A Samsung Electronics decidiu encerrar a venda de televisores, geladeiras e máquinas de lavar em um dos mercados mais disputados do planeta: a China. O anúncio, confirmado pelo Wall Street Journal, sinaliza não apenas a força das marcas locais — como TCL, Hisense e Haier —, mas também uma mudança de rota na estratégia global da gigante sul-coreana.
Por que a Samsung joga a toalha?
Segundo dados da consultoria AVC Revo, a participação da Samsung no varejo físico chinês despencou para meros 3,62 % em TVs, 0,41 % em geladeiras e só 0,38 % em máquinas de lavar. Já os concorrentes domésticos controlam mais de 90 % do mercado de televisores e cerca de 60 % do segmento total de eletrodomésticos.
Esse encolhimento levou a divisão de Consumer Electronics da Samsung a reportar um prejuízo operacional de 200 bilhões de won (cerca de R$ 715 milhões) em 2023. Ao mesmo tempo, a companhia precisa preservar margens para continuar investindo em tecnologias-chave como Mini LED, OLED e inteligência artificial embarcada — recursos que, aliás, elevam o tíquete médio dos modelos vendidos no Ocidente e em marketplaces como a Amazon Brasil.
Chips em alta, eletrodomésticos em baixa
Curiosamente, enquanto a área de TVs sofre, a divisão de memórias HBM (High Bandwidth Memory) está a todo vapor, alavancada pela fome de data centers e IA generativa. Esse fôlego nos semicondutores ajudou o conglomerado a ultrapassar a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado nesta semana, mesmo sem a receita dos aparelhos domésticos chineses.
O que muda para quem quer comprar uma Smart TV 4K em 2024?
Na prática, a decisão:
- Reduz a escala de produção local na China, o que pode pressionar fornecedores de painéis e componentes — efeito que costuma ser diluído globalmente nos preços;
- Fortalece concorrentes chineses, como a TCL, que assumiu a liderança de vendas globais de TVs no último trimestre de 2023 com 16 % de market share, ante 13 % da Samsung;
- Estreita o foco da Samsung em mercados premium (Neo QLED 8K, OLED com 144 Hz, soundbars Q-Symphony), justamente os produtos mais buscados por gamers e cinéfilos que pesquisam em lojas online.
Para o consumidor brasileiro, isso significa que a linha Crystal UHD e as Neo QLED continuam firmes nas prateleiras — e, com a concorrência apertando, há espaço para promoções agressivas em eventos como Prime Day ou Black Friday. Fique atento a recursos como taxa de atualização de 120 Hz, HDMI 2.1 e FreeSync Premium caso seu objetivo seja extrair o máximo de um PC gamer ou de um console de nova geração.
E a fábrica de Suzhou?
A unidade fabril de eletrodomésticos em Suzhou seguirá operando, mas deve se concentrar em exportação ou produção white-label para parceiros locais. A Samsung garante que dará suporte a assistências técnicas e lojistas afetados, evitando deixar consumidores sem garantia.
Imagem: Paulo Higa
A Samsung está de saída definitiva da China?
Não. A marca permanece vendendo smartphones Galaxy, chips de memória e SSDs no país asiático. A saída limita-se aos produtos de linha branca e TVs, onde a competição de preços atingiu um patamar insustentável para empresas estrangeiras. Em outras palavras, a sul-coreana troca um mercado de margens espremidas por investimentos onde pode cobrar mais — estratégia semelhante à adotada pela Sony, que também recuou de TVs de entrada para focar em painéis premium.
Resumo em poucas palavras
• Samsung encerra vendas de TVs e eletrodomésticos na China.
• Perdeu espaço para marcas locais: market share de apenas 3,62 % em TVs.
• Divisão teve prejuízo de R$ 715 mi em 2023.
• Chips de memória sustentam valor de mercado recorde de US$ 1 tri.
• Consumidor brasileiro pode esperar competição maior — e quem sabe ofertas — em modelos 4K e 8K com HDMI 2.1.
Se você avalia trocar de TV ou upgrade no home office, acompanhe os próximos lançamentos Neo QLED e OLED: eles dão um salto em brilho, contraste e taxa de quadros — diferenciais que podem justificar a escolha frente à nova leva de televisores TCL ou Hisense já disponíveis na Amazon.
Com informações de Tecnoblog