Os robôs quadrúpedes ganharam as linhas de produção e os holofotes dos entusiastas de tecnologia nos últimos anos, mas a Unitree quer ir além do efeito “uau”. Apresentado como um meio-termo entre as linhas de consumo (Go2) e os modelos industriais pesados (A2 e B2), o Unitree As2 pesa apenas 18 kg, alcança picos de 18 km/h e suporta até 65 kg em carga estática. A ficha técnica, no entanto, não conta a história toda. A grande tacada é combinar portabilidade com especificações até então exclusivas de robôs muito maiores — e mais caros.
Por que esse lançamento importa?
Para engenheiros de plantas fabris, mineradoras ou companhias de energia, custo total de operação e facilidade de transporte são cruciais. O As2 cabe no porta-malas de um carro de passeio e pode ser manuseado por uma única pessoa, algo impossível com modelos de 40 kg ou mais. Ao mesmo tempo, oferece velocidade e autonomia suficientes para rotas de inspeção longas, sem falar na bateria hot-swap de 648 Wh (15.000 mAh) nas edições PRO e EDU, projetada para mais de quatro horas de patrulha contínua sem carga.
Três versões, três tickets
A Unitree divide o novo cão-robô em configurações AIR, PRO e EDU, cada uma pensada para um nível de sofisticação (e orçamento):
- AIR: sensor LiDAR angular proprietário, bateria de 8.000 mAh e velocidade levemente inferior (≈3 m/s).
- PRO: LiDAR industrial de 64 linhas e velocidade de até 5 m/s sem carga; mantém a bateria maior e ganha recarga rápida.
- EDU: tudo do PRO e mais: LiDAR de 128 linhas, dock de recarga automática e, o ponto chave, suporte ao NVIDIA Jetson Orin NX para inferência embarcada.
Na prática, o EDU é o único modelo pronto para missões totalmente autônomas, rodando algoritmos de visão computacional no próprio robô — sem depender da nuvem, reduzindo latência e custos de dados.
Autonomia sob carga: os números que fazem diferença
Sem peso extra, a Unitree garante mais de 20 km de alcance. Com 15 kg nas costas — limite dinâmico do robô — a autonomia cai para cerca de 13 km, ainda assim suficiente para percorrer galpões inteiros ou fazendas solares antes de retornar ao dock. Para trabalhos estáticos, como sustentar um braço robótico ou antena, o EDU aguenta 65 kg. Em demonstração, o As2 manteve-se estável mesmo com uma pessoa de 105 kg apoiada sobre o chassi, superando a especificação oficial.
Sensoriamento de 360° e rastreamento no nível do centímetro
As versões PRO e EDU utilizam um conjunto quádruplo de LiDAR que cobre 360 ° × 90 ° de campo de visão, detectando obstáculos a partir de 5 cm. O sistema ISS 3.0 acompanha o operador como se fosse um “pet” eletrônico, garantindo navegação estável sem intervenção manual constante. Tudo isso protegido por certificação IP54, que resiste a poeira em suspensão e garoa — o bastante para inspeções externas rápidas.
Comparando com a concorrência (e irmãos de marca)
O Boston Dynamics Spot, referência do setor, pesa 32 kg, suporta 14 kg de carga e custa acima de US$ 75 mil no exterior. Já o Go2, cão-robô doméstico da própria Unitree, limita-se a 12 kg de carga dinâmica e velocidade máxima menor. O As2, portanto, preenche um vazio: mobilidade de consumo, músculo industrial. Ele se encaixa em inspeções de linhas de transmissão, mapeamento 3D de canteiros de obras e até entregas internas de peças on-demand.
Imagem: William R
Robusto, mas não anfíbio
Com tolerância de −20 °C a 50 °C, o As2 encara câmaras frias e pátios de mina sob sol escaldante. Degraus de 25 cm, rampas de 40° e plataformas de 50 cm não o intimidam, ampliando o leque de aplicações sem exigir adaptações caras na infraestrutura.
Preço e disponibilidade
A Unitree ainda não revelou valores oficiais. Interessados precisam solicitar cotações diretamente ao fabricante, prática comum em robótica B2B para ajustar pacotes de sensores, docks de recarga e licenças de software. Mesmo sem etiqueta, a expectativa do mercado é que o As2 custe significativamente menos que rivais norte-americanos de categorias equivalentes, posicionando-se como porta de entrada para automação móvel em pequenas e médias indústrias.
No fim do dia, o Unitree As2 coloca a autonomia e a inteligência artificial embarcada numa carcaça que cabe no braço — literalmente. Para quem precisa digitalizar operações de campo sem arcar com robôs de meia tonelada (e sem abrir mão de performance), vale manter esse cão-robô no radar.
Com informações de Hardware.com.br