Se você está cogitando trocar de smartphone nos próximos meses, provavelmente já se deparou com alguma promoção tentadora da Motorola. A marca tem tradição no mercado, exibe fichas técnicas atraentes e costuma aparecer com preços promocionais nas operadoras. Mas, ao olhar mais de perto, o negócio pode não ser tão bom assim. A seguir, explicamos por que cada vez mais especialistas recomendam passar longe dos aparelhos Motorola — e quais alternativas entregam mais valor pelo seu dinheiro.
1. Atualizações de software: o calcanhar de Aquiles da Motorola
Todo ano o Android evolui com correções de segurança, recursos de privacidade e melhorias de desempenho. Acontece que, historicamente, a Motorola figura nos piores lugares de qualquer ranking de atualização. Modelos lançados há menos de 12 meses muitas vezes recebem apenas uma grande atualização — e olhe lá, chegando com atraso de seis, oito ou até doze meses.
Para quem usa o celular no trabalho ou armazena dados sensíveis, permanecer em versões desatualizadas é mais do que incômodo: é um risco real de segurança. Marcas como Google (linha Pixel) e Samsung (linha Galaxy A e S) já oferecem roadmaps claros de até cinco anos de updates e patches mensais — algo que a Motorola simplesmente não entrega.
2. Bloatware, anúncios e práticas questionáveis
Além do atraso nas atualizações, aparelhos recentes da Motorola foram flagrados com uma prática nada amigável: injeção de códigos de afiliado dentro do app da Amazon. Em outras palavras, a empresa lucrava às escondidas toda vez que o usuário finalizava uma compra pelo celular. A funcionalidade foi implementada via parceria com a empresa Device Native, especializada em “anúncios nativos” dentro do sistema.
Após a repercussão negativa, a Motorola declarou que o comportamento era “não intencional”. Mas o dano à confiança já estava feito. Some a isso a quantidade de aplicativos pré-instalados — que você nem sempre consegue remover — e fica claro que a experiência “quase pura” de Android vendida no passado já era.
3. Quando o preço engana: concorrentes que entregam mais
Os celulares da Motorola não são exatamente baratinhos. Modelos intermediários giram em torno de R$ 1.800 a R$ 2.500, faixa de preço onde brilham opções como:
- Samsung Galaxy A54 5G: tela AMOLED de 120 Hz, IP67 contra água, quatro anos de Android garantidos e cinco de patches mensais.
- Samsung Galaxy A34 5G: mesmo compromisso de software do irmão maior, bateria de 5.000 mAh e câmera principal de 48 MP com OIS.
- Google Pixel 7a (importado): processador Tensor G2, câmeras referência no mercado e cinco anos de suporte direto do Google.
Todas essas alternativas chegam com menos apps inúteis, melhor política de atualização e desempenho de câmera superior — pontos que fazem diferença no uso diário e, principalmente, no valor de revenda.
Imagem: JR Raphael C
4. Impacto no dia a dia: por que isso importa para você?
Talvez você não se considere um “hard user”, mas atualizações e privacidade afetam qualquer pessoa que use app de banco, redes sociais ou armazene fotos no celular. Um aparelho sem patch de segurança recente é alvo fácil para malwares e golpes, cada vez mais comuns no Brasil.
Já o bloatware consome espaço, bateria e dados móveis. E, convenhamos, ninguém quer pagar caro para ver anúncios adicionais no sistema que acabou de comprar. No final das contas, esses detalhes afetam a velocidade, a autonomia e até o valor de revenda do seu smartphone.
Conclusão: a Motorola já foi sinônimo de boas escolhas na era do Moto G original, mas, em 2024, quem busca longevidade, segurança e experiência limpa tem opções muito melhores no mesmo patamar de preço. Antes de aproveitar aquela “super oferta”, vale comparar as políticas de atualização, a quantidade de aplicativos pré-instalados e, claro, as especificações de câmera, bateria e tela. Seu bolso — e seus dados — agradecem.
Com informações de Computerworld