Prepare-se para um salto na velocidade das informações entre as Américas. A V.tal confirmou a construção do Synapse, um cabo submarino de última geração que ligará Praia Grande (SP) a Tuckerton (Nova Jersey) a partir de 2026. Serão 9.700 km de extensão, 16 pares de fibra óptica e capacidade total de 320 Tbps, o dobro do tráfego suportado por cabos da geração passada. Na prática, esse “túnel” de dados promete baixar a latência em aplicações de nuvem, inteligência artificial e jogos online, além de oferecer rotas mais estáveis para streaming em 4K e 8K.
Por que esse novo cabo importa agora?
O tráfego global de dados deve praticamente dobrar até 2027, impulsionado por modelos de IA generativa, serviços de cloud gaming e plataformas de vídeo premium. Enquanto gigantes como Amazon, Google e Meta investem em cabos próprios — o Capricorn da AWS, por exemplo, consegue transferir 125 milhões de filmes em HD simultaneamente — o Synapse é a resposta da V.tal para manter o Brasil no mesmo patamar de conectividade.
SDM e Open Cable: a engenharia por trás de 800 Gbps por circuito
O Synapse adota a tecnologia SDM (Space Division Multiplexing), que separa os feixes de luz em “corredores” independentes dentro da fibra, reduzindo interferência e aumentando a densidade de tráfego. Aliado à arquitetura Open Cable, o sistema suportará links de 800 Gbps por cliente — o bastante para mover um backup de 100 TB em menos de 20 minutos.
Rotas pensadas para resiliência (e para fugir dos gargalos)
Em vez de seguir o caminho “tradicional” pela Flórida, o Synapse vai ancorar direto em Nova Jersey, região com acesso privilegiado aos maiores hubs de data centers do mundo. No Brasil, a fibra chegará a Praia Grande e subirá por uma nova rota terrestre até a capital paulista, reduzindo o risco de cortes simultâneos. O projeto inclui ainda uma Branching Unit de 460 km até Fortaleza, conectando-se ao mega data center Mega Lobster (20 MW) e transformando o Ceará em ponto de troca de tráfego internacional.
Comparativo rápido: Synapse vs. outros cabos estratégicos
- Synapse (V.tal) – 16 pares, 320 Tbps, Brasil-EUA, entrega estimada 2029-2030.
- Firmina (Google) – 12 pares, 240 Tbps, EUA-Argentina-Brasil, em implantação.
- Malbec (Facebook/GlobeNet) – 4 pares, 108 Tbps, EUA-Argentina-Brasil, ativo desde 2021.
- EllaLink – 4 pares, 100 Tbps, Portugal-Brasil, inaugurado em 2022.
O novo cabo da V.tal se posiciona, portanto, no topo da tabela de capacidade na rota Brasil-EUA.
Impacto direto no seu dia a dia
Para gamers: servidores de jogos hospedados na costa leste dos EUA terão latências menores, reduzindo o famoso “ping alto” em partidas competitivas.
Para criadores de conteúdo 4K/8K: upload de vídeos pesados para serviços como AWS, Google Cloud ou Azure ficará mais rápido e com menor risco de perda de pacotes.
Para empresas: replicação de bancos de dados e backups críticos na nuvem passam a acontecer em janelas menores, abrindo espaço para integrações em tempo quase real.
Imagem: Internet
Escalabilidade para as próximas décadas
O desenho modular permite futuras ramificações para Recife, Salvador, Rio de Janeiro e até uma extensão para a Colômbia. Segundo Felipe Campos, CEO da V.tal, o Synapse foi “projetado para sustentar o crescimento exponencial da economia digital latino-americana pelos próximos 25 anos”.
Quando veremos o Synapse em operação?
A fase de instalação submarina começa no segundo semestre de 2026. A conclusão está prevista entre 2029 e 2030, período que inclui testes de pressão, aterramento do cabo em regiões de grande profundidade e integração com as redes terrestres de fibra óptica. Até lá, a V.tal continuará ampliando seu parque de backbone óptico e inaugurando novos data centers neutros para absorver a demanda.
No futuro, quando você escolher um mouse gamer com polling rate de 8.000 Hz ou baixar um patch de 150 GB para seu jogo preferido, é bem provável que parte desses dados atravesse a “supervia” Synapse — silenciosa, lá no fundo do Atlântico, mas essencial para a próxima onda de inovação digital.
Com informações de Mundo Conectado