Comprar roupa on-line sem medo de errar o tamanho acaba de ganhar um reforço de peso. O Google começou a liberar nesta terça-feira (26) o Provador Virtual — conhecido lá fora como “Try On” — para usuários brasileiros do Google Shopping. A novidade usa inteligência artificial generativa para simular, em segundos, como a peça veste no seu corpo antes de você fechar a compra.
Por que isso importa?
Moda é responsável por uma das maiores taxas de devolução no e-commerce. Segundo consultorias do setor, entre 30% e 40% das compras de vestuário retornam ao estoque porque o caimento decepciona. Além do transtorno para o consumidor, cada logística reversa encarece a operação e gera desperdício de embalagens. O Google aposta que o Provador Virtual pode aumentar a conversão e, ao mesmo tempo, derrubar a quantidade de devoluções — pontos que interessam tanto às lojas quanto a quem quer economizar tempo (e frete).
Como o Provador Virtual funciona
A ferramenta vai além de sobrepor uma foto da camiseta no seu retrato. O Google treinou um modelo proprietário de IA para interpretar:
- Proporções do corpo humano em diferentes poses;
- Texturas, gramaturas e elasticidade de tecidos variados;
- Dobramentos naturais e sombreamento realista.
O resultado é uma renderização consistente, que tenta replicar a forma como a roupa se ajusta aos ombros, cintura e quadril. Tudo isso acontece na nuvem em questão de segundos.
Passo a passo para testar
- Acesse o Google Shopping: digite o produto (ex.: “camiseta masculina dry fit”) na busca do Google e toque na aba Shopping.
- Clique em “Prove o Look”: o botão aparece logo abaixo da foto da peça, quando o recurso está habilitado para aquela oferta.
- Envie uma foto de corpo inteiro: use roupas neutras — camiseta lisa e jeans funcionam bem — para facilitar o mapeamento da silhueta.
- Analise o caimento e decida: se gostar do resultado, selecione “Comprar” para ser redirecionado ao site da loja.
O que dá para provar (e o que ainda não)
A tecnologia estreia com bom suporte a camisetas, camisas, vestidos, calças, tênis e sapatos baixos. Como a IA precisa entender volumes e texturas mais complexos, ainda há limitações:
- Botas de cano alto: cano e dobraduras complicam a renderização;
- Lingerie e moda praia: questões de privacidade e sensibilidade do usuário;
- Look completo: por enquanto só é possível testar uma peça por vez;
- Recomendação de tamanho: o Google não indica numeração, justamente por não existir padrão de medidas entre as marcas.
Privacidade: sua foto não vai treinar o próximo modelo de IA
De acordo com o Google, as imagens enviadas são usadas exclusivamente para gerar a simulação e não entram no banco de dados de treinamento. A companhia não especifica por quanto tempo a foto fica armazenada, mas garante que não será reutilizada em outros produtos nem compartilhada com terceiros.
Imagem: Internet
Como isso se compara a outras soluções do mercado?
Amazon, Zara, Snapchat e até startups brasileiras já brincam com provadores de realidade aumentada. A diferença é que, na maioria dos concorrentes, o processo depende de aplicativos dedicados ou de câmeras com sensores 3D. O Google aposta no alcance gigantesco do próprio buscador: basta ter um smartphone com câmera razoável — aqui, modelos como o Galaxy S24, iPhone 15 ou qualquer intermediário com 12 MP já são suficientes.
Próximos passos e impacto no bolso
Patrícia Moreira, head de Moda e Beleza do Google Brasil, afirma que a IA será calibrada continuamente com feedback dos usuários. A expectativa é que, conforme o índice de devoluções caia, as lojas possam repassar o ganho de eficiência em promoções e fretes mais baratos — um cenário que interessa a quem quer economizar para investir em outros gadgets, como aquele teclado mecânico ou mouse gamer que você acompanha em promoção.
O Provador Virtual está sendo liberado em ondas. Se o botão ainda não apareceu para você, vale tentar novamente nos próximos dias e manter o Google Shopping atualizado no navegador ou app.
Com informações de Mundo Conectado