Se você usa o Microsoft Edge para guardar logins e senhas, chegou a hora de atualizar o navegador o quanto antes. A Microsoft liberou a versão 148 em todos os canais — Estável, Beta, Dev e Canary — para eliminar um comportamento considerado perigoso: o armazenamento de todas as credenciais em texto simples (clear-text) na memória RAM durante a inicialização do browser.
O que, exatamente, acontecia?
Na prática, assim que o Edge era aberto, ele descriptografava cada senha salva e deixava tudo em RAM, independentemente de você acessar ou não o site correspondente. Isso foi descoberto pelo pesquisador de segurança norueguês Tom Jøran Sønstebyseter Rønning, que comprovou a falha ao extrair, em segundos, dezenas de logins direto da memória do processo.
Sem criptografia nesse espaço, malwares com privilégio de leitura de memória — os clássicos infostealers — precisavam de muito pouco esforço para colher dados sensíveis. Bastava que o PC estivesse comprometido em nível de usuário para todo o seu catálogo de sites, redes sociais e bancos ficar disponível como um arquivo .txt.
Primeira resposta fria, pressão quente
No início de maio, a Microsoft afirmou que esse era um “comportamento esperado” e que só haveria risco caso o sistema já estivesse totalmente dominado. Rønning rebateu: “Isso não significa que devemos facilitar o trabalho do invasor”. A repercussão negativa tomou conta de fóruns de segurança e redes sociais, forçando Redmond a rever a postura.
Atualização silenciosa, mas essencial
Sem muitos detalhes técnicos — a empresa não explicou qual abordagem criptográfica adotou — o Edge 148 parou de carregar as senhas em clear-text na inicialização. A correção chega via atualização automática; portanto, basta reiniciar o navegador para ficar protegido. Para confirmar a versão:
- Menu … > Ajuda e feedback > Sobre o Microsoft Edge.
- Verifique se o número indicado começa com 148.xxx.
Chrome, Firefox e afins também correm risco?
Google Chrome e Mozilla Firefox realizam o preenchimento automático, mas mantêm as senhas criptografadas na RAM até que você ative o autocompletar no site em questão. Ou seja, os concorrentes já adotavam uma camada extra de proteção que o Edge, agora, passa a replicar.
Por que isso importa para você — e para o seu hardware gamer
Quem investe em hardware de alto desempenho para jogar ou trabalhar sabe que contas de jogos, serviços de streaming e carteiras digitais valem quase tanto quanto a GPU no slot PCIe. Um ataque que vasculha a memória pode acontecer enquanto você joga online, quando o consumo da CPU e da GPU está no pico e você menos percebe brechas de segurança.
Imagem: Vitor Pádua
Além de manter o navegador atualizado, considere emparelhar a proteção do Edge com:
- Windows Hello + TPM 2.0 — aumenta a barreira contra acessos físicos não autorizados;
- Gerenciadores de senhas dedicados que oferecem criptografia de ponta a ponta e autenticação em duas etapas;
- Antivírus com módulo anti-infostealer, leve o bastante para não engasgar seu Ryzen ou Core de última geração durante partidas competitivas.
Próximos passos da Microsoft
A companhia afirmou que seguirá “otimizando a forma como dados sensíveis são manuseados em memória” — sinal de que mais mudanças podem chegar nos próximos ciclos de atualização. Para o usuário final, a lição é clara: mantenha o Edge em dia e reveja periodicamente onde você armazena suas credenciais.
No fim das contas, a correção veio rápido, mas serviu de alerta: mesmo grandes players podem deixar brechas surpreendentes. Fique atento, atualize seus softwares e proteja suas senhas como se fossem parte do seu setup de hardware.
Com informações de Tecnoblog