Prepare-se para rever o orçamento do seu próximo upgrade. O Ministério da Fazenda confirmou, nesta quarta-feira (25), um aumento nas tarifas de importação que atinge mais de mil itens de tecnologia — de máquinas industriais a processadores, placas de vídeo, monitores e smartphones. A medida, defendida publicamente pelo ministro Fernando Haddad, promete adicionar cerca de R$ 14 bilhões aos cofres públicos ainda em 2024, mas já acende o alerta em quem costuma aproveitar ofertas internacionais para montar PCs ou trocar de celular.
Por que o governo resolveu mexer no bolso do entusiasta?
Haddad enquadrou a alta de impostos como reação à “guerra comercial global”. Segundo o ministro, fabricantes asiáticos estariam direcionando ao Brasil produtos com preços abaixo do custo, depois de encontrarem barreiras nos Estados Unidos e na Europa. “Ou você vem produzir aqui, ou não concorre”, resumiu ele.
Na prática, a equipe econômica tenta criar um escudo tarifário para setores que já contam com linhas de montagem no país — caso de TVs, notebooks de entrada e boa parte dos smartphones Android. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) diz que 95 % dos telefones vendidos no Brasil são montados localmente. Só que a conta não fecha quando falamos de componentes de alto desempenho.
O calcanhar de Aquiles: silício não se fabrica por aqui
Diferente de gabinetes, periféricos ou placas-mãe, processadores e GPUs exigem fábricas de litografia de ponta — instalações de dezenas de bilhões de dólares que hoje se concentram em gigantes como TSMC (Taiwan) ou Samsung (Coreia do Sul). Não há fundições desse nível na América Latina. Isso significa que, mesmo com a nova tarifa, o consumidor não terá uma opção “made in Brazil” para chips Ryzen, Intel Core ou placas GeForce.
Para a comunidade gamer e profissionais que dependem de alto poder de processamento, o resultado é direto: custos maiores no varejo, seja ao importar por conta própria, seja ao comprar produtos que lojistas trazem de distribuidoras internacionais.
Quanto pode pesar no seu setup?
O governo ainda não divulgou a tabela detalhada com cada NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul), mas fontes do setor falam em acréscimos que variam de 10 % a 20 % nos segmentos mais visados — caso de placas de vídeo da série RTX 40, SSDs NVMe e processadores Intel de 14ª geração. Se confirmada, a mudança pode elevar em até R$ 800 o preço final de uma GPU intermediária, como uma RTX 4060 Ti, e acrescentar R$ 400 ou mais a CPUs topos de linha, como o Ryzen 9 7950X.
Smartphones premium também entram no radar. Modelos da Apple e Xiaomi, que chegam prontos do exterior, tendem a sentir o baque primeiro, enquanto aparelhos montados em Manaus (Samsung, Motorola) podem sofrer reajustes menores, já que parte da cadeia permanece nacionalizada.
Imagem: William R
Existe saída? O que pode mudar até lá
Frente à reação negativa de consumidores e de entidades do varejo online, o governo deixou uma porta entreaberta para ajustes. Haddad afirmou que o MDIC poderá “zerar temporariamente” a alíquota de itens sem produção equivalente no Brasil — exatamente o caso de CPUs e GPUs. Entretanto, não há prazo definido para qualquer revisão.
No Congresso, o Partido Novo protocolou um projeto para suspender a medida, alegando onerar segmentos sem fabricação local. Enquanto o embate político se desenrola, as encomendas feitas hoje ainda podem chegar sob a alíquota anterior, mas qualquer carregamento desembarcando após a publicação da nova portaria já pagará o valor cheio.
Como se planejar para o próximo upgrade
• Acompanhe cotações: com o dólar flutuando, até pequenas variações podem compensar parte do imposto adicional.
• Fique de olho em estoques nacionais: varejistas podem segurar preços antigos enquanto durarem as unidades já internalizadas.
• Compare gerações: placas de vídeo RTX 30 e CPUs Ryzen 5000 ainda entregam alta performance e podem cair menos nas novas regras, já que parte dos lotes está no país.
• Avalie marcas que montam no Brasil: linhas de entrada e intermediárias de notebooks ou smartphones montados em Manaus podem oferecer melhor custo-benefício.
Mesmo sem incentivo explícito à compra, entender onde o imposto pesa mais ajuda você a decidir se vale antecipar o upgrade ou esperar o cenário estabilizar. Afinal, ninguém quer pagar pedágio extra para rodar seus jogos favoritos em 144 fps.
Com informações de Hardware.com.br