Prepare-se para um salto no mundo do vídeo digital. A Alliance for Open Media (AOMedia) definiu o dia 29 de maio como a data oficial de lançamento da versão 1.0.0 do AV2, sucessor direto do já popular AV1. A documentação final do novo padrão acaba de ser carimbada no repositório da entidade, encerrando um atraso de cinco meses em relação ao cronograma inicial, que previa a homologação até o fim de 2025.
Por que o AV2 importa para você?
O codec estreia com algoritmos de compressão ainda mais agressivos, projetados para reduzir o consumo de dados em transmissões simultâneas de alta resolução. Na prática, isso significa menos travamentos e buffers para quem assiste a lives em 4K — e até em 8K no futuro — mesmo em conexões de internet medianas.
Além disso, o AV2 traz suporte nativo a divisão de tela (multi-view), realidade virtual (VR) e realidade aumentada (AR), tecnologias que vêm ganhando espaço em jogos e aplicativos colaborativos. Para o gamer, isso pode se traduzir em experiências de streaming mais suaves na Twitch ou em plataformas de cloud gaming, com menor latência e uso de banda.
Sem royalties: um tiro direto no modelo MPEG
Tal como o AV1, o AV2 chega sem custos de licenciamento. Isso destrava a adoção em navegadores, players de mídia e serviços de streaming, algo que o concorrente VVC (H.266) — mantido pelo consórcio MPEG — não consegue igualar devido às taxas por dispositivo. A gratuidade é o fator que fez gigantes como YouTube e Netflix migrarem gradualmente para o AV1 e deve repetir o roteiro com o AV2.
O impacto nos seus futuros gadgets
Mesmo com a especificação pronta, a integração em silício leva tempo. Veja o histórico recente:
- NVIDIA: decodificação AV1 estreou nas placas GeForce RTX 30; a codificação só apareceu na linha RTX 40.
- AMD: suporte a decodificação a partir das Radeon RX 6000, codificação chegando em gerações subsequentes.
Com a chegada do AV2, projeta-se uma nova rodada de redesign de GPUs e SOCs de smartphones nos próximos três anos fiscais. Quando esses chips aterrissarem no varejo, o usuário final poderá assistir a vídeos de alta fidelidade consumindo menos bateria e gerando menos calor, já que a tarefa será descarregada em blocos lógicos dedicados.
AV2 x AV1: o que realmente muda?
O AV1 marcou presença em 2018, mas sua adoção plena só ganhou tração depois que provedores de conteúdo investiram pesado em servidores. Com o AV2, o ecossistema já amadureceu — players de mídia, softwares de edição e grandes plataformas estão preparados para atualizar pipelines de forma mais ágil. Em outras palavras, o gap entre a padronização e o consumo em massa tende a encolher.
Imagem: William R
E o usuário Apple?
A Apple mantém forte alinhamento com o consórcio MPEG e, por enquanto, aposta no HEVC/H.265 e no futuro VVC. Isso cria uma fragmentação no suporte a codecs entre iOS/iPadOS e o restante do mercado. A pressão pelo AV2 gratis, porém, pode levar a gigante de Cupertino a repensar sua estratégia — especialmente se criadores de conteúdo e plataformas priorizarem o novo padrão.
O que observar nos próximos meses
1. Atualizações de software: espere ver navegadores como Chrome e Firefox habilitando decodificação via CPU antes mesmo de haver GPUs com suporte nativo.
2. Anúncios de hardware: fabricantes devem usar lançamentos de placas de vídeo, notebooks gamers e mini-PCs para estrear aceleradores AV2.
3. Serviços de streaming: plataformas que lidam com altas taxas de banda (YouTube, Netflix, Twitch) têm incentivo financeiro direto para migrar rápido.
A contagem regressiva está em andamento. Se você planeja montar ou atualizar o seu setup — seja um PC gamer, seja um notebook focado em criação de conteúdo — vale ficar de olho nas próximas gerações de processadores e GPUs. Elas serão o passaporte para desfrutar vídeos 4K/8K mais leves, transmissões estáveis e experiências de realidade mista sem esquentar (nem a máquina, nem o bolso).
Com informações de Hardware.com.br