Em menos de um mês, o MacBook Neo tornou-se o notebook que mais cresce em vendas nos Estados Unidos e em vários outros mercados estratégicos. Segundo a consultoria IDC, a Apple despachou cerca de 1,1 milhão de unidades nos primeiros 20 dias após o lançamento, o que equivale a 55 mil unidades por dia. Para efeito de comparação, poucos modelos com Windows passam da barreira de 300 mil notebooks por trimestre nessa faixa de preço.
Por que o Neo está vendendo tanto?
A Apple atacou justamente o segmento intermediário — o que mais vende no varejo — com preços a partir de US$ 599 (ou US$ 499 para escolas). Esse valor coloca o MacBook Neo lado a lado de Chromebooks premium e de ultrabooks com processadores Intel Core i5 ou AMD Ryzen 5, mas oferecendo:
- Chip Apple A18 de 3 nm com GPU integrada baseada em arquitetura de console;
- Promessa de até 18 horas de bateria, bem acima da média de 9 horas dos concorrentes;
- Tela Retina de 13 polegadas com 500 nits e ampla gama de cores P3;
- Integração nativa com iPhone, iPad e serviços como iCloud+ e Apple Arcade.
Impacto prático para quem joga ou trabalha
Para gamers ocasionais, o ganho de performance gráfica é percebido em títulos otimizados para Metal 3, como Resident Evil Village ou No Man’s Sky, que rodam a 60 fps em resolução 1080p. Quem trabalha com edição de vídeo nota renderizações até 35% mais rápidas em Final Cut Pro, graças ao motor de codificação ProRes dedicado.
Pressão sem precedentes na cadeia de PCs
Enquanto outras fabricantes precisam negociar memória RAM e SSD mais caros, a Apple utiliza seu enorme volume de compras para segurar custos. De acordo com o analista Ming-Chi Kuo, a empresa dobrou os pedidos de produção e já revisou a projeção de 5 milhões para 10 milhões de unidades em 2026.
Do lado oposto, a IDC projeta queda de 11,3 % nas remessas globais de PCs neste ano, com recuo de 20 % apenas no quarto trimestre. Ou seja, o bolo encolheu, mas a fatia da Apple cresceu.
Resposta dos concorrentes
Diante do tsunami Neo, marcas como Lenovo, Acer e HP correm para lançar modelos ARM com Windows on Snapdragon ou MediaTek Kompanio, além de promoções agressivas. O problema? Nenhuma delas atinge escala lucrativa no curto prazo. Segundo a IDC, a Apple deve ser “o único fornecedor de notebooks a registrar crescimento” em 2026 se nada mudar.
Imagem: Jny Evans
Educação e empresas: as joias da coroa
O ticket de US$ 499 para escolas coloca o Neo como substituto natural de Chromebooks que já não recebem atualizações. No corporativo, o TCO (custo total de propriedade) mais baixo graças a menor manutenção e maior valor de revenda tem atraído departamentos de TI que antes ignoravam Macs.
O que esperar nos próximos meses?
A escassez global de memória deve durar até 2027, elevando preços e comprimindo margens de quem depende de terceiros. Com design de chip próprio, controle de sistema operacional e negociação direta de componentes, a Apple mantém “cartas na manga” para segurar o preço do Neo enquanto a concorrência decide se aumenta valores ou corta features.
Para o consumidor final — seja estudante, gamer casual ou profissional de criação — isso significa mais performance por dólar agora e, possivelmente, uma valorização maior na hora da revenda. Não à toa, o Neo segue no topo da lista de mais vendidos da Amazon EUA, eclipsando até modelos consagrados como o Acer Swift X e o Lenovo Yoga Slim.
Com informações de Computerworld