Você notou que o espaço livre do seu SSD evaporou sem explicação? Pode ser obra do próprio Google Chrome. O navegador está baixando, em segundo plano, um modelo de inteligência artificial de aproximadamente 4 GB — o Gemini Nano — sem solicitar a sua autorização. A prática, que voltou a viralizar nas redes nesta semana, reabre o debate sobre transparência, privacidade e, claro, aquele precioso espaço que poderia ser usado para instalar mais um jogo ou guardar projetos pesados.
Por que o Chrome precisa de 4 GB extras?
O arquivo, batizado de weights.bin, é a base local para recursos de IA do Chrome, como a função Ajude-me a escrever e mecanismos de detecção de sites fraudulentos. Ao manter o modelo no seu computador, o Google reduz latência e processamento em nuvem, entregando respostas quase instantâneas. O problema? O download simplesmente acontece quando o navegador detecta que seu hardware cumpre os requisitos mínimos, independentemente da sua vontade.
Impacto prático: do gamer ao criador de conteúdo
Para quem roda games AAA em SSDs NVMe de 512 GB ou menos, 4 GB não são desprezíveis — equivalem ao tamanho do patch mensal de muitos títulos. Criadores de conteúdo que lidam com arquivos RAW ou vídeos 4K também sentem o aperto. Em máquinas corporativas, a instalação silenciosa ainda pode ferir políticas internas de segurança e compliance.
Concorrência cutuca: “navegue com quem se importa”
O episódio serviu de munição para navegadores rivais. O Vivaldi, que adota discurso ferrenho a favor da privacidade, ironizou no Threads: “Talvez seja hora de apoiar um browser criado por pessoas que se importam com o mundo em que vivem”. Firefox e Brave também surfaram no buzz, reforçando a promessa de não “enfiar” IA goela abaixo do usuário.
Excluir o arquivo funciona? Apenas até a próxima reinicialização
Apagar manualmente a pasta onde o weights.bin fica armazenado (geralmente em %LOCALAPPDATA%GoogleChromeUser Data) não resolve: na próxima inicialização o Chrome detecta a ausência do modelo e baixa tudo outra vez. A solução definitiva, por ora, exige editar o Registro do Windows 11.
Passo a passo: como bloquear o download do Gemini Nano
Aviso importante: alterar o Registro incorretamente pode comprometer o sistema. Siga os passos à risca ou consulte um profissional.
Imagem: Vitor Pádua
- Abra o menu Iniciar, digite regedit e pressione Enter.
- Navegue até
HKEY_LOCAL_MACHINESOFTWAREPolicies. - Clique com o botão direito em Policies > Novo > Chave e nomeie como Google.
- Repita o processo dentro de Google criando a chave Chrome.
- Dentro de Chrome, clique com o botão direito > Novo > Valor DWORD (32 bits).
- Nomeie o valor exatamente como GenAILocalFoundationalModelSettings.
- Dê duplo clique no novo valor e altere Dados do valor para 1; confirme em OK.
- Reinicie o computador. Ao reiniciar, o Chrome detectará a política e removerá qualquer arquivo de IA já baixado.
E no macOS ou Linux?
No momento da publicação, o bloqueio só pode ser feito via políticas corporativas (JSON/Plist) ou intervenções manuais avançadas, sem método oficial documentado para usuários domésticos. A recomendação é monitorar futuras atualizações do Chrome ou optar por navegadores que ofereçam controle granular sobre funcionalidades de IA.
O que esperar daqui pra frente
Com a corrida da IA em pleno vapor, é provável que mais softwares adotem modelos locais para acelerar tarefas. Transparência, entretanto, deve virar palavra-de-ordem: avisar o usuário, oferecer opt-in claro e permitir remoção sem “gambiarras” são passos essenciais para não desgastar a confiança. Enquanto isso, vale checar regularmente o espaço em disco e ajustar as configurações de atualização automática — seja no Chrome, seja em qualquer outro aplicativo.
No cenário de hardware, a tendência reforça a compra de SSDs maiores (1 TB ou mais) e memórias RAM acima de 16 GB, itens que já caíram de preço nos últimos meses em promoções na Amazon. Afinal, se até o navegador quer 4 GB extras, imagine os próximos jogos e aplicativos criativos.
Com informações de Tecnoblog