A mesma turma que cresceu fazendo maratonas na Netflix e trocando playlists no Spotify está, ironicamente, puxando a fila das lojas de discos e videolocadoras. Dados recentes dos EUA, Reino Unido, Coreia do Sul e até do Brasil mostram que a Geração Z se transformou no maior público comprador de DVDs, Blu-rays, CDs e vinis. O movimento põe freio na queda acelerada que o mercado de mídia física enfrentava desde a popularização do streaming — e traz oportunidades inesperadas para quem produz e para quem vende hardware, como players 4K, consoles com leitor óptico e toca-discos modernos.
Queda livre? Não mais: os números que viraram o jogo
Nos Estados Unidos, o mercado de vídeo físico vinha encolhendo mais de 20% ao ano entre 2023 e 2024. Em 2025, a retração despencou para 9%, segundo o Digital Entertainment Group (DEG). Mais surpreendente: a categoria 4K UHD Blu-ray avançou 12% no mesmo período. O áudio segue trilha parecida. A Recording Industry Association of America (RIAA) registrou alta de 1,5% nas vendas de CDs em 2024, enquanto o vinil cresce, em média, 18% anuais há cinco anos, de acordo com a consultoria Futuresource.
Quem compra — e por quê?
Uma pesquisa da Gumtree realizada no Reino Unido com 2 000 entrevistados revelou que 75% dos jovens de 18 a 27 anos adquiriram ao menos uma mídia física nos últimos 12 meses. Entre pessoas de 45 a 60 anos, esse índice cai para 52%; dos 60 aos 79, despenca para 35%. Ou seja, o consumidor que mais usa streaming é exatamente quem mais reforça o caixa das mídias tangíveis.
O fenômeno ganhou nome acadêmico: consumo simbólico. “Ter o disco na estante sinaliza que você é um fã de verdade”, explica Jared Watson, professor de marketing da Universidade de Nova York. A posse virou parte da identidade — e, nas redes sociais, vinis coloridos e box sets luxuosos aparecem como objetos de decoração, impulsionando ainda mais a tendência.
Streaming como vilão (ou gatilho) involuntário
Catálogos que somem de uma hora para outra — seja por estratégia, seja por término de contrato — geram frustração e alimentam a percepção de que “ter é melhor que alugar”. Para muitos jovens, manter um filme favorito num disco 4K ou um álbum raro num LP vale mais do que depender de múltiplas assinaturas mensais que não garantem disponibilidade perpétua.
O boom das locadoras 2.0 e das lojas de discos
Los Angeles oferece bons exemplos. Reaberta em 2023, a Vidiots alugou 22 000 discos no primeiro ano; em 2024, saltou para 50 000; e, em janeiro de 2026, bateu recorde: 170 filmes por dia (com pico de 500). Já a tradicional Cinefile praticamente dobrou o número de associados após a pandemia.
No Reino Unido, cada consumidor gastou em média £ 273,80 com mídia física em 2025, segundo a mesma pesquisa da Gumtree. DVDs e CDs lideraram (25%), seguidos por games (22%) e vinil (14%). Na Coreia do Sul, os álbuns de K-pop com pôsteres e photocards exclusivos transformaram o CD em experiência colecionável.
Brasil: vinil assume a ponta, Blu-ray vira nicho premium
Por aqui, o disco de vinil é a estrela: faturamento de R$ 16 milhões apenas no 1.º trimestre de 2024, 45% a mais que no mesmo período de 2023, segundo a Pró-Música. Pela primeira vez, o LP superou o CD nas prateleiras brasileiras.
Imagem: William R
Já DVDs e Blu-rays encaram outro desafio: o preço. Um Blu-ray importado pode custar até quatro vezes mais que o mesmo título nos EUA. Resultado: colecionadores experientes importam individualmente e trocam dicas em fóruns especializados — um nicho disposto a pagar caro por edições limitadas em 4K.
E os jogos físicos? Uma exceção nada glamourosa
Se filmes e álbuns recuperam fôlego, a mídia física de games segue na contramão. Nos EUA, o gasto com discos e cartuchos caiu 50% desde 2021; comparado ao pico de 2008, a queda ultrapassa 85%. A Geração Z é 33% mais propensa que a média a comprar versões digitais, o que já se reflete em lançamentos de consoles voltados apenas para download.
Impacto prático: vale investir em player 4K ou toca-discos?
Para quem pensa em atualizar o setup, o momento é interessante. Leitores 4K como o Panasonic DP-UB420 oferecem suporte a HDR10+ e Dolby Vision — tecnologias que não dependem da estabilidade da internet. Toca-discos de entrada, como o Audio-Technica AT-LP60X, já chegam prontos para parear com caixas Bluetooth, unindo o charme analógico ao conforto moderno. Até mesmo drives externos USB para PC, como o ASUS ZenDrive, ressurgiram na lista de mais vendidos.
Em resumo, mídia física voltou ao radar — e, desta vez, impulsionada pelos nativos digitais. Seja pelo colecionismo, seja pela busca de qualidade ou simplesmente pelo medo de perder conteúdo favorito no streaming, o renascimento está aí. E quem produz hardware ou acessórios compatíveis tem uma vitrine fresca para explorar.
Com informações de Hardware.com.br