Enquanto a maioria de nós batalha para encontrar um cantinho na sala para o console ou o PC gamer, um entusiasta do sul da Califórnia decidiu ir muito além: derrubou as paredes do depósito de casa e ergueu um salão de fliperamas de 74 m². O espaço, inaugurado após uma reforma nada modesta, agora abriga nada menos que 62 gabinetes originais — boa parte deles verdadeiras relíquias dos anos 80 e 90.
23 anos de garimpo (e investimento pesado)
Conhecido no Reddit pelo usuário “fatherpain2”, o colecionador revelou que a jornada começou há mais de duas décadas. Nos primeiros anos, ele comprava carcaças danificadas e restaurava por conta própria. Porém, conforme a demanda por arcades bem conservados disparou, a estratégia mudou: pagar fretes salgados por máquinas já em estado de fábrica se mostrou a única forma de manter a qualidade do acervo.
O resultado? Um inventário avaliado em dezenas de milhares de dólares, formado por clássicos como Star Castle (com monitor vetorial colorido), Paperboy e o raríssimo simulador Panic Park, da Namco. Nos bastidores, três gabinetes no estilo “candy cab” japonês mantêm o setup enxuto ao aceitar troca rápida de placas PCB, possibilitando títulos como Golden Axe e In The Hunt sem ocupar mais metragem.
Logística de gente grande: climatização, energia e armazenamento
Quem acha que colecionar fliperamas se resume a ligar a máquina na tomada se engana. Monitores CRT geram muito calor, e a nova ala exigiu a instalação de um segundo sistema de ar-condicionado split dedicado. Para não transformar a residência num canteiro de obras, todo o entulho do antigo depósito foi acondicionado em caixas plásticas transparentes e guardado sob o piso elevado da casa.
Ainda assim, o problema do espaço persiste: mesmo após a expansão, oito gabinetes continuam sem ponto de energia ou local definitivo. A falta crônica de metros quadrados lembra que, por mais romântico que seja ter um fliperama doméstico, a conta de luz e o espaço físico não perdoam.
Por que isso importa para gamers e colecionadores?
O caso californiano reforça duas tendências que afetam quem pensa em investir em hardware retrô:
Imagem: William R
- Valorização acelerada: máquinas completas, com CRT original e arte intacta, já custam até 5 × mais do que há dez anos. Quanto mais raro o título, maior o ágio.
- Manutenção especializada: peças de reposição para placas JAMMA, flybacks e chassis de monitores tornam-se escassas. Ter conhecimento técnico — ou um bom prestador de serviço — é essencial.
Para quem cogita montar um setup menor, vale considerar soluções híbridas como painéis LCD multijogos, gabinetes em escala 3:4 e mesmo consoles retrô com saída HDMI. Eles ocupam menos espaço, geram menos calor e dispensam climatização extra, embora percam parte da autenticidade e do charme do tubo.
O próximo nível?
Apesar da expansão, o proprietário admite que a coleção “estacionou” por enquanto: o terreno simplesmente acabou. A alternativa, segundo ele, seria vender parte do acervo ou investir em gabinetes modulares que recebam sistemas modernos de emulação sem sacrificar a estética clássica — algo que muitos colecionadores começam a adotar para equilibrar nostalgia, praticidade e custos.
No fim das contas, a história serve como inspiração (ou aviso) para quem sonha em ter o próprio fliperama: paixão é indispensável, mas planejamento de espaço, energia e manutenção podem fazer toda a diferença.
Com informações de Hardware.com.br