Imagine um único operador diante de um tablet militar, tocando na tela para liberar 200 drones simultaneamente. Foi exatamente essa a cena exibida pela TV estatal chinesa ao apresentar o Swarm I, um sistema de armas de “enxame” capaz de lançar 48 aeronaves de uma só vez e coordenar mais de 200 unidades em pleno voo. A demonstração, auditada pelo Exército de Libertação Popular (ELP), marca um novo capítulo na corrida pela supremacia de veículos aéreos não tripulados — e acende alerta nos bastidores da defesa mundial.
Como funciona o Swarm I (e o que mudou com o Swarm II)
O ponto de partida é um veículo terrestre 4 × 4, semelhante a um blindado leve, que abriga rampas de lançamento para 48 drones de asa fixa. Uma vez no ar, cada aeronave:
- alcança velocidade de até 100 km/h;
- permanece em voo por mais de 60 minutos;
- leva cargas modulares — de pods de reconhecimento óptico a pequenas munições guiadas.
Segundo Xiang Xiaojia, pesquisadora da Universidade Nacional de Tecnologia de Defesa, os drones executam negociação autônoma: trocam dados em tempo real para dividir alvos, evitar colisões e reconfigurar a missão caso algum elemento seja abatido. O algoritmo anti-interferência permite que a frota continue operando mesmo sob bloqueio GPS ou ataque de guerra eletrônica.
Em 2024, o ELP revelou o Swarm II. A segunda geração manteve o chassi terrestre, mas ganhou:
- sistema de propulsão otimizado (melhor relação peso-potência);
- baías internas redesenhadas, que suportam sensores infravermelho e radar de baixa potência;
- software de missão plug-and-play, permitindo perfis de voo específicos (reconhecimento, saturação de defesas, retransmissão de comunicação).
Por que esse enxame importa (mesmo para quem só voa drones recreativos)
Além do óbvio impacto militar, tecnologias de coordenação em massa costumam migrar para o mercado civil. Algoritmos de autopiloto colaborativo já aparecem em drones de filmagem — como o DJI Air 3 — para tomadas em grupo sem colisão. A tendência é que funções de rota autônoma, hoje restritas aos arsenais, cheguem em breve aos modelos de consumo vendidos na Amazon, barateando filmagens de eventos, inspeção de telhados ou delivery de pequenas encomendas.
A corrida global (e as contramedidas a caminho)
A China não está sozinha. EUA, Israel, Reino Unido e até Ucrânia desenvolvem soluções parecidas. Os norte-americanos testam o ALTIUS-600, impresso em 3D, que voa 4 h e entrega ogivas de 3 kg. Do outro lado, surgem defesas de energia dirigida como o laser DragonFire britânico ou o Iron Beam israelense, capazes de abater múltiplos drones por disparo a custo irrisório (menos de US$ 15).
Esse jogo de “espada e escudo” pressiona fabricantes de chips, sensores e baterias. NVIDIA, AMD e Qualcomm já ofertam SoCs com IA embarcada que executa visão computacional localmente — sem nuvem — para evitar latência. Para quem monta PCs para simulações ou gosta de acompanhar benchmarks de GPU, vale ficar de olho: workloads de swarming são excelentes casos de uso para placas de vídeo modernas.
Imagem: Internet
Próximo passo: porta-drones anfíbio em alto-mar
Relatórios da CCTV indicam que a Marinha do ELP testa, para 2025, um navio de assalto anfíbio convertido em porta-drones. O objetivo é lançar enxames a centenas de quilômetros da costa — algo que redefine o alcance estratégico chinês na Ásia-Pacífico.
Se confirmado, o conceito lembra o “seaplane tender” da década de 40, mas com inteligência artificial no lugar de hidroaviões. Os EUA estudam ideia semelhante com navios não tripulados da classe Ghost Fleet.
No ritmo atual, é questão de tempo até que parte dessa tecnologia escorra para o mercado civil, influenciando desde entregas autônomas até os próximos drones fotográficos que você encontrará em oferta — e que, quem sabe, poderão voar em formação para filmar o seu esporte favorito sob vários ângulos.
Com informações de Mundo Conectado