O segundo trimestre de 2026 expôs a maior retração do mercado de celulares dos últimos 13 anos. De acordo com a consultoria Counterpoint Research, os embarques globais de smartphones caíram 11% em relação ao mesmo período de 2025, atingindo o volume mais baixo desde 2013. O vilão da vez não é a falta de interesse do consumidor, mas sim a escassez de chips de memória — componente vital que vai da fluidez do sistema operacional até o desempenho em jogos mobile.
Por que a inteligência artificial “roubou” a sua DRAM
Para entender o gargalo, é preciso olhar além dos celulares. Gigantes de nuvem como Amazon AWS, Microsoft Azure e Google Cloud estão investindo pesadamente em data centers voltados a aplicações de inteligência artificial. Essas fazendas de servidores consomem quantidades colossais de HBM (High Bandwidth Memory), um tipo de memória de alta largura de banda essencial para acelerar modelos de IA.
Os principais fornecedores — Samsung, SK hynix e Micron — destinaram linhas de produção para HBM e, inevitavelmente, sacrificaram a fabricação de DRAM convencional e de NAND Flash, as duas peças que compõem o cérebro e o armazenamento dos smartphones. Resultado: menos oferta, preços mais altos e repasse imediato ao consumidor final.
Quando o preço sobe, os modelos de entrada sentem primeiro
O efeito dominó é ainda mais severo nos aparelhos de entrada e intermediários, justamente os que representam o maior volume de vendas globais. Segundo a analista sênior Shilpi Jain, da Counterpoint, esses dispositivos tornaram-se “estruturalmente inviáveis” nos preços praticados antes da crise, obrigando as fabricantes a tomar quatro caminhos:
- Reajustar tabelas e apertar o orçamento do consumidor;
- Abrir mão de parte da margem de lucro;
- Prolongar o ciclo de vida de modelos 2024/2025;
- Lançar promoções-relâmpago ou, em casos extremos, cancelar novos aparelhos.
Para quem planeja trocar de smartphone até o fim do ano, a dica é monitorar feriados de ofertas (Black Friday, Prime Day e afins) e observar modelos de gerações passadas, que tendem a receber descontos agressivos para girar estoque.
Tensão geopolítica encarece o frete e agrava a conta
Como se a escassez de memória não bastasse, as tensões no Oriente Médio elevaram os custos de transporte e combustível. Cada centavo adicional no frete impacta diretamente o valor final do celular na prateleira — on-line ou física.
Quem perdeu e quem ganhou: a nova fotografia do market share
Mesmo em meio à tempestade, duas marcas nadaram contra a corrente:
Imagem: Internet
- Samsung saltou de 20% para 24% de participação, impulsionada pelo flagship Galaxy S26 Ultra, reposição de estoque constante e promoções agressivas.
- Apple avançou de 17% para 20% ao manter inalterado o preço dos iPhones em diversos mercados.
Já o trio chinês sentiu o golpe:
- Xiaomi: de 14% para 12%;
- Oppo: de 12% para 11%;
- Vivo Mobile: de 9% para 8%.
A dependência de linhas de entrada — justamente as mais expostas à alta de componentes — minou a competitividade desses players.
O que esta crise significa para o seu próximo upgrade
Se você busca um novo smartphone em 2026, prepare-se para:
- Ciclos de lançamento mais longos: modelos 2024 e 2025 continuarão nas prateleiras, muitas vezes com melhor custo-benefício do que as versões 2026 encarecidas.
- Foco em valor agregado: fabricantes estão priorizando câmeras melhores, baterias maiores e updates de software prolongados para justificar preços mais altos.
- Ofertas pontuais: fique de olho em cupons e bundles (fones, carregadores) na Amazon e em varejistas parceiros; é onde a margem de desconto tende a aparecer primeiro.
No curto prazo, a expectativa é de que a produção de HBM continue pressionada até, pelo menos, o início de 2027, quando novas fábricas entrarem em operação. Até lá, quem precisar de um smartphone deve fazer compras mais estratégicas, comparar especificações com atenção (especialmente RAM e armazenamento) e aproveitar períodos promocionais para escapar dos picos de preço.
Com informações de Tecnoblog