Se você ainda está se acostumando a delegar tarefas ao ChatGPT, é melhor apertar o cinto. A próxima curva tecnológica traz IA agentiva, robôs autônomos e computação quântica — um combo que promete redesenhar carreiras inteiras, processos corporativos e até os componentes que usamos nos nossos desktops.
Do laboratório para o mercado em tempo recorde
Em conversa exclusiva com a Computerworld, Joe Depa, chief innovation officer da Ernst & Young (EY), foi direto: “A velocidade da evolução tecnológica nunca foi tão alta. Passamos de IA generativa para IA agentiva; agora, a IA física já bate à porta, com o quantum logo atrás”.
Para o executivo, quem conseguir se adaptar rápido ganha vantagem. Quem ficar estacionado em provas de conceito eternas — o famoso “teatro da inovação” — corre o risco de sair do jogo.
IA agentiva: menos prompts, mais autonomia
Enquanto a IA generativa responde perguntas, a IA agentiva executa tarefas de ponta a ponta sem intervenção humana constante. No mundo corporativo, a EY já vê ganhos concretos em áreas como:
- Financeiro e compras: agentes revisam contratos, sugerem renegociações e disparam ordens de pagamento.
- RH: triagem automática de currículos, ajuste dinâmico de benefícios e onboarding digital.
- Desenvolvimento de software: geração de código, testes unitários e deploy — tudo orquestrado por IA.
Para quem monta PCs, isso significa demanda crescente por GPUs com núcleos dedicados a IA. Placas como a NVIDIA GeForce RTX 4070 Ti e a AMD Radeon RX 7900 XT já incluem unidades de aceleração para modelos de linguagem local, otimizando compilações e inferência.
IA física: robôs fora das jaulas
NVIDIA projeta que o mercado de robótica baseada em IA valerá alguns bilhões já nesta década. Na prática, isso vai de aspiradores autônomos até cirurgiões robóticos, capazes de operar com precisão milimétrica durante horas sem fadiga. “A tecnologia existe; o desafio agora é peopleware: treinar médicos, engenheiros e operadores para confiar e adotar essas máquinas”, ressalta Depa.
Para o consumidor final, espere ver kits de desenvolvimento como o NVIDIA Jetson Orin ou braços robóticos plug-and-play chegando aos marketplaces — ótimos para makers, pesquisadores e startups de automação.
Imagem: Agam Shah Seni
Quantum computing: potência (ainda) invisível
Se a criptografia atual é o castelo, o quantum é o canhão que um dia poderá derrubá-lo. Bancos e empresas de logística já fazem testes para otimizar portfólios ou rotas em segundos — algo impraticável em servidores clássicos. Mas montar o próprio computador quântico é inviável; a saída, segundo Depa, é parcerias. Plataformas Quantum-as-a-Service permitem rodar algoritmos via nuvem, enquanto você ainda utiliza sua GPU gamer para simulações iniciais e treinamento de modelos híbridos.
Adaptação: a soft skill definitiva
Para EY, “adaptabilidade é a nova garantia de emprego”. Empresas que reescrevem processos, capacitam equipes e investem em infraestrutura ganham terreno. As que resistem à mudança viram estudo de caso — de fracasso.
Passos práticos para não ficar atrás
- Defina o caso de uso: produtividade? Novo produto? Redução de custos?
- Audite seus dados: sem qualidade, IA vira estatística ruim.
- Monte um sandbox: nuvem + GPU dedicada aceleram provas de valor.
- Escale com parceiros: desde consultorias especializadas até provedores de nuvem quântica.
- Meça e ajuste: valor tangível ou volte uma casa.
No fim, a convergência entre IA agentiva, IA física e computação quântica não é ficção científica. É roteiro de produto para os próximos cinco anos — e a melhor hora de atualizar competências (e hardware) é agora.
Com informações de Computerworld