o chip em que a Intel apostou todas as fichas
O Intel Core Ultra X7-358H (codinome Panther Lake) chega com:
- 16 núcleos (4 P-Cores Cougar Cove de até 4,8 GHz + 12 E-Cores Darkmont)
- TSMC 2 nm, segundo materiais oficiais
- GPU integrada Arc B390 com 12 núcleos Xe3
- TDP configurável em 45–64 W
A promessa era clara: superar a geração Arrow Lake e ameaçar, enfim, a hegemonia da Apple em performance por watt. Na prática, a disputa real não era com o Arrow Lake, mas com o M5 Pro.
CPU: Apple leva vantagem de até 2 × em multi-thread
No Geekbench 6, o M5 Pro (18 núcleos) cravou 4.300 / 28.600 pontos (single / multi), contra 2.900 / 17.000 do X7-358H — diferenças de 47 % e 68 %, respectivamente. Já no Cinebench 2026, a disparidade foi ainda mais gritante: 9.100 vs. 4.538, com consumo semelhante (70 W do MacBook contra 62 W do Samsung). Em termos práticos, isso significa renders, compilações de código e exportações de vídeo concluídas em quase metade do tempo no notebook da Apple.
Armazenamento e conectividade: Thunderbolt 5 faz a diferença
Se você trabalha com arquivos gigantes, os números falam por si:
- SSD interno: 13.500 MB/s leitura e 15.600 MB/s escrita (Mac) vs. 7.000 / 5.800 MB/s (Samsung).
- Thunderbolt: três portas TB5 no MacBook completaram a cópia de 46 GB em 7 s; duas portas TB4 no Galaxy levaram 27 s.
Para quem lida com bibliotecas RAW ou projetos 8K, esse intervalo de 20 segundos por transferência se traduz em horas economizadas a cada semana.
GPU integrada: vantagem de 5 × no 3DMark
No 3DMark Steel Nomad Light, o M5 Pro marcou 75,3 FPS, contra 14,9 FPS do Core Ultra — cinco vezes mais velocidade gráfica. Em ray tracing (Solar Bay Extreme), a diferença caiu, mas ainda ficou no dobro (62,9 FPS vs. 31,5 FPS). Vale lembrar que o Galaxy Book6 Ultra possui versão com GPU dedicada RTX 5060 por US$ 3.000; porém, nesse patamar, o preço já ultrapassa o do MacBook.
Edição de fotos: 50 RAW exportados em 20 s contra 66 s
No Lightroom Classic, exportar 50 fotos de 42 MP levou apenas 20 s no MacBook, enquanto o notebook da Samsung precisou de 1 min 06 s. Com 500 arquivos, o cenário se repetiu (4 min 43 s vs. 11 min 43 s). Além do tempo, chamou atenção o ruído das ventoinhas: o Galaxy Book operou no limite térmico, ao passo que o M5 Pro manteve cooler quase inaudível.
Imagem: William R
IA: ponto de honra da Intel — mas ainda isolado
O único placar favorável ao Panther Lake veio no Geekbench AI, onde fez 57.700 pontos contra 34.000 do M5 Pro usando CoreML. A explicação provável está nas otimizações da plataforma OpenVINO. Contudo, benchmarks de IA em notebooks variam muito com o stack de software; em cargas de trabalho do mundo real (Stable Diffusion, por exemplo), a distância pode diminuir ou até inverter.
Design, tela e portabilidade: pontos fortes da Samsung
Nem só de números vive a experiência:
- Espessura e peso: o Galaxy Book6 Ultra é mais fino e leve, excelente para quem carrega o notebook diariamente.
- Tela OLED Tandem: pretos absolutos e cores vibrantes, com revestimento antirreflexo superior ao do MacBook.
- Bateria: 80 Wh (Samsung) resistiu 3h45 min em estresse contínuo, contra 3h40 min da bateria de 100 Wh do Mac, evidenciando a eficiência do Panther Lake no modo pesado.
- Ecossistema Windows x86: compatibilidade total com a biblioteca de jogos e aplicativos clássicos — ponto crítico para gamers.
Para quem cada notebook faz mais sentido?
Criadores de conteúdo, fotógrafos, editores de vídeo e desenvolvedores encontrarão no MacBook Pro um ganho de produtividade imediato, menor ruído e conectividade de ponta. Já profissionais que dependem de softwares exclusivos para Windows ou gamers que valorizam upgrades de GPU dedicada podem preferir o Galaxy Book6 Ultra, especialmente a versão com RTX.
Na prática, o teste mostra que a disputa atual deixou de ser apenas “Intel vs. Apple” e passou a envolver eficiência de plataforma, ecossistema e otimizações específicas de software. O usuário final sai ganhando: quanto maior a concorrência, mais rápido chegam ao mercado notebooks potentes, finos e com autonomia realista.
Com informações de Hardware.com.br