A nova NVIDIA GeForce RTX 5090 mal chegou às bancadas de teste e já protagonizou um alerta vermelho para entusiastas: uma unidade modificada para receber alimentação dupla de 16 pinos morreu poucos dias depois de encarar sessões extremas de overclock. O incidente, divulgado em fóruns especializados, reforça o velho mantra de que nem todo silício — por mais premium que seja — suporta os limites impostos pela busca incessante pelos primeiros lugares em benchmarks.
O que motivou a mod insana?
No padrão de fábrica, a RTX 5090 utiliza o novo conector 12V-2×6, evolução do contestado 12VHPWR da geração Ada Lovelace. Mesmo assim, seus 550 W de TGP (Total Graphics Power) parecem “pouco” para overclockers profissionais que visam recordes mundiais. A solução encontrada pelo grupo foi “simples” no papel, mas extremamente arriscada na prática:
1. Soldar um segundo conector de 16 pinos diretamente na PCB, dobrando a capacidade teórica de fornecimento de energia.
2. Aplicar o clássico Shunt Mod, substituindo resistores de detecção de corrente por versões quase sem resistência — truque que engana a leitura de consumo e, de quebra, remove proteções internas de segurança.
O resultado: 800 W de pura tensão (literalmente)
Com os dois conectores plugados em uma fonte de 1600 W, a GPU ultrapassou a impressionante marca de 800 W reais, atingindo clocks muito acima dos 3 GHz. A façanha, porém, custou caro: fases do VRM superaqueceram, condensadores incharam e a placa entrou em colapso elétrico irreversível após alguns dias de testes.
RTX 5090 x RTX 4090: até onde vale arriscar?
Ainda que a arquitetura Blackwell entregue ganhos estimados de até 40 % em rasterização sobre a RTX 4090, a diferença prática para jogos atuais dificilmente justifica ultrapassar os limites do design elétrico. Vale lembrar que a antecessora, projetada para 450 W, já exigia fontes de 850 – 1000 W de marcas confiáveis e cabos bem encaixados para evitar derretimento do conector.
Impacto para quem está montando ou atualizando o PC
• Segurança primeiro: nada de solda na PCB. Se o objetivo é overclock diário, use apenas o que a própria BIOS permite e mantenha temperaturas abaixo de 80 °C.
• Fonte certificada: a RTX 5090 de estoque já consome muito. Invista em fontes ATX 3.0/ou 12V-2×6 nativas, com cabos de bitola espessa.
• Garantia em risco: qualquer mod físico anula a RMA. Uma RTX de última geração custa tanto quanto um PC completo — pense nisso antes de pegar no ferro de solda.
• Performance real: nos games, a diferença entre 2,7 GHz estáveis e 3 GHz “no limite” costuma render poucos FPS extras. O gargalo pode acabar sendo sua CPU ou o monitor.
Imagem: William R
Lição aprendida
A saga da RTX 5090 “overclocker extremo” mostra que, na prática, o ponto de equilíbrio entre desempenho e durabilidade continua sendo respeitar o projeto original da placa. Para a maioria dos gamers e criadores de conteúdo, manter a GPU dentro das especificações oficiais — e contar com bom fluxo de ar no gabinete — já garante sobra de potência para 4K e ray tracing sem sustos.
No fim das contas, a busca por recordes valeu uma placa de vídeo de milhares de dólares. Para quem está de olho na próxima grande atualização do setup, a história serve de alerta: às vezes, o boost mais inteligente é simplesmente deixar o hardware fazer o trabalho para o qual foi projetado.
Com informações de Hardware.com.br