A Ferrari colocou o pé no futuro — sem abandonar a herança clássica — ao revelar o Luce, seu primeiro elétrico, equipado com quatro telas OLED exclusivas da Samsung Display. O conjunto estreia uma arquitetura inédita de painel em camadas, onde ponteiros mecânicos atravessam os displays por furos de 100 mm, 20 vezes maiores que aqueles usados em câmeras de smartphones. Resultado? Um efeito tridimensional que faz qualquer tela “convencional” parecer coisa do passado.
Por que esse cockpit é tão diferente?
Na maioria dos elétricos de luxo, a solução é uma única tela gigante — basta lembrar da Hyperscreen da Mercedes ou do layout da Tesla. A Ferrari, guiada pelo designer Sir Jony Ive (ex-Apple), optou por dividir as informações em zonas específicas. Isso mantém a ergonomia esportiva e facilita o foco do motorista:
- Instrumentos (camada inferior): 12″ exibindo velocidade, autonomia e marchas.
- Instrumentos (camada superior): 12,9″ com gráficos dinâmicos (força G, pop-ups).
- Console central: 10,1″ em modo relógio, cronômetro ou bússola, sempre com ponteiros físicos.
- Painel traseiro: 6,3″ para climatização e entretenimento dos passageiros.
HIAA turbinado: do furo de selfie ao furo de cronógrafo
A magia por trás das telas é a evolução da tecnologia Hole in Active Area (HIAA), criada em 2019 para acomodar câmeras sob o display do Galaxy S10. No Luce, o diâmetro salta de 5 mm para 100 mm — algo inédito em painéis automotivos. Para não comprometer contraste nem vida útil do OLED, a Samsung redesenhou as trilhas elétricas e aplicou Thin-Film Encapsulation, uma barreira que protege o material orgânico contra umidade e oxigênio.
Painel principal: dois OLEDs empilhados, um só espetáculo
Imagine um relógio suíço dentro do volante. A camada inferior fornece o fundo gráfico; a superior traz três círculos onde ponteiros de hora, minuto e segundos completam giros de 360°. O espaço físico entre as camadas cria profundidade real, não apenas animação. Mesmo sob sol forte ou em ângulos extremos, o OLED mantém contraste absoluto graças à emissão de luz pixel a pixel.
Console central: relógio de pulso high-tech
Ao toque de um botão, a tela de 10,1″ alterna de relógio analógico para cronômetro de pista ou bússola interativa. Os ponteiros mecânicos, visíveis a olho nu, giram sobre a interface digital, entregando feedback tátil — algo que drivers cansados de menus 100% touch vão agradecer. Estudos da VW e Hyundai já indicam: botões e ponteiros reduzem o tempo de distração do condutor.
Passageiros traseiros também entram no jogo
Quem viaja atrás conta com 6,3″ dedicados a climatização e mídia. A experiência lembra o que BMW i7 e Mercedes EQS oferecem, mas com a vantagem da uniformidade visual: as quatro telas usam a mesma matriz de cores e animações desenhadas pela LoveFrom, criando um ambiente coeso sem parecer uma colagem de tablets.
OLED x LCD: números que fazem diferença em um EV
- Sem backlight: painel 30% mais fino, bom para reduzir peso e abaixar o centro de gravidade.
- Formato livre: curvas e furos grandes não prejudicam a imagem.
- Eficiência energética: pixels pretos consomem quase zero, aliviando a bateria de 122 kWh em viagens longas.
Ferrari Luce em resumo técnico
Quatro motores totalizando 1 113 cv, 0–100 km/h em 2,5 s, autonomia de 530 km e arquitetura de 800 V — números que posicionam o sedã de €550 mil (cerca de R$ 3,4 mi) para brigar com Porsche Taycan Turbo GT e Lucid Air Sapphire. A produção começa em 2026 e, se o histórico da Via Italia se repetir, as primeiras unidades devem chegar ao Brasil entre o fim de 2026 e início de 2027.
Imagem: Internet
Impacto no mercado de displays — e no seu setup
Para a Samsung Display, o Luce serve de vitrine para levar OLEDs perfurados a outros segmentos — painéis de aviação, consoles gamers e, claro, monitores curvos para PC. Se a marca já domina 50 % do fornecimento automotivo premium, a adoção desse design modular pode acelerar a transição do LCD em setores onde flexibilidade e contraste são vitais, como sim racing e creators que precisam de fidelidade de cores.
Em curto prazo, espere ver monitores OLED com recortes maiores para webcams embutidas ou controladores físicos, soluções que prometem a mesma mistura de feedback tátil e navegação fluida que o cockpit do Luce apresenta hoje.
No fim das contas, o primeiro Ferrari elétrico pode ter dividido opiniões do lado de fora, mas o interior já colocou a concorrência na tomada. E a Samsung sai na frente com patentes suficientes para ditar o ritmo dessa corrida luminosa.
Com informações de Mundo Conectado