O presidente norte-americano Donald Trump voltou a balançar o comércio internacional ao anunciar, nesta sexta-feira (20), uma tarifa de 10 % sobre praticamente todas as importações que entram nos Estados Unidos. A medida, baseada na Seção 122 do Trade Act de 1974, passa a valer na próxima terça-feira (24) e pode durar até 150 dias. Mas há um detalhe que interessa — e muito — a quem acompanha o mercado de tecnologia: chips, placas de vídeo, consoles, smartphones e demais eletrônicos ficaram de fora da sobretaxa.
Por que eletrônicos escaparam da nova tarifa?
De acordo com a Casa Branca, itens “estratégicos ou essenciais” foram isentos para não comprometer cadeias críticas de suprimento. Entram nesse grupo minerais críticos (cobalto, lítio, terras-raras), equipamentos eletrônicos, veículos, fertilizantes, medicamentos e produtos aeroespaciais. Em outras palavras, tudo o que forma a espinha dorsal da indústria de hardware permanece livre da nova cobrança.
Essa exceção foi recebida com alívio por fabricantes de componentes como AMD, Intel, Nvidia, Asus e Gigabyte, que há meses lidam com flutuações de demanda e gargalos logísticos. Se as placas-mãe, GPUs e SSDs fossem sobretaxados, o impacto seria sentido instantaneamente nos preços finais, inclusive para consumidores brasileiros que importam via Amazon ou revendedores especializados.
O que muda para quem monta PCs no Brasil?
Na prática, nada sobe de preço — pelo menos por enquanto. Como as categorias mais relevantes para entusiastas de hardware foram preservadas, não há pressão extra nos custos de produção. Isso significa que:
- Placas de vídeo (RTX 4000, Radeon RX 7000) continuam com o mesmo MSRP nos EUA.
- Processadores Intel Core 14ª geração e AMD Ryzen 7000 não ganham tarifa adicional.
- Teclados, mouses gamer, headsets e SSDs também permanecem fora da lista.
Entretanto, é bom ficar atento: a tarifa tem prazo máximo de 150 dias e pode ser revista a qualquer momento. Se as isenções caírem, os efeitos no nosso bolso serão imediatos, refletindo em importações diretas e nos preços praticados por lojas brasileiras que dependem do mercado norte-americano.
Comparativo: Seção 122 vs. Seções 232 e 301
• Seção 122 (1974): permite tarifas temporárias para equilibrar “problemas fundamentais de pagamentos internacionais”. Foi o dispositivo usado nesta rodada de 10 %.
• Seção 232: foca na segurança nacional; já foi utilizada para sobretaxar aço e alumínio.
• Seção 301: autoriza retaliações tarifárias/disputas contra práticas comerciais consideradas injustas. O USTR, a mando de Trump, prometeu acelerar novas investigações — e o Brasil está na lista desde julho passado.
Ou seja, mesmo que os eletrônicos escapem da Seção 122, eles continuam vulneráveis a eventuais punições na Seção 301, dependendo do desfecho das investigações.
Imagem: Joshua Sukoff
E o acordo USMCA?
Mercadorias vindas de Canadá e México, em conformidade com o USMCA (novo Nafta), também estão livres da tarifa. Para a indústria de GPUs, isso é crucial: várias linhas de montagem de placas de vídeo e notebooks gamer foram transferidas para o México nos últimos anos, o que garante uma rota alternativa caso o clima comercial piore.
Olho no estoque e nas promoções
Para o consumidor brasileiro que costuma aproveitar cupons da Amazon, Black Friday ou Prime Day, a recomendação é monitorar preços e disponibilidade nas próximas semanas. A isenção atual não significa estabilidade eterna, e qualquer ajuste futuro pode disparar uma corrida por estoque, elevando valores rapidamente.
Resumo rápido: Trump aplicou tarifa global de 10 %, mas poupou eletrônicos. Gamers, profissionais de criação e entusiastas de PC respiram aliviados por ora, mas o radar continua ligado a possíveis investigações da Seção 301 que podem mudar esse cenário.
Com informações de Olhar Digital