A Zoom Communications acaba de dar um passo decisivo para deixar de ser “apenas” a empresa das videochamadas. A gigante anunciou a expansão da sua plataforma de IA agente com recursos de orquestração de fluxos de trabalho em todo o ecossistema Zoom Workplace, Zoom Phone e Zoom CX. Em bom português: a partir de agora, cada decisão tomada em uma reunião pode virar, automaticamente, uma tarefa, um documento ou até mesmo um chamado no seu sistema de atendimento ao cliente — tudo sem que você escreva uma linha de código.
O que muda na prática?
A atualização traz três grandes novidades que merecem atenção:
• Agentes de IA customizáveis: empresas podem criar bots específicos ou usar modelos prontos para automatizar atividades, como abrir tickets de suporte ou preencher planilhas.
• Conectores de busca corporativa: o AI Companion agora “conversa” com bancos de dados internos, ampliando a precisão das respostas e agilizando a busca por informações críticas.
• Pacote de produtividade com IA: chegam o Zoom AI Docs, AI Sheets e AI Slides, que geram relatórios, tabelas dinâmicas e apresentações a partir de prompts de linguagem natural.
Zoom Phone, atendimento e segurança também ganharam turbo
A empresa não parou nos fluxos de trabalho. Entre os novos recursos, destacam-se:
• Zoom Phone Mobile: integração nativa dos ramais corporativos com smartphones, facilitando o trabalho híbrido.
• SMS para o AI Receptionist: o recepcionista virtual agora responde a mensagens de texto, ampliando o canal de atendimento ao usuário.
• AI Expert Assist 3.0: o módulo de contact center usa linguagem natural para entender solicitações e disparar processos em tempo real.
• Mais camadas de segurança: proteção avançada contra capturas de tela e gravações não autorizadas.
Por que isso interessa ao seu negócio?
Analistas veem a iniciativa como a tentativa da Zoom de se posicionar acima das suítes de produtividade, atuando como “ponte” entre colaboração e execução. Enquanto Microsoft 365 Copilot e Google Gemini Enterprise já estão dentro dos documentos, e-mails e planilhas, a Zoom aposta na imensa quantidade de dados conversacionais gerados em reuniões e chamadas telefônicas — um ouro ainda pouco explorado.
Segundo Sanchit Vir Gogia, principal analista da Greyhound Research, se a plataforma conseguir traduzir diálogos em documentos, tarefas e atualizações em outros sistemas, o serviço se tornará muito mais que uma ferramenta de vídeo: “será o elo entre a conversa e a ação”.
Imagem: Prasanth A Thomas
Desafios à vista
Lian Jye Su, da Omdia, lembra que a Zoom continua dependente de ambientes como Microsoft 365 e Google Workspace, onde a maior parte dos dados corporativos vive. Isso significa que, por ora, a empresa deve atuar como uma camada de orquestração — útil, porém menos visível para o usuário final.
Vale a pena ficar de olho?
Se a sua organização busca reduzir o “trabalho pós-reunião” — aquela etapa cansativa de anotar decisões, abrir tickets ou atualizar planilhas —, as novas funções da Zoom podem fazer a diferença. A promessa de fluxos de trabalho sem código agrada tanto equipes de TI quanto gestores que precisam acelerar entregas sem inflar custos de desenvolvimento.
Por outro lado, a batalha será dura. Microsoft e Google já entregam automação integrada às suas próprias suítes, ali onde o usuário trabalha todos os dias. A Zoom aposta na especialidade em vídeo e voz para ganhar espaço. Resta saber se, na prática, as novas ferramentas entregarão a fluidez que o mercado espera.
No curto prazo, quem utiliza Zoom em operações de suporte, vendas ou projetos colaborativos deve começar a testar os agentes de IA para medir ganhos de produtividade. No mínimo, a funcionalidade de resumir reuniões, gerar documentos em um clique e disparar tarefas promete economizar horas preciosas — e isso, no mundo corporativo de 2024, pode valer tanto quanto um upgrade de hardware.
Com informações de Computerworld