Se você é do time que vibra ao ver tecnologias antigas ganhando nova vida, prepare-se para conhecer o NES-Boy Advance. O portátil foi concebido pelo modder MaSaKee e combina, em um único corpo, três gerações distintas da Nintendo — DSi, Game Boy Advance e o controle de NES — com um toque extra: gatilhos analógicos retirados de um gamepad de Xbox 360. O resultado é um console feito sob medida para quem ama retro gaming, mas exige a conveniência de um sistema moderno.
Por dentro do híbrido: casamento de três décadas de hardware
A espinha dorsal do projeto é a placa-mãe completa de um Nintendo DSi. O portátil de 2008 foi escolhido por oferecer:
- Formato mais fino que os modelos DS anteriores;
- Bateria interna substituível com boa autonomia (cerca de 8 h em média);
- Compatibilidade nativa com cartuchos de Game Boy Advance via modificações ou emulação;
- Hardware suficientemente poderoso para rodar ROMs de GBA, SNES e até alguns títulos de Nintendo 64 em homebrew.
Para manter a estética “anos 80”, MaSaKee inseriu o PCB original de um controle de NES, garantindo que o D-pad, os botões A/B vermelhos e as teclas Start/Select sejam exatamente os mesmos que muitos veteranos usaram nos clássicos Super Mario Bros. e Metroid. Já os gatilhos analógicos vieram de um controle de Xbox 360, solução criativa para jogos que exigem resposta variável de pressão, como corridas ou shooters com mira por analógico.
Case 3D customizado: ergonomia vintage com conectividade atual
Todo o conjunto foi acomodado em um case impresso em 3D que imita o acabamento cinza-fosco do NES, mas traz elementos de portátil moderno:
- Porta USB-C para recarga e transmissão de dados;
- Saída de fone de ouvido de 3,5 mm na lateral;
- Tampa deslizante para acesso rápido à bateria;
- Elevação frontal que posiciona a tela do DSi em ângulo confortável.
A tela inferior do DSi foi desativada para economizar espaço e bateria; apenas o display superior permanece ativo, rodando os jogos de GBA em proporção nativa.
Montagem artesanal: 20 horas de solda, corte e muita paciência
Segundo MaSaKee, o processo completo levou aproximadamente 20 horas, divididas entre modelagem CAD, impressão, testes de encaixe e, claro, mão firme no ferro de solda. Cada botão do PCB de NES foi mapeado diretamente aos contatos do DSi, dispensando firmware customizado. Basta ligar, inserir o cartucho (ou cartão SD, se preferir emulação) e jogar.
Por que usar o DSi como cérebro e não um Raspberry Pi?
Muitos projetos de modding recorrem ao popular single-board computer, mas o DSi oferece vantagens:
- Menos consumo de energia: cerca de 1,5 W, contra até 5 W de um Raspberry Pi 4;
- Bateria já integrada, sem necessidade de circuitos extras de carregamento;
- Compatibilidade nativa com cartuchos GBA originais, algo impossível via Pi sem adaptadores caros;
- Tela LCD calibrada de fábrica para portáteis Nintendo, evitando gambiarras de drivers.
Comparativo rápido: NES-Boy Advance vs. portáteis prontos para comprar
Quem busca reviver clássicos de GBA tem hoje algumas opções de prateleira — todas encontradas facilmente na Amazon Brasil:
Imagem: William R
- Miyoo Mini Plus: portátil chinês com tela IPS de 3,5″, roda GBA, SNES e PS1 por emulação, mas usa controles modernos, sem a nostalgia do NES-Boy.
- Retroid Pocket 3+: hardware Android, tela maior de 4,7″, performance superior, porém requer configuração de emuladores e BIOS.
- Analogue Pocket: faz leitura de cartuchos originais de GBA com FPGA, qualidade premium, mas preço igualmente premium e disponibilidade limitada.
O NES-Boy Advance, por ser artesanal, não concorre direto com esses modelos. Seu grande trunfo é entregar experiência física autêntica com controles de NES e cartuchos reais, algo que nenhum portátil pronto oferece fora da caixa.
O que este projeto significa para quem coleciona retro games?
A comunidade de retro gaming valoriza dois pontos: fidelidade à jogabilidade original e preservação de mídias físicas. Ao ressuscitar peças de hardware clássico em um design único, MaSaKee não só prolonga a vida útil de consoles que estariam parados em gavetas como também inspira novos makers a customizar seus próprios portáteis. Embora o criador não tenha divulgado arquivos STL ou tutoriais, o NES-Boy Advance reforça a tendência DIY de usar impressoras 3D e eletrônica básica para ir além de emuladores genéricos.
Vai ter produção em série?
Até o momento, MaSaKee destacou que o NES-Boy Advance é peça única. Não há planos para kits de montagem ou venda comercial, o que o torna um item de colecionador. Mesmo assim, o projeto serve de vitrine para quem pensa em reaproveitar controles antigos ou placas-mãe de DS/DSi compradas no mercado de usados — muitas disponíveis por preços acessíveis em marketplaces.
Seja você fã da Nintendo, entusiasta de eletrônica ou apenas alguém com saudade daquele estalinho dos botões A e B vermelhos, vale ficar de olho nas comunidades de modding. A cada novo projeto, cresce o repertório de ideias para transformar hardware esquecido em máquinas de nostalgia portátil — e, quem sabe, seu próximo upgrade de coleção pode sair direto da impressora 3D.
Com informações de Hardware.com.br