Prepare o bolso, gamer: a AMD acaba de acender o sinal amarelo para quem planeja trocar de placa de vídeo ou comprar um novo console ainda este ano. Durante a divulgação de seus resultados do 1º trimestre de 2026, a companhia revelou que espera uma queda superior a 20% na receita do segmento de gaming na segunda metade do ano, e o principal vilão atende pelo nome de DRAM.
O que está acontecendo?
Segundo Jean Hu, vice-presidente executiva e CFO da AMD, o custo da memória despencou nos últimos anos e agora voltou a disparar, pressionando toda a cadeia de produção de GPUs, CPUs e consoles. O reflexo direto para o consumidor é simples: preços finais mais altos — e, por consequência, menos unidades vendidas.
Enquanto IA bomba, o gamer paga a conta
Curiosamente, o alerta vem na mesma conferência em que a AMD comemorou receita recorde em data center; a empresa projeta um salto de 70% ano a ano na venda de CPUs para servidores, puxado pela demanda crescente por soluções de inteligência artificial. Ou seja, o dinheiro que entra por IA pode não ser suficiente para cobrir o buraco que se abre no mercado doméstico.
Por que a DRAM virou problema?
Desde o fim de 2025, fabricantes como Micron e SK Hynix têm avisado que a oferta de chips de memória DDR5, GDDR6 e HBM não acompanha a explosão de pedidos para datacenters e GPUs de IA. A Micron fala em escassez até 2028; a SK Hynix arrisca 2030. Resultado: custos subindo em cascata — e pouca margem para promoções agressivas no varejo.
Impacto prático: devo adiar meu upgrade?
Se você está de olho em uma Radeon RX 7800 XT, em um processador Ryzen 7 7800X3D ou pretende garantir um console de nova geração, é bom acompanhar os preços com lupa:
- Placas de vídeo: o preço do chip gráfico pode até cair com novos lançamentos, mas o valor da memória GDDR6 já representa até 30% do custo total de produção.
- Consoles: tanto PlayStation 5 quanto Xbox Series usam memória GDDR6; qualquer repasse de preço encarece imediatamente o hardware.
- PCs gamer: kits DDR5, que chegaram ao mercado em 2022 custando em média R$ 600 (16 GB, 4800 MT/s), já ultrapassam R$ 900 no varejo brasileiro em 2026.
Concorrência também sente o baque
A Nvidia, líder em GPUs, não divulga números separados para o segmento de consumo, mas analistas do mercado financeiro já preveem queda de dois dígitos em unidades vendidas de placas GeForce no 2º semestre. Intel? Situação parecida: a empresa aposta na linha Arc “Battlemage” para ganhar espaço, porém depende da mesma DRAM para competir em preço.
Imagem: William R
O que a AMD pode fazer?
Lisa Su, CEO da companhia, disse que a estratégia agora é “planejar o negócio considerando esse cenário”, corporativismo para redução de metas e ajuste na produção. Na prática, a AMD tende a priorizar chips de maior margem, como a série Radeon RX 7900 (que usa HBM) e CPUs topo de linha com 3D V-Cache, onde o custo de memória pesa menos no preço final.
Vale a pena esperar?
Quem não tem urgência pode monitorar o mercado nas promoções de inverno (no Hemisfério Norte) e na Black Friday. Se a previsão de escassez até 2028 se confirmar, os melhores descontos podem aparecer em estoques antigos ou em bundles com jogos. Fique de olho também em modelos de geração anterior, como a Radeon RX 6750 XT, que ainda entregam ótimo desempenho em 1440p e podem cair de preço para dar lugar aos estoques de RDNA 4 em 2027.
No curto prazo, a mensagem da AMD é clara: memória cara, menos oferta e mais cautela. Para o consumidor, o jogo agora é saber o momento certo de apertar o gatilho da compra — antes que o próximo aumento chegue.
Com informações de Hardware.com.br