A Anthropic acaba de colocar no ar o Claude Mythos 5, modelo de inteligência artificial que a própria empresa classifica como “a maior potência de cibersegurança já criada”. Na prática, o novo sistema foi capaz de localizar e construir exploits funcionais para bugs escondidos há mais de duas décadas em projetos consagrados como OpenBSD, FreeBSD e FFmpeg – uma façanha que ameaça mudar, de vez, o ritmo da corrida entre atacantes e equipes de defesa.
Dois irmãos, um motor: Mythos 5 e Fable 5
O anúncio desta terça-feira (9) veio em dose dupla: além do Mythos 5, restrito a parceiros governamentais e ao Project Glasswing, a Anthropic liberou para o grande público o Claude Fable 5. Ambos rodam o mesmo core, mas o Fable traz “travas” que desviam pedidos sensíveis (cibersegurança, biologia, química ou reverse engineering) para o modelo Opus 4.8, menos arriscado. Segundo a empresa, isso ocorre em menos de 5 % das interações.
Caçadora de vulnerabilidades com 27 anos de poeira
Durante um piloto interno em abril, o Mythos Preview – protótipo do modelo – já havia entregue resultados dignos de manchete:
- OpenBSD: encontrou um bug de 27 anos na implementação de ACKs do protocolo TCP, capaz de derrubar máquinas remotamente.
- FreeBSD: explorou, sem ajuda humana, a vulnerabilidade CVE-2026-4747, presente há 17 anos no servidor NFS, que dava acesso root completo.
- FFmpeg (codec H.264): revelou uma brecha de 16 anos que atinge praticamente qualquer serviço de vídeo na web.
Para efeito de comparação, o Opus 4.6 – modelo topo de linha anterior – gerou apenas dois exploits de sucesso em centenas de tentativas no motor JavaScript do Firefox. O Mythos 5 resolveu 181 casos bem-sucedidos no mesmo cenário de teste.
Quanto custa usar tanta potência?
Ambos os modelos chegam com preço agressivo: US$ 10 por milhão de tokens de entrada (~R$ 52) e US$ 50 por milhão na saída (~R$ 260), menos da metade do valor cobrado no preview fechado. Nos planos Claude Pro, Max, Team e Enterprise, o Fable 5 ficará livre de tarifação extra até 22 de junho; depois disso, passa a consumir créditos normalmente.
Por que isso importa para você?
Mesmo que você não seja um pentester, as descobertas do Mythos 5 impactam diretamente o seu notebook, smartphone ou servidor:
Imagem: Internet
- Janela de exposição menor: IA capaz de gerar um exploit funcional enquanto você dorme significa que a atualização automática deixa de ser “boa prática” e vira “obrigação diária”.
- Pressão sobre fabricantes: projetos antes considerados “à prova de bala”, como OpenBSD, já precisaram emitir patches de emergência – e isso tende a acelerar ciclos de correção no ecossistema inteiro.
- Culturas DevSecOps mais rigorosas: equipes de TI terão de monitorar repositórios de dependências (bibliotecas, drivers de GPU, codecs de vídeo) com a mesma atenção que dão a sistemas críticos.
Balança temporariamente a favor dos atacantes
A Anthropic reconhece que, no curto prazo, o poder de automação pode favorecer invasores. Para mitigar o risco, a companhia adotou nova política de retenção de logs por 30 dias em todos os modelos da classe Mythos, buscando identificar tentativas de burlar salvaguardas.
Recomendações práticas
Se você administra servidores de jogos, mantém um canal de streaming ou gerencia um e-commerce, vale revisar imediatamente os seguintes pontos:
- Ative patching automático em sistemas operacionais, navegadores e bibliotecas multimídia (H.264, VP9, AV1).
- Audite dependências antigas – especialmente aquelas compiladas há mais de dez anos.
- Implemente monitoramento em tempo real para eventos de kernel panic ou quedas inesperadas que possam indicar exploração de bugs de longo prazo.
Com o Claude Mythos 5, a barra de dificuldade para quem defende sistemas subiu – mas, se adotarmos ciclos de correção mais ágeis, a própria IA pode virar nossa melhor aliada.
Com informações de Mundo Conectado