Se inteligência artificial é o “novo petróleo”, muita gente ainda está apenas perfurando o solo. O 29º CEO Survey global da PwC, que ouviu 4.450 executivos em 95 países, revela que as companhias seguem investindo pesado em IA mesmo sem comprovar retorno imediato: apenas 33% viram aumento de receita e 26% relatam queda de custos no último ano. Ainda assim, ninguém tira o pé do acelerador.
Por que as empresas continuam apostando?
A velocidade da inovação virou questão de sobrevivência. Segundo a PwC, 69% dos CEOs acreditam ter cultura e ambiente técnico prontos para IA, e 51% já definiram um roadmap claro. O problema está entre desejo e execução: os projetos têm ficado em ilhas, dificultando medir valor real.
Radiografia dos investimentos em IA
- 56% ainda não registraram aumento de receita nem redução de custos.
- Apenas 40% acham que investem o suficiente para atingir as metas traçadas.
- Menos da metade possui processos formais de IA responsável e gestão de risco.
- Só 30% liberam acesso total aos próprios dados para as ferramentas de IA.
- 42% sentem dificuldade em atrair talentos técnicos de alto nível.
O seleto clube da vanguarda
Somente 1 em cada 8 empresas se destaca por ganhar em receita e cortar custos graças à IA. Elas aplicam algoritmos em quase toda a cadeia — de geração de demanda a experiência do cliente. Já a maioria ainda pratica o que a PwC chama de “innovation theater”: iniciativas que soam modernas, mas não escalam nem entregam valor.
IA sem ROI: o que trava o retorno?
Três gargalos aparecem com frequência:
- Dados dispersos — sem integração, modelos ficam míopes.
- Hardware subdimensionado — falta GPU, CPU e memória de alta largura de banda para treinar modelos grandes.
- Governança frágil — sem processos de IA responsável, projetos emperram por risco regulatório.
Infraestrutura: do datacenter ao seu setup
A fome corporativa por IA pressiona toda a cadeia de hardware. Placas de vídeo voltadas a servidores, como as NVIDIA H100, estão esgotadas em muitos distribuidores, elevando preços de GPUs de consumo como a RTX 4070 Ti SUPER — reflexo direto da corrida por poder de processamento. Se você pensa em trocar de placa de vídeo ou investir num upgrade de CPU com instruções de IA (vide os Intel Core de 14ª geração com AI Boost), fique atento: a demanda empresarial pode impactar estoque e preço no varejo.
Seis hábitos que diferenciam inovadores de palco e de verdade
A PwC mapeou práticas que aceleram inovação. Apenas 8% das empresas adotam cinco ou seis delas em larga escala:
- Inovação integrada à estratégia de negócio.
- Parcerias externas para ganhar velocidade.
- Testes rápidos com clientes finais.
- Tolerância a risco elevado em P&D.
- Processos para encerrar projetos que não performam.
- Centros de inovação ou ventures corporativas dedicados.
O dilema do curto vs. longo prazo
Hoje, os CEOs gastam 47% do tempo em questões de menos de 12 meses, apenas 16% em temas com horizonte superior a cinco anos — exatamente onde IA precisa de paciência para amadurecer. Como resultado, 70% não estão confiantes em crescer nos próximos 12 meses. A PwC alerta: reinventar o negócio exige reinventar a agenda do líder.
Imagem: Taryn Plumb
O que isso significa para profissionais de TI e entusiastas?
1. Demanda por especialistas em IA e cibersegurança deve continuar aquecida. Certificações em frameworks como PyTorch ou conhecimentos em GPU Computing podem valorizar seu currículo.
2. Pressão por hardware avançado tende a manter GPUs e CPUs de alto desempenho em alta. Olho nas promoções — estoques podem oscilar.
3. Empresas médias optarão por serviços de IA “as-a-Service” na nuvem, o que pode reduzir a compra de servidores locais, mas aumentar assinaturas de soluções baseadas em AWS, Azure ou Google Cloud.
Estratégias para transformar IA em valor palpável
A PwC recomenda cinco passos práticos que também se aplicam a equipes menores:
- Comece pelo problema de negócio, não pela tecnologia.
- Invista em dados limpos e centralizados — sem isso, modelo nenhum brilha.
- Garanta poder de processamento escalável (GPUs atuais ou serviços de nuvem otimizados).
- Implemente governança de IA responsável desde o dia 1.
- Meça ROI continuamente para decidir escalar ou pivotar projetos.
Em resumo, a pesquisa mostra que o boom de IA ainda é mais aposta estratégica do que caixa no bolso. A tradução prática: cumpra o dever de casa em dados, equipe e infraestrutura se quiser colher frutos antes da concorrência — seja uma multinacional ou um criador de conteúdo montando seu próximo PC.
Com informações de Computerworld