Se o seu Windows 10 ou 11 anda reclamando de espaço em disco – especialmente se você usa um SSD de 256 GB ou menos – o vilão pode estar escondido em um lugar em que pouca gente olha: a pasta Driver Store. É ali que o sistema guarda todas as versões de cada driver que já passaram pelo seu computador. O resultado? Gigabytes de arquivos obsoletos ocupando espaço precioso que poderia ser usado para jogos, arquivos de trabalho ou até para instalar aquele editor de vídeos pesado.
Por que o Windows acumula tantos drivers?
Drivers são miniaplicativos que fazem o sistema operacional conversar com o hardware – placa de vídeo, Wi-Fi, impressora, SSD externo e por aí vai. Toda vez que um driver é atualizado, o Windows guarda a versão anterior como “plano B”. A Microsoft faz isso para permitir o rollback caso a versão mais recente dê problema. Acontece que:
- Programas como Intel Driver & Support Assistant e NVIDIA App instalam drivers novos, mas nunca removem os antigos.
- Ferramentas genéricas, como Driver Booster ou Snappy Driver Installer, seguem a mesma lógica.
- Se você troca peças com frequência – típico de quem gosta de upgrades ou testes de placas de vídeo – o acúmulo é ainda maior.
Some tudo isso e não é raro encontrar 10 GB, 15 GB ou até 20 GB de drivers antigos no FileRepository.
O que você ganha ao fazer a faxina
Além de liberar espaço imediato, limpar drivers reduz a fragmentação de arquivos, pode agilizar a pesquisa do Windows Defender e até diminuir o tempo de backup no seu SSD externo (aquele mesmo que você conecta via USB-C). Para gamers, cada gigabyte salvo significa mais margem para instalar títulos AAA – atualmente com 100 GB não é nada difícil – ou baixar packs de texturas em alta resolução.
Ferramenta gratuita recomendada: Driver Store Explorer (RAPR)
Em vez de comandos obscuros no PowerShell, o utilitário Driver Store Explorer (RAPR) faz tudo via interface gráfica:
- Download gratuito no GitHub; não requer instalação (executável portátil).
- Compatível com Windows 10 e 11, inclusive versões ARM.
- Roda como administrador e exibe todos os pacotes com data, fabricante, versão, tamanho e se estão em uso.
Tutorial rápido: passo a passo
- Crie um ponto de restauração ou um backup de imagem em um SSD externo rápido (NVMe USB 3.2 é excelente). Não costuma dar problema, mas prevenção nunca é demais.
- Baixe o RAPR, clique com o botão direito e selecione Executar como administrador.
- No canto superior, clique em Enumerate para listar tudo.
- Use o botão Select Old Driver(s). O programa marca versões antigas automaticamente.
- Clique em Delete Driver(s) e confirme. Drivers em uso não serão removidos; o próprio RAPR bloqueia.
- Quer ser ainda mais meticuloso? Ordene pela coluna Driver Class ou Size e exclua manualmente duplicatas evidentes (NVIDIA e Bluetooth costumam ser campeões).
“Posso apagar tudo e deixar só o driver mais novo?”
Pode, mas existe um custo: o botão Reverter driver no Gerenciador de Dispositivos ficará indisponível. Quem prefere cautela pode manter as duas versões mais recentes de drivers críticos, como placa de vídeo e adaptador de rede. Para impressoras antigas, a dica é remover a impressora do sistema antes de descartar o driver; isso evita conflitos.
Imagem: Ed Tittel
Com que frequência devo limpar?
Uma rotina trimestral é suficiente para a maioria dos usuários. Se você testa GPUs, troca de placa-mãe ou participa de programas beta da NVIDIA/AMD, vale olhar todo mês, principalmente depois da “Patch Tuesday”. Fazendo isso, sua pasta de drivers deve ficar abaixo de 5 GB no Windows 10 e 10 GB no Windows 11.
Upgrade ou limpeza: qual vale mais?
Limpar drivers é rápido, gratuito e resolve boa parte dos gargalos de armazenamento. Ainda assim, se mesmo depois da faxina o espaço continuar no vermelho, pode ser hora de considerar um SSD NVMe de 1 TB, que hoje já aparece em promoções competitivas. A combinação de hardware novo com manutenção de software garante performance e estabilidade de longo prazo.
No fim das contas, fazer a faxina de drivers é tão importante quanto manter o antivírus atualizado. Você economiza espaço, evita conflitos e mantém o Windows pronto para os próximos anos de atualizações – sem precisar recorrer a formatações drásticas.
Com informações de Computerworld