Imagine um drone que sai da caixa, recebe a carga útil necessária em 90 minutos e já decola para missões de reconhecimento, guerra eletrônica ou ataque de precisão — tudo a partir de qualquer caminhão, navio ou helicóptero. Esse é o Mayhem 10, solução recém-revelada pela AeroVironment e cotada para ser a próxima peça-chave do Exército norte-americano.
Apelidado internamente de “canivete tático”, em alusão à família Switchblade, o Mayhem 10 foi desenvolvido nos últimos dois anos e deve entrar em produção de baixa cadência em 2025. A proposta segue a filosofia de “lançados de efeitos” (Launched Effects-Short Range) do Pentágono, que busca munições inteligentes descartáveis, rápidas de implantar e baratas de operar.
O que muda na prática?
Para militares — e, indiretamente, para a indústria de drones civis — o Mayhem 10 representa três grandes avanços:
- Arquitetura 100% modular: nariz removível que aceita mais de oito tipos de payload. De ISR (Inteligência, Vigilância e Reconhecimento) a ataques cinéticos, basta trocar o “cartucho” frontal.
- Lançamento express: menos de 5 minutos entre o comando e a decolagem, graças a um booster foguete — preferência declarada do Exército após testes com geradores de gás.
- Autonomia assistida por IA: processador embarcado mantém o voo mesmo sem GPS, uma resposta direta aos bloqueios de sinal cada vez mais comuns em zonas de conflito.
Ficha técnica comparada
Para quem acompanha hardware militar, os números falam alto:
- Peso de carga útil: até 4,5 kg (o dobro do Switchblade 600).
- Alcance operacional: ≈100 km — similar ao “drone de papelão” FU-X japonês, mas com sensores superiores.
- Tempo de voo: 50 min.
- Velocidade de implantação: <5 min.
Em outras palavras, ele mantém a compacidade dos pequenos loitering munitions, mas já entra na classe tática com capacidade de destruir veículos blindados leves.
Payloads já integrados
Segundo a fabricante, a integração física de uma carga de terceiro levou apenas 90 minutos — um tempo recorde em programas militares. Eis as funções confirmadas:
- ISR: câmeras EO/IR de longo alcance.
- Guerra eletrônica: bloqueio ou detecção de emissores.
- Cinética: ogivas HEAT para perfurar blindagem.
- Retransmissão: nó de comunicação para tropas avançadas.
- Engodo: saturação de radares.
- Anti-radar: função semelhante ao míssil AGM-88 HARM.
Drones em enxame: força multiplicada
O Mayhem 10 foi projetado para operações colaborativas. Controlados pela suíte AV_Halo e pelo comando portátil Tomahawk Grip, vários drones podem dividir alvos, compartilhar telemetria em tempo real via rede mesh MANET e confundir defesas inimigas simplesmente pelo volume de unidades no ar.
Imagem: Internet
IA embarcada e comunicação segura
O sistema usa GPS M-Code, datalink Silvus e criptografia ponta a ponta, garantindo comando entre 26 e 40 km mesmo sob interferência. É um reflexo direto dos conflitos recentes, onde a perda de sinal é rotina e a autonomia baseada em visão computacional virou quesito obrigatório.
Da bancada à linha de produção
Mais de 50 voos de teste — alguns com munição real — já foram realizados. A AeroVironment espera atingir o TRL 8 (Tecnologia Qualificada) ainda neste verão do hemisfério norte. A primeira linha em Simi Valley deve entregar 10 unidades/mês, escalando para 100 após 2026. Uma segunda planta em Salt Lake City ampliará a capacidade para até 2 mil drones anuais.
Ainda não há contrato assinado, mas conversas avançadas envolvem o Exército e o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA. Se concretizado, o Mayhem 10 pode abrir caminho para uma família inteira de drones “plug-and-play”, conceito que — guardadas as devidas proporções — já inspira startups civis a vender quadricópteros modulares para filmagens, mapeamento 3D e até agricultura de precisão.
No cenário global onde drone é o novo PC, o Mayhem 10 mostra como a flexibilidade de hardware e software será o diferencial competitivo, seja no campo de batalha ou no seu próximo projeto de filmagem aérea.
Com informações de Mundo Conectado