A megafusão de US$ 110 bilhões (cerca de R$ 566 bilhões) entre Paramount Global e Warner Bros. Discovery — que, se aprovada, uniria franquias gigantes como Harry Potter, Transformers, Senhor dos Anéis e Star Trek — acaba de encontrar um novo obstáculo. Nesta segunda-feira (13/07), os procuradores-gerais de 12 estados norte-americanos ingressaram na Justiça para suspender o negócio, alegando riscos reais de concentração de mercado no cinema, na TV por assinatura e, principalmente, no streaming.
Quem está batendo à porta da Paramount
As ações foram protocoladas por Arizona, Califórnia, Colorado, Connecticut, Massachusetts, Minnesota, Nevada, Nova Jersey, Novo México, Nova York, Oregon e Washington. O grupo pede que as empresas adiem voluntariamente o fechamento do acordo até o fim do processo; se negarem, pretendem buscar liminar que barre a conclusão imediata da fusão.
Por que tanta resistência?
De acordo com a queixa, a empresa combinada controlaria 27% do mercado de distribuição de filmes nos EUA, chegando a 30% nos “blockbusters” — produções de alto orçamento que lotam as salas de cinema (e impulsionam vendas de televisores 4K e soundbars, diga-se de passagem). Em TV por assinatura, canais como CNN, CBS, MTV, HGTV, Cartoon Network e Nickelodeon ficariam sob o mesmo guarda-chuva, repetindo a fatia de 27% dos pacotes básicos, o que eleva o poder de barganha diante de operadores de cabo e streaming tradicional.
Na prática, isso significa que redes de exibição poderiam enfrentar taxas maiores para licenciar blockbusters, elevando o preço do ingresso, enquanto as operadoras de TV paga e bundles de streaming teriam menos margem de negociação — pressão que costuma ser repassada ao consumidor final.
Contexto: como fica o “campo de batalha” do streaming?
A Paramount argumenta que a fusão criaria um player capaz de disputar de igual para igual com Netflix e Disney+, líderes de mercado. O Departamento de Justiça (DoJ) já deu sinal verde, e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) também aprovou o negócio no Brasil. Mas há receio de que menos concorrentes resultem em:
- Menor número de filmes lançados anualmente — ameaça direta a cinemas independentes e serviços de aluguel digital;
- Possíveis cortes de equipe e sobreposição de departamentos, encolhendo vagas na indústria audiovisual;
- Pacotes de streaming mais caros ou com catálogos menos diversificados para o usuário final, que já investe em dispositivos como Fire TV Stick 4K ou Chromecast para acessar múltiplos apps.
Comparativo rápido: outras fusões de Hollywood
Para dimensionar o impacto, vale lembrar que a compra da 21st Century Fox pela Disney, em 2019, foi avaliada em US$ 71 bilhões — quase 40% menor que o acordo Paramount-Warner. Já a tentativa da AT&T de fundir a WarnerMedia com a Discovery, que gerou a atual WBD, foi fechada em US$ 43 bilhões. Ou seja, o novo acordo seria, de longe, o maior já visto na indústria.
E se a fusão não sair?
Existe uma cláusula curiosa: a Paramount se comprometeu a pagar US$ 650 milhões por trimestre aos acionistas da WBD caso o negócio não seja concluído até o fim de setembro. É pressão financeira pesada para acelerar o cronograma — algo que os estados querem justamente frear.
Imagem: divulgação
Próximos passos
Caso a Justiça aceite a ação, o calendário da fusão pode deslizar para 2026 ou além, prolongando a guerra por conteúdo premium. Para quem acompanha as novidades de hardware e acessórios gamers, o resultado define quais serviços de streaming virão pré-carregados em smart TVs, consoles e set-tops à venda na Amazon nos próximos anos.
Enquanto isso, os fãs de cultura pop observam ansiosos se veremos futuros crossovers inusitados — imagine um game AAA unindo Star Trek e Senhor dos Anéis rodando em uma GeForce RTX 4060, por exemplo — ou se as franquias continuarão em catálogos separados, mantendo acesa a disputa por sua assinatura (e pelo seu precioso tempo frente à tela).
O tribunal, agora, decide se a poderosa união recebe “luz verde” ou se fica presa nos créditos iniciais.
Com informações de Tecnoblog