Uma suposta oferta de repetidor de sinal feita por um técnico terceirizado da Vivo virou caso de polícia e tomou conta das redes sociais nesta semana. A arquiteta e apresentadora Stephanie Ribeiro, moradora da capital paulista, relatou ter sido ameaçada depois de se recusar a pagar por um equipamento via Pix para a conta pessoal do prestador de serviço. O episódio levou a Vivo a emitir um pedido público de desculpas e a prometer uma investigação rigorosa sobre a empresa parceira responsável pelo profissional.
O que aconteceu, afinal?
De acordo com o relato de Stephanie, o técnico chegou para instalar internet e TV por assinatura. Durante a visita, ele ofereceu um repetidor de sinal Wi-Fi — item que costuma custar entre R$ 120 e R$ 400 em lojas especializadas. O problema começou quando, na hora do pagamento, a chave Pix apresentada pelo trabalhador era de pessoa física, algo que não faz parte do procedimento oficial da operadora. Orientada pelo gerente de uma loja Vivo a não concluir a transação, a cliente recebeu ameaças e, logo depois, teve todos os seus serviços cancelados de forma indevida.
Segundo documentos divulgados pela própria vítima, até e-mails da Vivo passaram a chegar solicitando a devolução dos aparelhos do combo contratado, indicando possível uso indevido de seus dados cadastrais.
Posicionamento da Vivo
Em nota ao Tecnoblog, a Vivo confirmou que já restabeleceu os serviços de Stephanie e abriu apuração interna junto à terceirizada. A operadora diz estar “tomando todas as medidas cabíveis” e garante ter entrado em contato direto com a consumidora para pedir desculpas.
Por que esse golpe preocupa?
Embora o caso tenha ganhado visibilidade, não se trata de episódio isolado. Comentários de outros assinantes nas redes sociais indicam que a prática — oferecer acessórios de rede por fora e exigir Pix — pode estar mais disseminada do que se imaginava. Normalmente, o assinante recebe o modem/roteador oficial da operadora em regime de comodato, sem custo adicional. Qualquer venda de equipamento extra deve ser documentada na fatura ou em contrato, jamais em pagamento instantâneo para conta de pessoa física.
Como identificar o golpe do “técnico”?
- Pix para CPF desconhecido: Operadoras de grande porte utilizam CNPJ e descrevem a venda na própria fatura.
- Pressa ou ameaça: Se o prestador pressiona para fechar “na hora”, desconfie.
- Lacres violados: Equipamentos novos vêm selados. Embalagem aberta pode indicar produto de origem duvidosa.
- Ausência de nota fiscal: Qualquer item vendido precisa de NF eletrônica — peça o DANFE na hora.
- Cancelamento repentino dos serviços: Se isso ocorrer após negar a compra, contate a operadora imediatamente e registre boletim de ocorrência.
Repetidor, roteador ou mesh: qual a opção mais segura para turbinar o Wi-Fi?
A procura por sinal mais forte em cômodos afastados fez explodir a oferta de acessórios de rede doméstica. Entenda a diferença entre eles e descubra qual faz sentido para seu caso:
Repetidor tradicional: Capta o sinal do roteador e o replica. É o modelo que costuma ser oferecido em golpes porque tem preço baixo e aparência compacta. No entanto, pode reduzir pela metade a velocidade do link original.
Imagem: Internet
Roteador Wi-Fi dedicado: Substitui ou trabalha em conjunto com o aparelho da operadora, oferecendo antenas mais potentes, QoS avançado e controles de segurança. Marcas como TP-Link, D-Link e ASUS já adotam WPA3 e gerência via app, facilitando a configuração pelo usuário.
Sistema mesh: Formado por duas ou mais unidades, cria uma malha única de sinal, ideal para apartamentos grandes ou casas de dois andares. Modelos de entrada — por exemplo, kits dual-band AX1800 — já rodam Wi-Fi 6, suportando dezenas de dispositivos inteligentes sem gargalo.
Antes de abrir a carteira, verifique se o padrão Wi-Fi (5 GHz, Wi-Fi 6 ou 6E) é compatível com seu plano de internet e se o fabricante oferece atualizações de firmware, fator crucial para evitar invasões.
Checklist rápido de segurança para próximas visitas técnicas
- Exija identificação do técnico e confirme a ordem de serviço.
- Anote protocolo ou número de OS antes de autorizar qualquer alteração.
- Mantenha os dados do seu contrato à mão e evite compartilhar senhas do roteador.
- Qualquer cobrança extra deve constar na fatura ou em aditivo contratual.
- Diante de suspeita, encerre a visita e entre em contato pelos canais oficiais (app Meu Vivo, telefone 103 15 ou loja física).
Golpes de engenharia social evoluem, mas a regra é simples: transparência na cobrança e documentação formal são obrigações de qualquer prestadora de serviços. Fique atento e proteja seus dados — e, quando quiser melhorar o Wi-Fi de casa, prefira comprar em varejistas de confiança, que emitem nota fiscal e oferecem política de devolução clara.
Com informações de Tecnoblog