A escalada de preços dos chips de memória pode até assustar a indústria de smartphones, mas a Apple enxerga aí uma oportunidade de ouro. Segundo o renomado analista Ming-Chi Kuo, da TF International Securities, a companhia estaria disposta a absorver parte do aumento de custo da DRAM LPDDR5X que equipará o futuro iPhone 18, previsto para o segundo semestre de 2026. A manobra pode evitar reajustes na linha e, de quebra, pressionar a concorrência Android – que historicamente repassa a alta de componentes ao consumidor.
Por que a DRAM ficou tão cara?
O mercado de memórias passa por um “efeito sanfona”. Após um 2024 de excesso de estoque, fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron reduziram produção em 2025 para recuperar margens, provocando alta de até 30 % nos módulos LPDDR5X de 12 GB (hoje em torno de US$ 70 cada). Para piorar, as negociações que antes eram semestrais agora ocorrem a cada trimestre, dificultando previsibilidade de preços para empresas que compram milhões de unidades – caso da Apple.
O que muda para o usuário do iPhone 18?
Se a Apple conseguir manter o valor sugerido da atual geração, o usuário leva vantagem dupla:
- Mais memória, mesma etiqueta: rumores apontam que o iPhone 18 básico pode saltar de 6 GB para 8 GB de RAM, garantindo mais fôlego em jogos pesados e multitarefa.
- Concorrência pressionada: modelos Android com chipset Snapdragon ou Exynos tendem a ficar mais caros se os fabricantes não tiverem margem para subsidiar a memória.
Em outras palavras, quem já planeja trocar de smartphone em 2026 pode encontrar no iPhone 18 um equilíbrio raro entre performance e preço estável.
Serviços bancam a ousadia de hardware
Absorver custos não é algo trivial, mas a Apple tem um trunfo: a divisão de Serviços (App Store, iCloud+, Apple Music, Apple TV+), que gera lucros recorrentes e bateu recorde de receitas mesmo em ciclos de iPhone mais fracos. Essa almofada financeira permitiria diluir a margem menor dos aparelhos, tornando a estratégia sustentável.
Estratégia pode chegar aos Macs
Kuo também acredita que a lógica se estende à linha Mac. Se a Apple mantiver preços de MacBook e iMac enquanto memórias DDR5 e SSDs NAND encarecem, a marca pode roubar market share de fabricantes de PCs Windows – movimento semelhante ao visto em 2020, quando os Macs com chip M1 chegaram mais baratos que muitos notebooks premium x86.
Comparativo rápido: iPhone 18 vs. concorrentes (rumores)
iPhone 18 (2026)
• Chip A19 Pro em 3 nm+
• 8 GB/12 GB LPDDR5X
• Armazenamento até 2 TB NVMe
• Possível 5G via satélite Starlink
Galaxy S28 Ultra (estimado)
• Snapdragon 9 Gen 5
• 12 GB LPDDR5X (custo repassado?)
• Armazenamento UFS 5.1 até 1 TB
• 5G sub-6 GHz e mmWave
Imagem: Internet
Se os preços de lançamento ficarem parecidos com a geração atual, a Apple passa a entregar mais RAM por dólar – ponto decisivo para gamers mobile que buscam taxas de quadros estáveis em títulos AAA como Genshin Impact ou Call of Duty: Warzone Mobile.
Olho no cronograma
• Q1 2026: próxima rodada de negociações de DRAM, tendência de novos aumentos.
• Entre setembro e outubro/26: anúncio da linha iPhone 18.
• Pós-lançamento: análise de teardown revelará se a Apple realmente manteve a margem ou comprometeu alguns luxos internos (ex.: câmeras ou modem) para bancar a memória.
Vale a pena esperar?
Se você é usuário de iPhone 12/13 e pretende atualizar, aguardar mais um ciclo pode significar pegar um dispositivo com maior RAM, eficiência energética aprimorada e preço base inalterado. Para quem usa Android topo de linha, a expectativa de aumentos traz uma janela de migração para o ecossistema iOS sem pagar mais por isso.
No fim das contas, transformar o “caos da DRAM” em vantagem competitiva reforça uma velha máxima de Cupertino: o ecossistema é tão valioso que pode subsidiar o hardware. Se a estratégia se confirmar, a disputa de 2026 promete ser intensa — e o consumidor deve sair ganhando.
Com informações de Mundo Conectado