A empolgação para trocar o velho kit DDR4 por uma memória RAM DDR5 mais veloz pode ter de esperar. Em uma coletiva com analistas de mercado, executivos da AMD projetaram que a DDR5 permanecerá com preços elevados por, no mínimo, mais dois anos. O motivo? Grande parte das linhas de produção de memória está migrando para fabricar High Bandwidth Memory (HBM), ingrediente indispensável para alimentar placas aceleradoras de Inteligência Artificial (IA).
Por que a DDR5 ficou tão cara, afinal?
Diferente da geração DDR4, a DDR5 entrega frequência superior (até 6.400 MT/s nos módulos de entrada contra 3.200 MT/s da DDR4) e mais largura de banda por módulo. Porém, o ganho de desempenho veio acompanhado de baixa oferta de chips. Fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron redirecionaram parte da capacidade fabril para HBM3 e HBM4, memórias empilhadas usadas em GPUs de datacenter, como as da série NVIDIA H100, e nos recém-anunciados aceleradores MI300X da própria AMD.
O acordo NVIDIA + SK Hynix que azedou o cenário
Reforçando a previsão sombria da AMD, a rival NVIDIA fechou um contrato multibilionário com a SK Hynix para garantir fornecimento exclusivo de HBM4 até 2027. Na prática, isso retira ainda mais silício dos módulos DDR5 que abastecem desktops e notebooks convencionais.
Impacto direto em quem monta ou atualiza PC
Se você estava aguardando a Black Friday para migrar de um Ryzen 5000 ou Intel Core de 10ª/11ª geração para plataformas DDR5, talvez seja hora de ajustar as expectativas:
- Preço vs. benefício: hoje, kits DDR5 de 32 GB ainda custam 2-3 vezes mais que DDR4 de mesma capacidade. O cenário não deve mudar drasticamente antes de 2028.
- Placas-mãe híbridas: modelos LGA 1700 (Intel 12ª/13ª) e AM5 (Ryzen 7000) suportam somente DDR5; já plataformas como B760 e X670E verão queda de preço de CPU antes da RAM — vale monitorar bundles promocionais.
- Jogos e produtividade: benchmarks mostram ganhos de 5 a 15 % em FPS médios na troca DDR4→DDR5 com GPUs high-end. Ainda não é salto “geracional” a ponto de justificar pagar o triplo, a menos que cada frame conte.
HBM: o vilão ou o herói?
A HBM utiliza pilhas de chips conectadas por interposers de silício, entregando até 1,2 TB/s por pacote — algo impossível para DDR5. Para aplicações de IA generativa como ChatGPT ou serviços de nuvem, essa largura de banda é imprescindível. Ou seja, o mercado corporativo paga melhor e garante contratos de longo prazo, deixando o segmento de PCs em segundo plano.
Existe luz no fim do túnel?
Executivos de supply chain estimam que somente após 2027 teremos:
Imagem: William R
- Novos nós de litografia dedicados exclusivamente a DDR5/DDR6;
- Chegada de módulos DDR5 de 3 nm com maior rendimento por wafer;
- Competição de players chineses emergentes, o que pressiona preços.
Até lá, vale ficar de olho em promoções relâmpago na Amazon, kits “open box” e comparar latências: um DDR5 5600 CL36 muitas vezes entrega performance idêntica a um DDR5 6000 CL40, mas custa menos.
Resumo rápido: se a sua build atual já alcança os FPS que você precisa, segure o upgrade. Quem não pode esperar deve priorizar kits DDR5 de 16-24 GB com clock entre 5.600 e 6.000 MT/s — ponto de equilíbrio entre preço e desempenho.
Na guerra entre a fome de IA e a vontade de jogar, por enquanto, a IA está ganhando.
Com informações de Hardware.com.br